No início deste ano, comentei com uns amigos que havia encontrado meu professor de inglês do colegial (sim, sou dessa época) dando aulas na mesma escola em que eu passaria o semestre dando aulas do idioma que aprendi com ele. Depois de mais de 20 anos!
Era muito estranho dividir a sala dos professores com alguém que despertou em mim a paixão por essa língua (nenhum outro teacher tinha conseguido essa proeza...). Mas ele falava de mim pros outros com orgulho: "Ela foi minha aluna de inglês e agora dá aulas na Cultura Inglesa!".
Cruzava com ele toda terça-feira. Cruzei com ele na semana passada. O jeitão era o mesmo da época em que ele era o meu professor. Hoje, planejava encontrá-lo novamente pra (talvez) me despedir, já que hoje seria o dia de fechar o semestre com a minha turma de alunos. Mas Alguém tinha outros planos... Que dia triste.
Mesmo sem saber (ou vai saber?), o meu teacher começou meu dia ensinando mais uma lição: viva o hoje. Fale tudo o que tem pra dizer. Nem que seja "tchau". Diga. Na língua que for, mas fale.
23 junho 2015
16 junho 2015
Toda forma de amor
Esse
último Dia dos Namorados deu o que falar, né? E pra desespero do deputado da
PQP Marco Feliciano a tendência é “piorar”. “Piorar” entre aspas porque algumas
pessoas ainda pensam que vivemos na Idade da Pedra, onde homem comia mulher e
ponto. Ou pelo menos comia a mulher na frente dos outros e o resto às escondidas
e ninguém sabia ou se importava, porque naquela época era vital sobreviver e
não cuidar da vida alheia.
O
Boticário lançou aquela campanha “polêmica” (vá se acostumando com as aspas, porque
parece que serão muitas neste texto, e o que há dentro delas não reflete a
minha opinião, mas a de uma sociedade hipócrita – sem aspas) para essa data tão
especial que celebra o amor. AMOR, minha gente mente fechada, não se limita ao
gênero oposto ao seu. Amor, como você ama estampar no seu Facebook, não tem limites e nem se coloca entre aspas. E por que
raios o amor escolheria a quem amar?
Vou
te dar um exemplo bem idiota: você tem seu animalzinho de estimação, certo?
Gato, cachorro, cobra, passarinho, peixe ou a vaca da sua amiga, com quem você
posta fotos, faz declarações apaixonadas, enche de mimos... A não ser que seja
tudo falsidade, você expressa ali, nesses posts, o que sente por algo (ou
alguém, na sua opinião). E, tudo bem. Porque, afinal de contas, beijar o focinho
do seu cachorro peludo, que enfia o nariz no mijo de outro bicho enquanto você o
leva pra passear na rua é OK, né?
Qual
seria, então, o problema com a tal campanha publicitária que mostrou outras
formas de amor, que não era aquela que você demonstra pelo seu gato, cachorro
ou a piranha da sua amiga? O que há de errado em amar alguém igual a você?
Todo
mundo pára pra ver briga na rua. Filma. Coloca no YouTube. Compartilha loucamente como se não
houvesse amanhã. Essa semana mesmo, assisti um vídeo de dois bêbados quebrando
o pau, em plena luz do dia, e logo embaixo muita gente comentando o post com
KKKKKKKK’s infinitos. Dois homens brigando é engraçado, divertido, digno de
compartilhamentos. Mas dois homens demonstrando sentimentos é tosco, nojento e
desprezível? Reveja seus conceitos pré-históricos, bossais e ultrapassados
urgentemente.
No
ultimo final de semana, o final de semana dos namorados, enquanto eu comprava
os meus próprios presentes numa livraria da Paulista, vi duas meninas apaixonadas
trocando um rápido selinho e presentes. Em plena luz do dia, numa livraria
lotada. Minha reação? Continuei a vida sem fazer drama, protesto ou baixaria. Ninguém
morreu com isso e ninguém nunca morrerá. O Feliciano (e você que tem a cabeça
fechada) que se acostume com a “modernidade”. Todo mundo pede amor, mas não
perde a oportunidade de começar uma guerra, nem que o motivo da briga seja o próprio
amor, oferecido àquele que não os convém.
Pra
todos vocês que ainda condenam essa forma de amor, o meu desejo é que morram
sozinhos, sem ninguém pra amar ou que os ame. E que você se contente – “apenas”
– com o amor próprio, se é que tem algum já que rejeita o amor de um semelhante, né?
09 junho 2015
Quem quer uma boa dose de verdade?
