13 agosto 2014

Desistir não é uma opção

Já desisti de sair num sábado à noite por causa da preguiça. Já desisti de comer a sobremesa com medo de estragar a dieta. Já desisti de enviar cartas de amor, porque talvez não fosse compreendida. Já desisti de postar assuntos polêmicos pra não causar discórdia. Já desisti de uma briga, porque não valia a energia desperdiçada nas discussões. Já desisti de acordar cedo num final de semana de sol, porque estava cansada demais da semana. Mas, nunca desisti da vida.

Todo mundo conhece alguém que sofre ou já sofreu com a depressão, aquela tristeza profunda que parece não ter fim, nem cura, nem remédio, nem mesmo vontade de sarar. A gente costuma achar que não passa de frescura, mas pelo menos 5% da população mundial tá, nesse momento, sem a menor vontade de sair da cama e, 15 entre 100 deprimidos irão cometer suicídio eventualmente. Depressão é uma doença e o preconceito só atrapalha a busca pela cura. Muitas vezes, por melhores que sejam as intenções dos amigos, só conversas de mesa de bar, desabafos regados a lágrimas e aquele ombro acolhedor, não são suficientes.

Esta semana, Robin Williams chegou ao limite. E você pensando como alguém com tanta fama, dinheiro e realizações poderia se matar, tendo tudo o que muita gente sonha nas mãos. Depressão não escolhe carreira, beleza ou status social. E Robin Willians jogou a toalha, fazendo a depressão vencer mais uma batalha.

É errado achar que o suicídio vai libertar alguém do sofrimento, fazer com que esta pessoa encontre, finalmente, a paz. Ao dar um fim na própria vida, o ator com cara de fofo e feliz mostrou que também era humano. A morte dele não é mais importante só porque todos o conhecem, não porque ele partiu, mas porque ele escolheu deixar o mundo.

Tem gente que acha suicídio um ato de coragem. “Como é que o sujeito teve colhão pra se jogar da ponte, atirar na própria cabeça, se enforcar, tomar uma dose potente de remédios ou se envenenar?”, você se pergunta. Outros acreditam ser o extremo da covardia; afinal, todos nós estamos na vida pra enfrentar problemas, resolvê-los, vencê-los, porque a vida não é fácil com ninguém.

Não consigo compreender tanta e absoluta rejeição a vida, a falta de capacidade de ver o valor em seja lá o que for a ponto de se perder toda a esperança. É uma escolha trágica, e isso deve ficar claro: suicídio, apesar de horrível e desesperador, é uma escolha. Ele não acontece com alguém, não te ataca como uma doença ou um furacão. Robin Williams era genial, mas ele não morreu de depressão, não é isso o que irá aparecer nos laudos da autópsia, porque depressão – sozinha – não mata ninguém, não te sufoca e nem faz seu coração parar. Por mais triste que seja, ele morreu pela escolha que fez. É uma escolha puxar o gatilho, se envenenar, pular da janela, desistir de vez.

Por mais triste que esteja, você não precisa escolher tirar a própria vida, como se ela fosse o presente de Deus (ou seja lá no que acredita) que você não gostou e quer devolver insatisfeito ao remetente em forma de protesto. Suicídio não acaba com o sofrimento, só o transfere pra quem fica por aqui, pro resto da vida deles. A vida existe e todos nós fomos feitos pra vive-la. Não desista da luta, porque esperança não se mata, ela é a última que morre. 

05 agosto 2014

Eu voltei...

Voltei a ler livros antes de dormir. Aliás, voltei a comprá-los também, pra depois passar a tarde com a cara no meio das novas aquisições numa Starbucks, tomando lattes demorados, sem ter que dar minha atenção pra alguém que reclama do gosto do café.

Voltei a me presentear com mimos bem femininos, porque cansei de esperar presente ou agrado de alguém. Voltei a frequentar restaurantes japoneses e a me entupir de peixe cru e arroz frio. Voltei a sair com as amigas, sem ter medo de ser abordada por estranhos e seus elogios. Voltei a me produzir pra passeios, porque já passei tempo demais em casa, de calça jeans e camiseta e, meus sapatos de salto alto agradeceram a decisão.

