18 fevereiro 2015

O conto de fadas da mulher madura

“Cinquenta Tons de Cinza” não é nenhuma obra de arte da literatura. Pelo contrário: segue uma trama pra lá de básica, tem uma linguagem bem manjada, equivalente à leitura indicada pra meninas adolescentes da terceira série. E, mesmo assim, todo mundo – da sua prima teen até a sua avó coroca – confessaram amor à primeira página e terminaram a trilogia em tempo record.

Claro, as cenas de sexo são bastante satisfatórias, mas não suficientes. Então, se a qualidade da escrita não é primordial e não há nada de mais no que foi reproduzido nas telas, por que raios a história de Christian Grey se tornou uma obsessão entre as mulheres?

A ciência explica o motivo (ou 7 razões diferentes) da mulherada molhar a calcinha com tanta sacanagem e o motivo dessa ficção ter se tornado tão popular nas rodinhas femininas.

1. As mulheres nunca conheceram um cara que possui todas as qualidades de Grey – Não importa se você gosta de Christian ou não, não dá pra negar que a combinação de masculinidade e o “não tô nem aí” soa loucamente atrativa. Trata-se de uma mistura de coisas que, geralmente, não estão lá, o que torna tudo mais sedutor. É difícil pra chuchu conhecer alguém que, além de ser completamente devoto aos seus sentimentos, é incrivelmente sensível e super masculino ao mesmo tempo.  

Há uma razão pela qual livros românticos e filmes do gênero são escritos sobre este cara – ele não existe na vida real. Os homens do cinema são baseados numa mistura praticamente impossível de qualidades, as mesmas características que as mulheres mais apreciariam encontrar num homem. Por exemplo, no início do relacionamento com Grey, Anastasia nunca questionou os sentimentos dele. Ele sempre deixou claro que a queria. Ele não espera um dia inteiro pra responder as mensagens dela ou planejar um encontro, como estamos acostumadas na vida real. Ele está disponível, aparece do nada, não importa quão ocupado esteja. E é exatamente um exemplar assim que as mulheres gostariam de encontrar dando sopa por aí.

2. O filme revive aquele sentimento que tivemos com o primeiro amor – Christian Grey é o primeiro amor de Anastasia Steele e as mulheres acompanham todo o caminho que percorreram ao se apaixonarem pela primeira vez, da diversão às fortes emoções, quando leem a história da moça tímida, recatada e de valores românticos. “Cinquenta Tons de Cinza” ajudou mulheres que já estão num relacionamento longo ou presas a rotina a reviver esses momentos iniciais do romance, quando se apaixonaram pela primeira vez. Mesmo as solteiras puderam relembrar como é perder o controle com alguém que sente o mesmo por elas. É como se você nunca enjoasse da pessoa e, como você não enjoa da pessoa, jamais enjoará da leitura.

3. A tensão sexual entre Grey e Steele – Chegarei no rala-e-rola, mas antes: as preliminares. Pra muitas mulheres, preliminar é a parte mais excitante do sexo. E, adivinha: ela não é deixada de lado no sucesso de bilheterias. É frustrante, em certos momentos, mas é exatamente isso que deixou a mulherada com a cara colada no livro. Dizem que o melhor da festa é esperar por ela. O livro seduz e leva a um outro mundo, fazendo com que a leitora se veja desejada e sensual, o que é ótimo praquelas que andam se sentindo frustradas sexualmente em suas vidas. Até Anastasia concordaria que a espera é a cereja do bolo.

4. Somos quimicamente fascinadas pelo tópico “amor” – É a sessão mais lida nas revistas femininas. Se você já se apaixonou antes, já deve ter experimentado aquela forte sensação de euforia. Se já se sentiu sem ar, altinha, culpe a neuroquímica. A dopamina (um neurotransmissor associado ao prazer) e a oxitocina (hormônio associado a ligações) são liberados nesses momentos de euforia, quando nos apaixonamos. O que acontece no seu cérebro afeta seu comportamento, mesmo que não tenha conhecimento disso. Filmes e livros românticos captam isso quando focam suas histórias apenas no começo dos relacionamentos, momento em que a dopamina te deixa de ponta-cabeça, deixando qualquer uma vulnerável.