Alguns bons anos atrás, entrei num relacionamento
a distância que durou quase 1 ano. Trocávamos mensagens, ele vinha me visitar
no Brasil com frequência e fazíamos planos. Até que num belo dia (era o feriado
da Independência do Brasil), recebi um email de uma moça que dizia ser a
namorada desta pessoa, o meu namorado. Na mensagem, ela contava sobre o relacionamento
dos dois e como descobriu a minha existência. Minha primeira reação? Liguei na
mesma hora pro filho da puta e exigi explicações. Eu tinha uns 25 anos, era
imatura e respondi o email da coitada – que era tão vítima do safado quanto eu –
com todo tipo de ofensas que você pode imaginar. Sim, essas mesmas e daí pra
baixo.
Defendi o cafajeste, porque acreditei que a mulher
era uma louca desvairada quando, na verdade, ela era uma alma iluminada
tentando abrir meus olhos. Guardei o email e, um ano depois, resolvi responde-lo
novamente, agradecendo a boa ação. O tom foi completamente diferente. Me
desculpei pelas ofensas e me lembro de ter trocado algumas mensagens com a moça
depois disso. O que ela tinha me dito era a mais absoluta verdade.
Alguns outros bons anos se passaram e, me vi no
lugar dessa mulher: resolvi procurar a namorada de um cara que mantinha o
relacionamento com nós duas quando descobri a infidelidade. Pisei em ovos ao
abordá-la, porque já estive do outro lado da mensagem, mas pra minha surpresa
ela disse que já desconfiava de algo. No começo, me agradeceu, admirou minha
atitude, fez um milhão de elogios, mas no minuto seguinte ligou pro cara pra
dizer que eu era biruta. Talvez não soube lidar com tanta informação e preferiu continuar acreditando na mentira.
Eu, no fundo, só queria me desculpar por qualquer
mal estar que tivesse causado ao relacionamento dos dois. Não era minha culpa.
Não era eu quem deveria me desculpar, mas resolvi fazer porque me sentia mal. Eu
não sabia da existência dela. Tive boas intenções e, me fodi! Os dois se
juntaram pra falar mal de mim. Não que eu ligasse pra isso, mas questionei a minha honestidade.
No início deste ano, recebi mais um desses e-mails
surpresa. A moça abriu o coração, ouvi toda a história dela, falei da minha,
comparamos e demos boas risadas. Afinal, éramos duas mulheres maduras, educadas
e bem-resolvidas. Nos falamos até hoje. Nenhuma de nós procurou o cara em
questão pra fofocar sobre as mensagens trocadas. Ia adiantar alguma coisa? O
cara mentiu pra ambas! Ao procura-lo pra tirar satisfação, ele mentiria de
novo, diria que éramos piradas e jamais assumiria a culpa. Mentirosos detestam ser questionados e descobertos. Fato!
Há alguns dias, resolvi conversar com alguém sobre
o que ouvi a respeito dessa pessoa. Não havia namorado em questão, ou
infidelidade, mas um passado em comum. A gente sempre acha que vai ajudar...
Mas, nem sempre é visto assim. O que eu disse foi checado com o mentiroso, o
mentiroso mentiu de novo. E, alguém acreditou...
A questão é: até que ponto as pessoas querem mesmo
ouvir a verdade? Ou será que elas gostam de ouvir a verdade só quando ela soa
bem? Fechar os olhos pra ela não fará com que desapareça. Muitos se esquecem que nem sempre a verdade vem coberta com chantilly e
com uma cereja no topo. Aprender a ouvi-la é uma lição diária, que faz crescer
e é libertador. Estou sempre do lado e atrás dela, até porque fui educada
assim. Mas, depois deste último episódio, não sei mais se gritaria a verdade
pra qualquer um... Os mentirosos ainda são mais sedutores que os sinceros. Triste, né? Mas verdadeiro...
24 maio 2015
O poder do pole dance
Quem
me conhece sabe que sempre odiei atividades físicas. Na escola inventava
qualquer desculpa pra não participar dos jogos. “Tô com cólica” era a minha
preferida e sempre funcionava. Fiz balé, natação, ginástica olímpica, patinação
artística e tênis. Se somar o tempo que me dediquei a cada um desses esportes
não dá um ano da minha vida.
Desde
criança carregava a bandeira do sedentarismo com o maior prazer. Não era aquela
menina que passava o dia na rua andando de bicicleta ou pulando amarelinha. Eu
preferia ficar em casa, dando aula pras minhas bonecas, ou num canto com a cara
nos livros, quando não resolvia criar as minhas próprias histórias.
Depois
de velha, pratiquei beach tennis. E,
como o próprio nome “sugere”, qualquer partida envolvia uma viagem à praia. Não
demorou muito pra minha raquete pink ficar encostada num canto, no meio das
minhas bolsas.