Voltei a assistir meus seriados preferidos sem legendas, não porque já os conheço de cor, mas porque as malditas letras no rodapé da TV me roubam o foco. Voltei a encher minha geladeira só com o que gosto. Voltei a confiar nas pessoas (certas) e a acreditar em promessas.

Desaposentei aplicativos de chat no meu celular. Voltei a fazer planos! Não posso me acomodar naquilo que tanto me incomoda. Não tenho esse direito...

Depois de agradar muito quem não merece, você chega a conclusão de que deve valorizar a única pessoa que estará do seu lado até o fim: você mesmo. Chega uma hora em que você percebe que fez tanto por alguém que a única coisa que resta fazer é parar, se distanciar e deixa-los partir. Dar lugar pra quem quer ficar. E nem sempre deixar de fazer algo por alguém significa que desistiu ou não tentou.

É preciso saber separar a determinação do desespero. O que é seu, de verdade, no final será seu. E o que não for, não importa o esforço que tenha feito ou continue fazendo, nunca será.

Chega uma hora em que você cansa de virar a página, porque percebe que a história não é a sua, que não faz mais parte dela. E nessa hora, o melhor é trocar o livro. Eu já sou outra (ou, talvez, a mesma de antes de você chegar) e, sendo outra, já não sou mais sua. Eu voltei a ser minha. 

28 julho 2014

O que a mentira aumenta?

Dizem que a mentira tem perna curta. Eu poderia descrevê-la com mais detalhes, dizer que é charmosa, tem um olhar sedutor e que sabe escolher bem as palavras. Mas a ideia não é criar uma imagem bonita e interessante pra ela, pois não é assim que deve ser retratada.

Este não é um texto sobre alguém, mas sobre um comportamento comum que vem se repetindo na minha vida. Não por mim, óbvio, já que fui educada por pais honestos e sinceros até além da conta. Desde cedo, se preocuparam em expor a verdade, por mais dolorosa e traumática que ela pudesse ser, me ensinaram que mentiras não têm vida longa, têm prazo de validade e são exibidas: adoram aparecer.

Cresci no meio de conversas muito francas, que transbordavam respeito. Principalmente sobre relacionamentos e não é à toa que espero o mesmo dos outros. Seria correspondida, quem sabe, num lindo mundo cor-de-rosa, que não existe.

Desde cedo somos ludibriados com a história de um bom velhinho, que só presenteia aqueles que se comportam bem. Passamos o ano sendo boas crianças, porque o idoso fictício precisa trazer o bendito agrado. Crescemos e nos decepcionamos ao descobrir que Papai Noel não existe. Trocamos essa mentira por muitas outras, porque elas fazem bem aos ouvidos e nos mantém na linha. Acreditamos em cremes milagrosos, em comerciais de TV, em cursos rápidos e em dinheiro fácil.

Passamos a dar ouvidos às promessas dos políticos e campanhas eleitorais, porque soam sedutoras e sempre trazem aquela esperança de um país melhor. Quando tomamos outra rasteira desses tais comandantes é que nos damos conta de que estamos, na verdade (opa, olha ela aí!), cercados por mentirosos e enganadores. Gente que se aproveita da ingenuidade de quem ainda espera pelo presente no Natal, acredita num rótulo de anti-idade e num mundo melhor, incapaz de enxergar a maldade na conversa atraente dos outros.

Mentir não é um defeito, mas uma escolha. Quem mente, sabe exatamente o que está fazendo, conhece as consequências, mas – por mentir – se julga esperto o suficiente pra achar que não será pego. Subestimam a inteligência dos outros e, inteligência, não se subestima. Ela existe, é real, é lógica pura, não gosta de brincar e ao tentar juntar peças de quebra-cabeças incompletos acaba achando aquela que não encaixa. A imagem construída pelo mentiroso vai pro ralo e ainda estou tentando entender a vantagem de comportamentos assim. 

Recentemente, conversando com amigos sobre este assunto, tentei chegar a uma conclusão. De que a culpa, talvez, fosse mesmo minha, por dar tanto crédito a quem não merece nenhum, nem meu tempo ou meus ouvidos. Mas isso também é mentira. Os sedutores gostam de inverter o jogo e fazer acreditar que o errado é você.