5. É um livro pornô – Há um motivo pelo qual não gostamos de imaginar nossas mães lendo esse maldito livro do capeta: porque todas as mulheres se excitam com ele, ora bolas! O livro (ou o filme) não é apenas uma fuga da realidade, mas também uma escapada sexual. Equivale aos filmes de sacanagem assistidos pelos homens, já que cada lado da moeda tem lá suas preferências.

Sem falar nas reações químicas que acontecem. Não é à toa que as pessoas se excitaram com a leitura e nem é preciso ser visual pra excitar. “Use a sua imaginação” era o que você costumava dizer pros meninos quando era mais novinha e... funcionava!

6. O romance hollywoodiano ideal – Especialmente pra quem tende a misturar aquela linha embaçada entre a fantasia e a vida real, este romance faz com que a mulherada compre a história do “relacionamento perfeito” ou do “homem ideal”. Eles usam Anastasia, uma personagem bem comum e imperfeita, pra perpetuar essa ideia tradicional de que as mulheres procuram um cara perfeito, que no fundo nem precisa ser lá tão perfeito assim, mas que só se sentirão completas quando encontra-lo.

É uma baita armadilha: elas começam a se comparar com a personagem e a comparar seu relacionamento com o dos personagens do livro/filme. Apesar de ser misógino e irrealista, acabam presas a um ideal romantizado. A Cinderela da vida adulta é amarrada na cama, toma uns tapas e vira padrão de romance.

7. Toca nas frustrações de estar no controle e se deixar levar – “Cinquenta Tons de Cinza” é apelativo pras mulheres que se encontram numa posição em que acreditam ter controle de tudo. Elas precisam preencher vários papeis na vida real, mas lá no fundo gostariam que os homens tomassem conta. Talvez, a la Christian Grey, quem sabe? O livro acessa essas vontades paradoxais de querer estar no controle e de ser controlada. E quando visto pelo ângulo BDSM o negócio pega fogo, não há mulher que não se renda. A ideia e a luta do controle é evidente em todo o filme e coloca todo mundo pra refletir sobre a vida e os desejos. Christian Grey satisfaz as vontades de Anastasia e a deixa perder o controle, que é um desejo de muitas mulheres que gostam de estar no comando o tempo todo.

Como tantos milhares de expectadores fui ao cinema assistir "Cinquenta Tons de Cinza" na noite de ontem. Nunca li o livro e talvez por isso não tenha criado tantas expectativas. Mas não dá pra negar que o sucesso de público tem suas explicações: ou tem muita gente curiosa a fim de apimentar a relação ou frustradas com o mais ou menos de todos os dias. Seja lá qual for a sua opinião sobre a história, é bom saber em qual time está jogando ultimamente...  

02 dezembro 2014

Conselhos de vó

Regina Brett ficou conhecida como uma velhinha de 90 anos que dá lições de vida que valem ouro. O problema é que quando alguém procura uma foto da vovozinha no Google, se espanta com a aparência jovem. A verdade é que ela ainda nem chegou aos 60. Mas, quando descobriu – aos 45 anos – que estava com câncer de mama, resolveu sentar e escrever 45 conselhos que se espalharam rapidamente na internet. No fundo, não importa a idade dessa senhora, mas sim os chacoalhões que nos fazem acordar pra vida, seja qual for a sua idade.