Até
frequentei a academia no meu ano sabático. Mas levantar peso era só um motivo
pra que eu saísse da cama antes das 10 horas da manhã. Nunca morri de paixão
por aquilo e nem combinava comigo. Bastou meu ano off acabar pra minha vontade de malhar ir pro vestiário e não sair
mais de lá.
Há
3 meses, porém, resolvi me aventurar em algo que desafiava todas as minhas
limitações, da timidez ao despreparo físico, passando pela falta de coordenação
motora, força, flexibilidade e tempo: fui à uma aula experimental de pole dance/fitness. Saí dessa
experiência com uma única sensação, a de que minha professora tinha me dado uma
surra com a barra. Todos os pedacinhos do meu corpo doíam... Desisti? Nem morta
(apesar de morta ser a palavra ideal pra definir como me senti)! Encomendei um
pole e instalei na sala da minha casa, bem no meio do caminho.
Descobri
algo melhor que terapia e que sou capaz de tirar forças de onde nem imaginava
que poderia. E tenho levado isso pra vida. As amigas me perguntam, curiosas, eu
recomendo! Aumenta a auto-estima. Os caras elogiam, eu - na minha - dou risada. É incrível o poder que aquilo tem na imaginação desses rapazes. Posto fotos das minhas práticas e
conquistas no Instagram e no Facebook não pra me exibir (a opinião dos outros nunca pagou minhas contas), mas pra registrar o meu
progresso. Mas, sabe como é... Criei um canal no YouTube com essa mesma intenção e me orgulho de cada movimento, de
cada hematoma, de cada queimadura. Mas, sabe como é...
Sem
desmerecer as malhadas, ratas de academia, que mostram os resultados de seus levantamentos de peso fazendo
selfies e biquinhos na frente do espelho, enquanto se intitulam Mulher
Maravilha, mas heroínas não se prendem ao chão e nem terminam o dia com o corpo do He-Man. Se eu puder dar um conselho. abre o olho, Incrível Hulk: enquanto você faz pose na academia, seu namorado curte
meus vídeos, minhas fotos, me elogia inbox e me chama pra sair.
Esse poder só heroínas que realmente voam têm... É o pole dance, sabe como é?
02 maio 2015
Eu não sou só a minha bunda
Sejamos
honestos: fazemos parte de uma geração que adora uma bunda malhada, daquelas
tipo Panicat, tão masculinizadas que chegam a perder as curvas. As músicas, o Instagram das “celebridades” (e daquelas
que pensam ser ou que frequentam a academia com a mesma intensidade e paixão com que
frequento livrarias e a escola), o carnaval, as selfies e tudo o mais focam em
apenas uma parte do corpo feminino: o vantajoso derriere. E a supervalorização dessa parte do corpo tem nos levado
a questionar se não há nada de mais importante pra focar e elogiar.
Sim,
“desbundadas” do meu Brasil, há sim! E a lista não é pequena. O problema é que
apenas homens inteligentes prestam realmente atenção nos outros atributos. Os
outros se esquecem de que bunda um dia, cai e não reparam no seguinte:
1. Sorriso – sorrir é o sinal mais claro de aprovação
e, pelo meu entendimento, deveriam existir mais elogios ao sorriso do que à
parte posterior do corpo. Sorrisos iluminam ambientes e mudam o humor de quem
nele está presente, minha gente.
2. Senso de humor – bunda é bunda, todo mundo tem e,
como já disse, uma hora ela não vai estar mais ali, firme e forte pra ser
exibida na sua calça legging vestida a vácuo. Tudo muda quando alguém consegue
fazer você rir com frequência. Até aqueles dias que começaram esquisitos podem
se tornar melhores depois de passar um tempo com aquela pessoa que te faz
perder a pose e cair na gargalhada. Senso de humor nunca envelhece, já as
pessoas e o traseiro delas...
3. Lado aventureiro – mulheres que se dispõem a tentar
coisas novas e ver o mundo por uma perspectiva diferente não são apenas mais
divertidas e ótimas companhias, mas também capazes de fazer com que você mude a
forma de ver as coisas, tornando-as ainda melhores. Isso mostra que elas sabem
viver a vida de uma maneira divertida, com ou sem você, e sempre terão um monte
de histórias pra contar quando as coisas começarem a ficar entediantes. Já as
bundudas, provavelmente contarão a quantidade de agachamentos. E elas só vão até 8!