É elegante ser honesto, além de ser gentil com aqueles que nos devotam confiança. Mentir é feio e não aumenta o nariz. Isso é outra história que inventaram pra te manter na linha, porque se mentir aumentasse alguma coisa, certamente alguns homens o fariam com certa constância, sem culpa ou dor no coração. Mentir, verdade seja dita, só diminui a sua credibilidade. 

24 julho 2014

Bem na foto, mas ruim no conceito

Seja honesto: você tira conclusões sobre a personalidade de alguém baseado na foto de perfil que uma pessoa exibe em sites de relacionamento ou redes sociais, como o Facebook, por exemplo?

Não temos ideia, mas o poder de uma foto – bem escolhida – é imenso. O problema é que essa ideia pode ser completamente errada, não pela beleza, mas pela personalidade que uma foto pode transmitir. Por trás daquele sorriso maroto e olhar sedutor pode existir um ogro boçal e você nem sabia.

Pesquisadores da Universidade Princeton, nos Estados Unidos, chegaram à conclusão de que as fotos de perfil são mentirosas e podem ser facilmente mal interpretadas por quem as vê. Ou seja, somos literalmente seduzidos pelas imagens e, pequenos ajustes feitos nas fotografias, como provou o estudo em retratos tirados com uma luz diferente, fazem com que tenhamos uma outra opinião sobre a mesma pessoa, como se ela fosse uma segunda, completamente diferente.  

Os critérios analisados pelos psicólogos foram baseados em traços de personalidade, como atratividade, competência, criatividade, astúcia, extroversão, mesquinhez, confiabilidade e inteligência. A pesquisa mostrou, ainda, que esse julgamento não demora muito pra ser feito e pode levar segundos, por isso – não raramente – ficamos surpresos ao conhecer a fundo alguém que saiu do mundo virtual.

É o que dizem: a gente não tem uma segunda chance pra causar uma boa primeira impressão. Mas fazer com que ela seja mentirosa também não vai te render likes no final das contas. Sair bem na foto não é o bastante. Prefira retratar quem você realmente é ao invés de fingir ser o bom moço (ou a boa moça) que qualquer um gostaria de apresentar pra família. 

18 julho 2014

Tal pai, tal filho

Quer saber o que alguém se tornará? Ouça suas histórias de família. Pode ser a coisa mais clichê do mundo, mas nos tornamos exatamente como nossos pais. Não porque crescemos ouvindo lições de moral, broncas, frases prontas, etc e tal. Mas porque temos neles exemplos a serem seguidos.

E a maior verdade é: ninguém aprende com sermão, mas com exemplo. É o típico “faça o que eu faço e não o que eu digo”. Crianças não vão comer verduras só porque você diz à elas que faz bem, enquanto você devora um salgadinho gorduroso. Elas não vão estudar só porque você insiste que não terão um futuro adequado caso não o fizerem, enquanto você passa o dia sentado na frente da TV. E nem tratarão bem a própria faxineira, caso você desrespeite o garçom no restaurante.

As influências que tivemos na infância seguem com a gente pro resto da vida e são elas que moldarão a nossa personalidade no futuro. Óbvio? Não pra muitos. Conheci muita gente que torcia o nariz pro comportamento dos pais, mas sem perceber agiam exatamente como eles. Tornaram-se adultos grosseiros, mentirosos, acomodados ou traidores, da mesma forma que aqueles que foram educados com base no respeito e amor, passaram isso adiante, sem que precisassem fazer esforço algum.

Se quisermos adultos melhores no mundo, precisamos ser melhores também. Esquecer as frases de autoajuda, deixar as falas bonitas e sedutoras de lado e agir como alguém que mereça ser um exemplo a ser copiado. 

19 junho 2014

Amigos… ? Não, obrigada!



O relacionamento termina e surge um dos maiores clichês de todos os temos: “Podemos ser amigos”. Não importa se você é um zé-ninguém ou uma celebridade, se terminou por SMS ou teve a consideração de fazer isso pessoalmente, temos essa ideia cultural de que términos de relacionamentos tem que ser amigáveis. Quase sempre se presume que o melhor jeito de se colocar um ponto final no namoro é continuar o convívio numa amizade feliz, onde ambas as partes, contentes, conseguem conversar sobre coisas corriqueiras, como se nada tivesse acontecido.