1. A vida não é justa, mas ainda assim é boa.
2. Quando estiver em dúvida, dê o próximo passo, mas ande devagar.
3. A vida é muito curta pra perder tempo odiando os outros.
4. Não se leve tão a sério. Ninguém vai leva-lo tão a sério assim.
5. Pague a fatura de seu cartão de crédito todos os meses.
6. Você não precisa vencer todas as discussões. Concorde em discordar.
7. Chorar com alguém ajuda mais do que chorar sozinho.
8. Quando o assunto é chocolate, resistir é perda de tempo.
9. Fique em paz com seu passado pra que ele não bagunce o seu presente.
10. É OK deixar que seus filhos o vejam chorar.
11. Não compare a sua vida com a vida dos outros. Você não tem ideia das lutas pelas quais estão passando.
12. Você não deve entrar em relacionamentos que precisam ser mantidos em segredo.
13. A vida é muito curta pra se lamentar. Ocupe-se vivendo.
14. Você consegue superar qualquer coisa se viver um dia de cada vez.
15. Um escritor escreve. Se quiser ser um escritor, escreva.
16. Nunca é tarde pra se ter uma infância feliz. Mas a segunda depende de você e de mais ninguém.
17. Quando o assunto é ir atrás do que você ama na vida, não aceite “não” como resposta.
18. Queime velas, use os melhores lençóis, vista a lingerie mais sexy. Não guarde isso pra ocasiões especiais. Hoje é um dia especial.
19. Esteja sempre preparado, mas siga o fluxo.
20. Seja excêntrico agora. Não espere até envelhecer pra usar roxo.
21. O órgão sexual mais importante é o cérebro.
22. Ninguém é responsável pela sua felicidade, a não ser você mesmo.
23. Lembre-se das seguintes palavras quando as coisas estiverem ruins: “Isso vai ter alguma importância em 5 anos?”.
24. Perdoe tudo e todos.
25. O que as pessoas pensam sobre você não é da sua conta.
26. O tempo cura quase tudo. Dê tempo ao tempo.
27. Não importa se a situação é boa ou ruim, ela irá mudar.
28. Seu emprego não irá cuidar de você quando estiver doente. Seus amigos sim. Mantenha contato.
29. Acredite em milagres.
30. O que não te mata, realmente te fortalece.
31. Envelhecer mata a alternativa de morrer jovem.
32. Seus filhos terão apenas uma infância. Faça com quem seja memorável.
33. Saia de casa todos os dias. Os milagres acontecem lá fora.
34. Se todos nós jogássemos nossos problemas numa pilha e olhássemos pros problemas dos outros, certamente pegaríamos os nossos problemas de volta.
35. Não analise a vida. Faça acontecer.
36. Livre-se de tudo o que não é útil, bonito ou alegre.
37. Tudo o que realmente importa no final é aquilo que você amou.
38. Inveja é perda de tempo. Você já tem tudo o que precisa.
39. O melhor ainda está por vir.
40. Não importa como se sente, levante-se, arrume-se e se mostre.
41. Respire fundo pra acalmar a mente.
42. Se não pedir, não irá receber.
43. Renda-se.
44. Guarde dinheiro pra sua aposentadoria e comece com seu primeiro pagamento.
45. A vida não vem embrulhada com um laço, mas ainda assim é um presente. 

04 novembro 2014

Não vivo sem!


Todo mundo tem aquele (não necessariamente no singular, é lógico) item que não consegue viver sem. Eu, por exemplo, não saio de casa sem lentes de contato, óculos escuro, celular (e o carregador) e minha carteira. Não consigo viver sem livros, internet, lápis e bloco de anotações. Minha família é extremamente essencial e é o tipo de coisa que não se inclui numa lista. Mas, além desses objetos necessários pra sobrevivência – ou pelo menos pra chegar viva até o fim do dia – sempre tem aquelas outras coisinhas que, ao longo da vida, descobrimos e não conseguimos mais imaginar a nossa existência sem.

Se eu tivesse que levar alguns objetos pra uma ilha deserta, estes 5 teriam que estar na mala:

1. Starbucks Vanilla Latte – todo mundo que me conhece já percebeu meu vício em Starbucks e é óbvio que eu não conseguiria passar uma semana sem a minha bebida preferida. Bebo tanto que, na loja que mais frequento, não preciso fazer meu pedido ou dizer meu nome: quando paro no balcão eles me perguntam: “O de sempre, Juliana?”.

2. Dry shampoo – lavo meu cabelo todo santo dia, apesar de saber que isso não é recomendado. Mas eu não gosto daquela sensação ensebada, sabe? Por isso, essa invenção é um item que não sai da minha bolsa. Costumo carregar a versão pra viagem e, se achar que no fim do dia meu cabelo não tá legal: spray nele!

3. Tangle Teezer – sou do tipo de pessoa que só penteia o cabelo quando sai do banho e não tenho um bilhão de escovas. Mas essa coisa aí tem feito com que escove os cabelos com mais frequência, porque parece massagem. É caro, confesso, mas valeu o investimento.

4. BB Cream – não importa a marca, já experimentei algumas, e posso dizer que essa invenção também caiu do céu. Tenho um monte de manchinhas no rosto e ele cobre tudo sem deixar pesado.