4. Olhos – alguém, um dia, disse que os olhos
são o espelho da alma. Apesar de ser bacana quando alguém faz algum elogio à
sua beleza, quando esse alguém elogia seus olhos, passa a significar bem mais
do que um “puta bunda gostosa!”. Pode existir um bilhão de músicas hoje em dia
que falam da bunda das mulheres, mas aposto que você – bunduda/bundona –
adoraria ouvir no pé do ouvido o quanto seu olhar é marcante e único.
5. Inteligência – bunda dura qualquer uma pode
conquistar. Nem precisa tanto esforço assim... Agora, pensar é pra poucas. Quer
um desafio? Tente manter uma conversa inteligente com um cara sem que, pra chamar a atenção do rapaz, você precise levantar-se da mesa e rebolar a caminho do banheiro só pra ele
conferir o que você carrega no porta-malas. É impressionante como as pessoas se
tornam lindas e interessantes quando sabem usar a cabeça. Sem contar
que dá pra aprender muita coisa com esse tipo de mulher...
6. Apaixonadas – alguém que valha seu tempo também
precisa ter outros interesses que vão além das aparências. Ela é a melhor
companhia pra ela mesma e é feliz com isso. Seja lendo um livro, tocando um
instrumento ou qualquer outro hobby, mulheres que são apaixonadas por coisas
que as fazem diferentes das outras são raras de encontrar.
7. Classe – mulheres com um pouco de classe tem
algo que é cada vez mais difícil de se ver por aí: elas sabem como se vestir e se
comportar sem que precisem chamar a atenção pela bunda que tem. Ter classe não
tem nada a ver com saber segurar um garfo direito num jantar chiquérrimo. As
classudas são finas, tem conhecimento e são valorizadas por isso.
8. Risadas – alguém que se dispõe a morrer de rir
dela mesma e enxergar alegria na vida é alguém que todos querem ter por perto.
Sabemos que nem tudo é um mar de rosas e muito menos festa o tempo todo, mas
alguém que consegue apontar o lado bom, é capaz também de deixar tudo bem mais
interessante.
9. Quem ela é na vida real – todo mundo já passou por isso:
conheceu alguém num bar, na balada, num churrasco com os amigos, trocaram
telefones, mensagens antes de se encontrar a sós por uma ou duas vezes. Às
vezes, dá certo. Mas na maioria delas, aquela primeira impressão vai pro ralo.
Por que? Ué, simples: simplesmente percebemos que a pessoa não é a mesma da
balada, do bar ou do churrasco dos amigos. Era só pose e, no fundo, não tinha
nada a acrescentar. A verdade é que alguém genuinamente bom de ser mantido por
perto e que valha a pena conhecer melhor passa longe daquela periguete, de
roupa agarrada, que dança até o chão só pra atrair olhares.
10. Na maneira como ela trata os
outros –
no final das contas, quem um cara vai respeitar pra valer: a periguete que se
encaixa no estereótipo do momento e que sabe balançar a bunda ou alguém que, de
verdade, tenta fazer algo mais além de se olhar no espelho e tirar selfies na
academia? Quem cuida muito da própria aparência, da bunda malhada, não tem
muito tempo pra olhar pros outros porque vive ocupada com o próprio umbigo (ops, bunda).
Homens
de verdade querem bem mais do que um troféu pra carregar a tiracolo. E, quem
gosta de bunda, que viva o relacionamento de merda sem chorar no ombro da amiga
inteligente. Quem foca só naquilo que não expressa nada, é porque não é capaz
de encantar as outras tantas partes do corpo da mulher, principalmente aquela
que ela usa – e bem – pra pensar. Inteligência é afrodisíaco. Já o corpo,
perecível.
21 abril 2015
Cltr C + Cltr V
“Tentar
ser o que você não é, é um desperdício de você mesmo”. Já leu isso em algum
lugar? Pois é uma dessas máximas que se propagam na internet mais que Dubsmash
em Instagram e que é coberta de razão
das primeiras aspas ao ponto final. É um copiar e colar pra ilustrar um texto
que fala exatamente da falta de personalidade de algumas pessoas.
Quando
você copia alguém, você deixa de existir. Sua essência se anula. Você se torna um zero, perde o seu tempero. Tudo
o que você é, passa a ser um outro alguém que, nem de longe, lembra você. E
aquela personalidade que tanto ostentava, cheia de orgulho, vai pra onde?
Muito bem, pro ralo; porque, no fundo, não valia nada e nem a pena sustentá-la,
né? Ou não!? (pense!)