Mas será que essa fantasia alguma vez deu certo? Será que é inteligente seguir por este caminho? Será que dá mesmo pra ser amigo de alguém com quem você namorou, mesmo que essa pessoa te conheça melhor do que ninguém? Será que todos os romances, até os mais rápidos, devem mesmo terminar numa amizade?

De acordo com o site Psychology Today, a resposta pra todas essas perguntas é, muitas vezes, um sonoro não! É claro que, às vezes, isso pode acontecer, mas vai levar um tempo. Há 6 coisas que todo mundo que termina um relacionamento pensando em continuar com a amizade deve ter em mente quando cogitar essa ideia. “Vamos ser amigos” pode não ser a melhor opção.

1. Um dos dois quer realmente a amizade, enquanto o outro só está usando este argumento pro fim do relacionamento e não quer ser amigo coisa nenhuma – Quando este é o caso, a dor do rompimento é prorrogada, porque você acaba se convencendo de que ele ou ela quer realmente ser amigo, enquanto seu ex só encontrou uma boa desculpa pra se esquivar. Este empurra-empurra é pior do que o término do relacionamento e pode durar semanas ou meses. Diga não e pronto.

2. Vocês não eram amigos antes – Relacionamentos amorosos que vão esfriando porque vocês não tinham nada além de atração não vão esquentar quando o sexo sair de cena. Não se iluda: há alguma amizade aí que merece realmente ser salva? A não ser que vocês queiram uma amizade colorida, sem nenhum comprometimento, quem sabe. Por favor, deixe um comentário aí embaixo se isso funcionou pra você, porque seria o primeiro.

3. Há ausência de respeito mútuo – Talvez seu relacionamento não tenha sido baseado em respeito, ou talvez entre os gritos e o silêncio do término, o respeito que você gostava tenha ido pelo ralo. Independente do motivo, como você magicamente reconstrói o respeito, ou até finge que há respeito numa amizade platônica? E por que você gostaria de passar por isso?

4. Houve abuso emocional (ou outros) durante o relacionamento – O critério mais básico pra embarcar em qualquer amizade, mesmo quando o romance ou o sexo estão completamente fora da equação, é a capacidade de acreditar que vocês não vão se machucar deliberadamente. Quando o que teve foi um relacionamento abusivo, não dá pra acreditar que aquela pessoa irá começar a te tratar bem só porque vocês se tornaram amigos. Na verdade, esta é uma situação bem perigosa, porque quem abusou irá continuar com a mesma postura, porque gosta de estar no controle e machucar. Neste caso, o melhor a fazer é procurar ajuda profissional se você tiver dificuldade em lidar com a partida.

5. Você ou a pessoa serão extremamente ciumentos ou possessivos quando o outro começar a sair com alguém – Esta é a realidade do porquê amizades saudáveis depois de um rompimento são geralmente difíceis de acontecer, por pelo menos uns bons meses. Você ficaria bem ao saber que o cara que achava ser o amor da sua vida está apaixonado por outra? Por que se colocar numa situação dessas? E quão confortável você se sentiria ao esconder um relacionamento que tá começando só pra não machucar seu ex? Talvez, na hora certa, essa amizade possa acontecer. Mas não imediatamente. O que nos leva...

6. Você ainda não deu ao seu relacionamento tempo e espaço pra morrer naturalmente – Mesmo que você sinta que deve dar uma chance à amizade, porque eram amigos antes e terminou o relacionamento porque acreditou que a amizade seria melhor, você ainda precisa de um pouco de tempo e espaço pra se recompor. Do contrário sua amizade será construída em cima de um relacionamento falido e os sentimentos que ainda tem e que estarão aí logo após as primeiras semanas do término não criam a base mais estável pra uma amizade. Você precisa voltar a ser quem era, como indivíduo, e não como uma das metades de um casal, antes de poder decidir se uma conexão platônica é bom pra você.

18 junho 2014

Não aprendemos nada com os japoneses

Os japoneses surtariam na Vila Madalena
Já vai fazer uma semana que a Copa do Mundo do Brasil começou. Faz uma semana que estamos convivendo com gringos, pra cima e pra baixo, dividindo não só a calçada com eles, mas também um pouco da cultura. Não tem como dizer que não. Eles trazem a bagagem deles e nós ofertamos as nossas boas-vindas.

Mostramos pros estrangeiros, logo de cara, que sabíamos torcer e empurrar um time em campo. Provamos pra eles que somos mesmos muito receptivos e calorosos com nossos visitantes. Que gostamos de ensiná-los a sambar, vide J-Lo, mas que também gostamos de aprender com eles. Pena que a lição oferecida pelos visitantes é logo esquecida.

No último final de semana, ficamos boquiabertos quando japoneses viraram notícia ao recolher o próprio lixo num estádio depois do jogo. O link foi compartilhado mais do que o pão na Santa Ceia pelas redes sociais. Todo mundo se referiu aos japoneses como exemplo de civilidade, um povo superior, digno de ser copiado. Alguns, mais do contra, se perguntaram o motivo de tanto fuzuê pra uma coisa tão básica e óbvia: recolher o próprio lixo. É como apagar as luzes depois de sair do quarto, fechar a torneira enquanto se escova os dentes. Bá-si-co!

Pois bem, a prova de que realmente não tínhamos aprendido nada com os japoneses veio hoje, um dia depois do segundo jogo do Brasil. A Vila Madalena, em São Paulo, virou o ponto-de-encontro pra quem quer assistir as partidas da Copa longe da bagunça do Anhangabaú. Mesmo não tendo estrutura pra receber nem metade da torcida do Corinthians, antes mesmo do expediente acabar, as ruas ficam tomadas por muita gente. MUITA mesmo. É impossível andar, muito menos dirigir.

O problema é que muita gente junta não faz mutirão de limpeza como ensinaram os japoneses. Multidão brasileira faz o contrário disso: emporcalha mesmo, pensando em bater recorde de sujeira pra entrar no Guinness. Não tem lixeira o suficiente? Guarda na bolsa, leve um saquinho, guarde até encontrar onde jogar fora. Falta de lixeira não é desculpa pra deixar seu lixo por aí.

Hoje, antes das 7 da manhã, uma das principais ruas do bairro estava “enfeitada” com montanhas de garrafas e latas de cerveja, caco de vidro, restos de bandeira e um aroma nada agradável de mijo. Até o  gari não acreditou no que viu, imagina o surto que os japoneses tiveram ao ver a notícia – de um comportamento inverso ao deles – na TV.

Visitantes se preocupam mais com o nosso país do que nós mesmos e isso é vergonhoso. Estamos atrasados na civilidade. De que adianta compartilhar uma notícia exemplar se não estamos interessados em seguir o exemplo dado? Isso é hipocrisia e, infelizmente, estamos mostrando ao mundo que, além de samba, somos bons nisso também.

Depois do que vi (e tive que cheirar) hoje de manhã na rua onde trabalho, vou acreditar menos ainda no que pessoas compartilham em redes sociais. Se tratam animais abandonados com o mesmo descaso que limpam a rua, tenho dó dos bichos. Das pessoas, sinto vergonha mesmo. 

30 maio 2014

Maldito zíper!

Já moro sozinha há um bom tempo e, de lá pra cá, aprendi a me virar muito bem sem a ajuda de ninguém. Pago todas as contas da casa, sei trocar a resistência de chuveiro, o próprio chuveiro, lâmpadas, consertar pequenas infiltrações, instalar aparelhos eletrônicos, costurar, cozinhar umas coisas mais elaboradas e uma lista (quase) sem fim de coisas que duvidei conseguir fazer quando aceitei partir pra essa vida longe da barra da saia da minha mãe. Mulher independente deveria se orgulhar das coisas que faz e daquilo que tem que aprender na marra.

Qualquer uma de nós, que manda na própria vida e na própria casa, aprende – de cara – a driblar os potes de palmitos, lacrados e fechados com senha por um homem com o pênis do tamanho de uma azeitona, que precisa provar na rosca de uma embalagem o quanto é forte.  Tenho essa teoria sobre os potes de palmito, molho de tomate e afins, mesmo sabendo que são fechadas por máquinas – provavelmente, ajustadas por homens.

Enfim, a gente aprende técnicas pra trocar um pneu sozinha, a reconhecer peças do carro pelo nome e a sacar quando o mecânico está apenas enrolando, querendo nos passar a perna com a tal rebimboca da parafuseta.