A
roupa que você veste, as músicas que você ouve, os lugares que você frequenta,
a maneira como você se comporta definem quem você é e a sua personalidade, dão
vida a uma pessoa que poderia ser igualzinha a qualquer outra se não fosse tudo
isso. Você levou anos pra construir essa imagem. Tem muita história aí: é o que
você aprendeu ao longo da vida, a soma de tudo o que você acredita, o que defende com unhas
e dentes. Quando você deixa tudo isso de lado pra querer ser alguém que admira
ou inveja, além de doente, não é legal. Você despeja no lixo todos os seus
valores em troca de algo que só conhece de vista, da vitrine, que só acha legal porque
alguém elogiou, que não representa aquilo que você é realmente.
Mudar
de lado, de ideia, de estilo é OK. Mas vejo gente por aí copiando o que os outros
são na tentativa de agradar, tentar se encaixar ou prender a atenção das pessoas. Não vejo motivo
nenhum pra soltar rojões ao ser copiada por alguém que tenta ser o que sou. Artigo falsificado a gente encontra em camelô e paga-se barato por ele, porque sabemos que no fundo não é de qualidade.
Seja
você! E seja lá quem for. Carregue sua bandeira. Vista sua camisa. Orgulhe-se
da imagem que construiu. Se banque ou se manque! Não tente calçar os sapatos de outra pessoa. Eles não
servem em você e nem pra você. E, me desculpe o Ctrl C + Ctrl V, mas já dizia
um outro post que li por aí: quem realmente gosta e quer estar com você, te
escolheu pelo que é. Eu agradeço as homenagens, mas prefiro indicar um bom
psiquiatra pra casos assim...
18 fevereiro 2015
O conto de fadas da mulher madura
“Cinquenta
Tons de Cinza” não é nenhuma obra de arte da literatura. Pelo contrário: segue
uma trama pra lá de básica, tem uma linguagem bem manjada, equivalente à
leitura indicada pra meninas adolescentes da terceira série. E, mesmo assim,
todo mundo – da sua prima teen até a
sua avó coroca – confessaram amor à primeira página e terminaram a trilogia em
tempo record.
Claro,
as cenas de sexo são bastante satisfatórias, mas não suficientes. Então, se a
qualidade da escrita não é primordial e não há nada de mais no que foi
reproduzido nas telas, por que raios a história de Christian Grey se tornou uma
obsessão entre as mulheres?
A
ciência explica o motivo (ou 7 razões diferentes) da mulherada molhar a
calcinha com tanta sacanagem e o motivo dessa ficção ter se tornado tão popular
nas rodinhas femininas.
1. As mulheres nunca conheceram um
cara que possui todas as qualidades de Grey – Não importa se você gosta de Christian ou não, não
dá pra negar que a combinação de masculinidade e o “não tô nem aí” soa
loucamente atrativa. Trata-se de uma mistura de coisas que, geralmente, não
estão lá, o que torna tudo mais sedutor. É difícil pra chuchu conhecer alguém
que, além de ser completamente devoto aos seus sentimentos, é incrivelmente
sensível e super masculino ao mesmo tempo.
Há
uma razão pela qual livros românticos e filmes do gênero são escritos sobre este cara – ele não existe na vida real.
Os homens do cinema são baseados numa mistura praticamente impossível de
qualidades, as mesmas características que as mulheres mais apreciariam
encontrar num homem. Por exemplo, no início do relacionamento com Grey,
Anastasia nunca questionou os sentimentos dele. Ele sempre deixou claro que a
queria. Ele não espera um dia inteiro pra responder as mensagens dela ou
planejar um encontro, como estamos acostumadas na vida real. Ele está
disponível, aparece do nada, não importa quão ocupado esteja. E é exatamente um
exemplar assim que as mulheres gostariam de encontrar dando sopa por aí.
2. O filme revive aquele sentimento
que tivemos com o primeiro amor – Christian Grey é o primeiro amor de Anastasia
Steele e as mulheres acompanham todo o caminho que percorreram ao se
apaixonarem pela primeira vez, da diversão às fortes emoções, quando leem a
história da moça tímida, recatada e de valores românticos. “Cinquenta Tons de
Cinza” ajudou mulheres que já estão num relacionamento longo ou presas a rotina
a reviver esses momentos iniciais do romance, quando se apaixonaram pela
primeira vez. Mesmo as solteiras puderam relembrar como é perder o controle com
alguém que sente o mesmo por elas. É como se você nunca enjoasse da pessoa e,
como você não enjoa da pessoa, jamais enjoará da leitura.
3. A tensão sexual entre Grey e
Steele –
Chegarei no rala-e-rola, mas antes: as preliminares. Pra muitas mulheres,
preliminar é a parte mais excitante do sexo. E, adivinha: ela não é deixada de
lado no sucesso de bilheterias. É frustrante, em certos momentos, mas é
exatamente isso que deixou a mulherada com a cara colada no livro. Dizem que o
melhor da festa é esperar por ela. O livro seduz e leva a um outro mundo, fazendo
com que a leitora se veja desejada e sensual, o que é ótimo praquelas que andam
se sentindo frustradas sexualmente em suas vidas. Até Anastasia concordaria que
a espera é a cereja do bolo.
4. Somos quimicamente fascinadas pelo
tópico “amor” –
É a sessão mais lida nas revistas femininas. Se você já se apaixonou antes, já
deve ter experimentado aquela forte sensação de euforia. Se já se sentiu sem
ar, altinha, culpe a neuroquímica. A dopamina (um neurotransmissor associado ao
prazer) e a oxitocina (hormônio associado a ligações) são liberados nesses
momentos de euforia, quando nos apaixonamos. O que acontece no seu cérebro
afeta seu comportamento, mesmo que não tenha conhecimento disso. Filmes e
livros românticos captam isso quando focam suas histórias apenas no começo dos
relacionamentos, momento em que a dopamina te deixa de ponta-cabeça, deixando
qualquer uma vulnerável.
5. É um livro pornô – Há um motivo pelo qual não gostamos
de imaginar nossas mães lendo esse maldito livro do capeta: porque todas as
mulheres se excitam com ele, ora bolas! O livro (ou o filme) não é apenas uma
fuga da realidade, mas também uma escapada sexual. Equivale aos filmes de
sacanagem assistidos pelos homens, já que cada lado da moeda tem lá suas
preferências.
Sem
falar nas reações químicas que acontecem. Não é à toa que as pessoas se
excitaram com a leitura e nem é preciso ser visual pra excitar. “Use a sua
imaginação” era o que você costumava dizer pros meninos quando era mais novinha
e... funcionava!
6. O romance hollywoodiano ideal – Especialmente pra quem tende a
misturar aquela linha embaçada entre a fantasia e a vida real, este romance faz
com que a mulherada compre a história do “relacionamento perfeito” ou do “homem
ideal”. Eles usam Anastasia, uma personagem bem comum e imperfeita, pra
perpetuar essa ideia tradicional de que as mulheres procuram um cara perfeito,
que no fundo nem precisa ser lá tão perfeito assim, mas que só se sentirão
completas quando encontra-lo.
É
uma baita armadilha: elas começam a se comparar com a personagem e a comparar
seu relacionamento com o dos personagens do livro/filme. Apesar de ser misógino
e irrealista, acabam presas a um ideal romantizado. A Cinderela da vida adulta
é amarrada na cama, toma uns tapas e vira padrão de romance.
7. Toca nas frustrações de estar no
controle e se deixar levar – “Cinquenta Tons de Cinza” é apelativo pras
mulheres que se encontram numa posição em que acreditam ter controle de tudo.
Elas precisam preencher vários papeis na vida real, mas lá no fundo gostariam
que os homens tomassem conta. Talvez, a
la Christian Grey, quem sabe? O livro acessa essas vontades paradoxais de
querer estar no controle e de ser controlada. E quando visto pelo ângulo BDSM o
negócio pega fogo, não há mulher que não se renda. A ideia e a luta do controle
é evidente em todo o filme e coloca todo mundo pra refletir sobre a vida e os
desejos. Christian Grey satisfaz as vontades de Anastasia e a deixa perder o
controle, que é um desejo de muitas mulheres que gostam de estar no comando o
tempo todo.
Como tantos milhares de expectadores fui ao cinema assistir "Cinquenta Tons de Cinza" na noite de ontem. Nunca
li o livro e talvez por isso não tenha criado tantas expectativas. Mas não dá
pra negar que o sucesso de público tem suas explicações: ou tem muita gente
curiosa a fim de apimentar a relação ou frustradas com o mais ou menos de todos
os dias. Seja lá qual for a sua opinião sobre a história, é bom saber em qual
time está jogando ultimamente...
02 dezembro 2014
Conselhos de vó
Regina
Brett ficou conhecida como uma velhinha de 90 anos que dá lições de vida que
valem ouro. O problema é que quando alguém procura uma foto da vovozinha no
Google, se espanta com a aparência jovem. A verdade é que ela ainda nem chegou
aos 60. Mas, quando descobriu – aos 45 anos – que estava com câncer de mama, resolveu
sentar e escrever 45 conselhos que se espalharam rapidamente na internet. No
fundo, não importa a idade dessa senhora, mas sim os chacoalhões que nos fazem
acordar pra vida, seja qual for a sua
idade.
1. A vida não é justa, mas ainda assim é boa.
2. Quando estiver em dúvida, dê o próximo passo,
mas ande devagar.
3. A vida é muito curta pra perder tempo odiando os
outros.