Nos orgulhamos da nossa independência e deixamos orgulhosas aquelas que queimaram o sutiã em praça pública pelos direitos iguais. O problema é que essa independência toda vai por água abaixo quando é testada em alguns momentos, fazendo você questionar toda a sua força de vontade em se virar sozinha...

Zíper nas costas dos vestidos te diz alguma coisa?

Quem é que nunca quis se jogar da janela quando não conseguiu fechar ou abrir a merda do zíper daquela roupa que gosta tanto? E da pulseira chiquérrima que fica linda no braço quando você, depois de uma guerra mundial com o fecho, consegue ajustá-la no pulso?  

Deus – ou seja lá quem foi que criou os pares – mostra nessas horas que realmente ninguém nasceu pra viver sozinho. Ele colocou toda essa teoria no zíper. Nas costas. Dos vestidos. Que mais amamos.

Praticamente, toda mulher já passou por isso: deixou de usar ou comprar uma roupa que gosta porque ela só pode ser fechada por trás, com a ajuda de um exército, do porteiro ou do vizinho. Como você não pediria o auxílio de nenhum deles, depois de exercícios de alongamentos dignos de deixar até a Madonna de queixo caído, você larga a peça na balcão da loja ou, se for daquelas que acredita piamente que um dia vai conseguir se vestir s-o-z-i-n-h-a e leva a bendita pra casa, esquece-a no fundo do armário, cansada da maratona que se torna vestir uma roupa assim.

Não manjo nada de moda, costura ou coisa do tipo, mas – poxa vida, estilistas – qual o problema com os zíperes que vão do lado, daqueles fáceis de abrir e fechar, que dispensam a ginástica na hora de vestir? Concordo que é super sexy precisar pedir a ajuda dos companheiros pra fechar um zíper que vai da bunda até a nuca, mas isso vai bem nos filmes, nos comerciais de lingerie, sabonete ou cerveja. Na vida real, a coisa é complicada e frustrante.

No final das contas, um simples zíper mal colocado faz a gente repensar a vida, rever conceitos e acabar achando que esse papo de independência é coisa de feminista que veste calça jeans, moletom e camiseta Hering, sem nenhuma vaidade...

25 maio 2014

Do que você abriria mão?

"Minha mãe não gosta de café. Mas faz café há 24 anos todos os dias pro meu pai. Isso é amor. O amor se esconde nos detalhes". E foi esse detalhe que me colocou pra pensar hoje.

Muito prazer, meu nome é Juliana Washington. Trabalho igual retardada, por isso, muitas vezes, me sobra pouco tempo pra cuidar do básico, tipo ir ao supermercado ou me inscrever numa academia, levar uma vida saudável e responder e-mails ou mensagens assim que os recebo. Meu trabalho está em primeiro lugar. Sou a primeira a chegar – mesmo que 2 horas antes do meu expediente – e a última a sair. Gosto do que faço, seja isso o que for. E vou sempre me preocupar em fazer direito, porque a opinião dos outros, neste caso, importa pra mim.

Posso me considerar independente. Moro sozinha, no meu próprio apartamento, decorado – milimetricamente - do jeito que eu gosto. Tenho meu lado preferido da cama, aquele perto da porta. Pago todas as minhas contas em dia, inclusive o valor total das faturas de cartão de crédito, que cobrem boa parte dos supérfluos que consumo todos os meses: roupas, maquiagem, bijus, além de saídas com amigas, ingressos pra shows e almoços fora de casa. Eu não cozinho, não gosto, então, já dá pra imaginar o quão difícil será me ver na cozinha preparando algo pra comer. Seja pizza, macarrão ou um sanduíche.

Adoro rock n’ roll. Não pagode, axé, música latina ou MPB. Rock mesmo. Você nunca irá me encontrar numa apresentação do Victor & Léo ou sorrindo num karaokê. Gosto de música pesada, das antigas, que me fazem lembrar coisas muito bacanas que já vivi. Tenho minhas bandas preferidas e minhas baladas, também. Nelas, tenho alguns conhecidos, que vão me cumprimentar e com quem serei sempre atenciosa. A maioria homem, que já me defendeu de muito engraçadinho.