4. Não se leve tão a sério. Ninguém vai leva-lo tão
a sério assim.
5. Pague a fatura de seu cartão de crédito todos os
meses.
6. Você não precisa vencer todas as discussões.
Concorde em discordar.
7. Chorar com alguém ajuda mais do que chorar
sozinho.
8. Quando o assunto é chocolate, resistir é perda
de tempo.
9. Fique em paz com seu passado pra que ele não
bagunce o seu presente.
10. É OK deixar que seus filhos o vejam chorar.
11. Não compare a sua vida com a vida dos outros.
Você não tem ideia das lutas pelas quais estão passando.
12. Você não deve entrar em relacionamentos que
precisam ser mantidos em segredo.
13. A vida é muito curta pra se lamentar. Ocupe-se
vivendo.
14. Você consegue superar qualquer coisa se viver
um dia de cada vez.
15. Um escritor escreve. Se quiser ser um escritor,
escreva.
16. Nunca é tarde pra se ter uma infância feliz.
Mas a segunda depende de você e de mais ninguém.
17. Quando o assunto é ir atrás do que você ama na
vida, não aceite “não” como resposta.
18. Queime velas, use os melhores lençóis, vista a
lingerie mais sexy. Não guarde isso pra ocasiões especiais. Hoje é um dia
especial.
19. Esteja sempre preparado, mas siga o fluxo.
20. Seja excêntrico agora. Não espere até
envelhecer pra usar roxo.
21. O órgão sexual mais importante é o cérebro.
22. Ninguém é responsável pela sua felicidade, a
não ser você mesmo.
23. Lembre-se das seguintes palavras quando as
coisas estiverem ruins: “Isso vai ter alguma importância em 5 anos?”.
24. Perdoe tudo e todos.
25. O que as pessoas pensam sobre você não é da sua
conta.
26. O tempo cura quase tudo. Dê tempo ao tempo.
27. Não importa se a situação é boa ou ruim, ela
irá mudar.
28. Seu emprego não irá cuidar de você quando
estiver doente. Seus amigos sim. Mantenha contato.
29. Acredite em milagres.
30. O que não te mata, realmente te fortalece.
31. Envelhecer mata a alternativa de morrer jovem.
32. Seus filhos terão apenas uma infância. Faça com
quem seja memorável.
33. Saia de casa todos os dias. Os milagres
acontecem lá fora.
34. Se todos nós jogássemos nossos problemas numa
pilha e olhássemos pros problemas dos outros, certamente pegaríamos os nossos
problemas de volta.
35. Não analise a vida. Faça acontecer.
36. Livre-se de tudo o que não é útil, bonito ou
alegre.
37. Tudo o que realmente importa no final é aquilo
que você amou.
38. Inveja é perda de tempo. Você já tem tudo o que
precisa.
39. O melhor ainda está por vir.
40. Não importa como se sente, levante-se,
arrume-se e se mostre.
41. Respire fundo pra acalmar a mente.
42. Se não pedir, não irá receber.
43. Renda-se.
44. Guarde dinheiro pra sua aposentadoria e comece
com seu primeiro pagamento.
45. A vida não vem embrulhada com um laço, mas
ainda assim é um presente.
04 novembro 2014
Não vivo sem!
Todo mundo tem aquele (não necessariamente no singular, é lógico) item que não consegue viver sem. Eu, por exemplo, não saio de casa sem lentes de contato, óculos escuro, celular (e o carregador) e minha carteira. Não consigo viver sem livros, internet, lápis e bloco de anotações. Minha família é extremamente essencial e é o tipo de coisa que não se inclui numa lista. Mas, além desses objetos necessários pra sobrevivência – ou pelo menos pra chegar viva até o fim do dia – sempre tem aquelas outras coisinhas que, ao longo da vida, descobrimos e não conseguimos mais imaginar a nossa existência sem.
Se
eu tivesse que levar alguns objetos pra uma ilha deserta, estes 5 teriam que
estar na mala:
1. Starbucks Vanilla Latte – todo mundo que me conhece já
percebeu meu vício em Starbucks e é óbvio que eu não conseguiria passar uma
semana sem a minha bebida preferida. Bebo tanto que, na loja que mais
frequento, não preciso fazer meu pedido ou dizer meu nome: quando paro no
balcão eles me perguntam: “O de sempre, Juliana?”.
2. Dry shampoo – lavo meu cabelo todo santo dia,
apesar de saber que isso não é recomendado. Mas eu não gosto daquela sensação
ensebada, sabe? Por isso, essa invenção é um item que não sai da minha bolsa.
Costumo carregar a versão pra viagem e, se achar que no fim do dia meu cabelo
não tá legal: spray nele!
3. Tangle Teezer – sou do tipo de pessoa que só penteia
o cabelo quando sai do banho e não tenho um bilhão de escovas. Mas essa coisa
aí tem feito com que escove os cabelos com mais frequência, porque parece
massagem. É caro, confesso, mas valeu o investimento.
4. BB Cream – não importa a marca, já experimentei
algumas, e posso dizer que essa invenção também caiu do céu. Tenho um monte de
manchinhas no rosto e ele cobre tudo sem deixar pesado.
5. Seu Horóscopo Pessoal – ganhei este livro do Joseph Polansky de presente no meu
aniversário do ano passado e, desde então, consulto mensalmente as previsões. E
elas acontecem, exatamente quando e como estavam previstas. Anoto as mais
importantes na agenda e sigo ao longo do ano, algumas pra tomar certas decisões. Deu tão certo que, este ano, vou
comprar a edição de 2015. Recomendo, viu!
07 outubro 2014
O direito a opinião
No
fim da tarde de ontem, deixei um comentário num post publicado pela candidata Dilma, na página do Facebook dela. Não sou politizada e não
curto política, mas acompanho há um tempo posts
não apenas dela, mas de outros candidatos (diferente de alguns, que preferem se
alienar do resto do mundo, sigo sim os concorrentes daqueles que admiro, pois
assim posso formar a minha opinião). A candidata estava conclamando as pessoas
que melhoraram de vida nos últimos 12 anos, tempo em que o PT está no poder, a
se juntar a ela na campanha para o segundo turno das eleições para presidente.
Como
minha vida mudou (para pior), fui deixar lá a minha opinião. Afinal, ainda não
vivemos numa ditadura e acredito ter liberdade para expressar a minha
insatisfação com a atual presidentE, pois pago impostos e moro no país que ela
comanda. Pra minha surpresa, a repercussão do meu comentário foi enorme: até o
momento, 450 pessoas curtiram e muitas outras que não conheço comentaram.
Aqueles que dividem a mesma opinião que a minha foram extremamente educados. Os
PTistas, ao contrário, foram agressivos e me encheram de desaforos, ofendendo a
mim, minha qualificação profissional e minha jornada de trabalho.
Alguns
disseram que meu discurso era vazio. Concordo com todos. Até porque não tenho
discurso. Tenho, sim, pouco dinheiro na minha conta bancária e muitos anos de contribuição
em impostos. O suficiente pra me deixar insatisfeita com a situação atual do
meu país. Não tenho discurso, tenho discernimento, bom senso e opinião.
Em
momento algum defendi um partido ou político (apesar de ter os meus), mas
defendi a minha insatisfação. Ainda
posso discordar com o fato do que o país não estar bem ou preciso pagar uma
taxa pra isso? Minha vida e a de muita gente que conheço não melhoraram. Poder
comprar um carro em 60 vezes não é sinônimo de melhora. Comprar uma casa em
parcelas a perder de vista, não é sair da miséria. Minha ideia de progresso é
bem diferente.
Nasci
na época da ditadura. Não sou uma menina que vive de mesada. Contribuo com
TODOS os impostos, pois se não os pago, sou punida. Meu salário seria
excelente, mas parte dele é desviado pra pagar impostos e garantir o Bolsa
Família de gente capaz de arrumar emprego, mas que se encosta na sombra de
benefícios do governo (por exemplo).
Eu
tinha 10 anos quando o movimento das Diretas Já conseguiu garantir a redemocratização,
mesmo depois da censura imposta sobre a imprensa e de muitas manifestações
políticas pra derrubar João Figueiredo. Eu vi Tancredo Neves ser eleito
presidente. E me lembro, também, da felicidade do povo deste país indo às
urnas. E vejo, hoje, a mesma esperança nas discussões (sadias) promovidas em
redes sociais.
Ofensas
me irritam, porque são gratuitas. Campanhas baixas me entristecem (Dilma, por
exemplo, dividiu ontem o povo brasileiro entre brancos e negros, num post em seu Twitter pessoal. Um pouco
mais tarde, o mesmo post foi deletado).
Duas pessoas podem olhar pra mesma coisa e ver coisas totalmente diferentes.
Discordar é inteligente. Ofender, assim como concordar com tudo, é ignorância.
Meu
voto vale mais que os benefícios oferecidos pelo governo. Ele foi conquistado
por políticos que todos nós “devotamos” nos dias de hoje, tanto os meus quanto
os seus – e isso independe de partido ou no que você acredita. Eu não jogo o
meu fora. Assim como não pretendo jogar no lixo o meu direito a opinião. Quero
ordem e progresso, não desordem e retrocesso.
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