Odeio falar ao telefone. Bater papo em chats também não está na minha lista de coisas favoritas. Uso os dois meios pra combinar encontros, porque prefiro o pessoalmente, o olho no olho. Amo intensamente. Prefiro o junto ao separado. Acredito em histórias de amor. Gosto de agradar. Ouço mais do que falo, apesar de precisar ser escutada, às vezes, também. Não sou boa em dar conselhos. Choro quando sofro. Não sei jogar. Falo o que sinto, porque nunca sei se terei outra oportunidade. Sou daquelas que dá mais chance do que merecem, antes de desistir de vez.

Gosto de coisas com sabor de chocolate e cheiro de baunilha. Falo o mínimo quando acordo. Tento sempre ver o lado positivo das coisas. Gosto de ajudar. Odeio café e cerveja. Prefiro os drinks com Coca-Cola, mas tenho bebido cada vez menos.

Prefiro seriados a filmes, porque acabo dormindo no meio deles. Mas gosto dos engraçados, porque de séria já basta a vida. Amo livros, biografias pra ser mais específica, e não tenho paciência pra discutir política. Não sou do tipo que senta numa mesa de bar e finge ser a intelectualizada pra chamar a atenção de gente que finge entender bem a situação atual do país. Eu prefiro a verdade, sempre. Mas vou sorrir e concordar com aqueles que dividem a mesma opinião que eu. Não espere mais do que isso...

Gosto de escrever. Uso a internet como ferramenta de pesquisa, sou curiosa com assuntos que me dispertam o interesse, quero saber de tudo. Adoro fotos e seria capaz de passar horas olhando pra elas. Já trabalhei com fofoca, joguei pro alto, não concordava com a invasão, por isso a vida alheia não me interessa. 

Tenho 37 anos e meio e gostaria de ter a minha própria família: crianças pra ensinar o que sei e aprendi e marido pra dividir os lados bom e ruim da vida. 


Já abri mão de muitas das coisas listadas acima ao longo da vida pelos outros. Já fiz o que não gosto só pra agradar. E descobri que poucos são capazes do mesmo por alguém. Não é todo marido que valoriza o café da esposa. Abrir mão de algo que molda aquilo que você é não é pra qualquer um. 

E, você, do que seria capaz de abrir mão por alguém? 

14 maio 2014

Dar pra receber

Tenho ouvido muita reclamação sobre o desequilíbrio nos relacionamentos. Não sei se é coisa de hoje, se é a reinvindicação da vez, mas muita gente tem falado por aí que anda dando mais do que tá recebendo, ou que não tá recebendo nada, ou entregando o que tem pra quem não merece receber.

Dá aquela impressão de que nem sempre a gente recebe o que merece. Acabamos achando que nos dedicamos mais do que os outros e, no final das contas, percebemos que fomos os únicos a colocar o esforço na coisa toda.  Às vezes, é verdade; às vezes, é exagero nosso.

Relações são feitas de trocas. É assim desde a época feudal, quando a economia não era movida a base de moeda e o que prevalecia era o escambo: se um plantava batata e o outro, banana, trocavam-se os alimentos e todo mundo saía ganhando. A gente dá, sim, esperando receber algo de volta. Nem que seja um sorriso ou um “muito obrigado”. Trabalhamos pra receber um salário, emprestamos o ombro pros amigos porque sabemos que eles emprestarão o deles também quando for a nossa vez de chorar, damos carinho, amor, respeito esperando (e merecendo) receber todo o carinho, amor e respeito entregue. Do contrário, tudo não passaria de um baita desperdício.

Quando achamos que trabalhamos mais do nos é pago, procuramos outro emprego, certo? Por que – raios - então, encontramos tantas desculpas pra não fazer o mesmo nas outras relações? Quando estamos sempre disponíveis pros amigos e sozinhos quando precisamos deles, ou damos amor demais pra quem só nos dá dor de cabeça é hora de colocar as coisas na balança e ver se o “salário” tá cobrindo as contas ou te deixando no vermelho no final do mês.

De que vale dar toda a segurança do mundo, garantias e tal, se pra afastar o medo dos outros somos nós que ficamos desprotegidos? A verdade é que você merece receber de volta todo o amor que dá, pago na mesma moeda e sem descontos.  De complicada já basta a economia do país, os relacionamentos não precisam também estar na miséria, né?