5. Seu Horóscopo Pessoal – ganhei este livro do Joseph Polansky de presente no meu aniversário do ano passado e, desde então, consulto mensalmente as previsões. E elas acontecem, exatamente quando e como estavam previstas. Anoto as mais importantes na agenda e sigo ao longo do ano, algumas pra tomar certas decisões. Deu tão certo que, este ano, vou comprar a edição de 2015. Recomendo, viu!

07 outubro 2014

O direito a opinião

No fim da tarde de ontem, deixei um comentário num post publicado pela candidata Dilma, na página do Facebook dela. Não sou politizada e não curto política, mas acompanho há um tempo posts não apenas dela, mas de outros candidatos (diferente de alguns, que preferem se alienar do resto do mundo, sigo sim os concorrentes daqueles que admiro, pois assim posso formar a minha opinião). A candidata estava conclamando as pessoas que melhoraram de vida nos últimos 12 anos, tempo em que o PT está no poder, a se juntar a ela na campanha para o segundo turno das eleições para presidente.

Como minha vida mudou (para pior), fui deixar lá a minha opinião. Afinal, ainda não vivemos numa ditadura e acredito ter liberdade para expressar a minha insatisfação com a atual presidentE, pois pago impostos e moro no país que ela comanda. Pra minha surpresa, a repercussão do meu comentário foi enorme: até o momento, 450 pessoas curtiram e muitas outras que não conheço comentaram. Aqueles que dividem a mesma opinião que a minha foram extremamente educados. Os PTistas, ao contrário, foram agressivos e me encheram de desaforos, ofendendo a mim, minha qualificação profissional e minha jornada de trabalho.

Alguns disseram que meu discurso era vazio. Concordo com todos. Até porque não tenho discurso. Tenho, sim, pouco dinheiro na minha conta bancária e muitos anos de contribuição em impostos. O suficiente pra me deixar insatisfeita com a situação atual do meu país. Não tenho discurso, tenho discernimento, bom senso e opinião.

Em momento algum defendi um partido ou político (apesar de ter os meus), mas defendi a minha insatisfação. Ainda posso discordar com o fato do que o país não estar bem ou preciso pagar uma taxa pra isso? Minha vida e a de muita gente que conheço não melhoraram. Poder comprar um carro em 60 vezes não é sinônimo de melhora. Comprar uma casa em parcelas a perder de vista, não é sair da miséria. Minha ideia de progresso é bem diferente.

Nasci na época da ditadura. Não sou uma menina que vive de mesada. Contribuo com TODOS os impostos, pois se não os pago, sou punida. Meu salário seria excelente, mas parte dele é desviado pra pagar impostos e garantir o Bolsa Família de gente capaz de arrumar emprego, mas que se encosta na sombra de benefícios do governo (por exemplo).

Eu tinha 10 anos quando o movimento das Diretas Já conseguiu garantir a redemocratização, mesmo depois da censura imposta sobre a imprensa e de muitas manifestações políticas pra derrubar João Figueiredo. Eu vi Tancredo Neves ser eleito presidente. E me lembro, também, da felicidade do povo deste país indo às urnas. E vejo, hoje, a mesma esperança nas discussões (sadias) promovidas em redes sociais.

Ofensas me irritam, porque são gratuitas. Campanhas baixas me entristecem (Dilma, por exemplo, dividiu ontem o povo brasileiro entre brancos e negros, num post em seu Twitter pessoal. Um pouco mais tarde, o mesmo post foi deletado). Duas pessoas podem olhar pra mesma coisa e ver coisas totalmente diferentes. Discordar é inteligente. Ofender, assim como concordar com tudo, é ignorância.

Meu voto vale mais que os benefícios oferecidos pelo governo. Ele foi conquistado por políticos que todos nós “devotamos” nos dias de hoje, tanto os meus quanto os seus – e isso independe de partido ou no que você acredita. Eu não jogo o meu fora. Assim como não pretendo jogar no lixo o meu direito a opinião. Quero ordem e progresso, não desordem e retrocesso. 

21 setembro 2014

Em quem você coloca a culpa?

Não falo sobre política. Odeio esses debates promovidos nas redes sociais às vésperas das eleições. Não assisto horário político e nem os confrontos entre os candidatos exibidos na TV. Assim como também não converso sobre religião. Pode parecer óbvio evitar estes tipos de assuntos, mas prefiro assim a perder a admiração que ainda tenho por algumas pessoas.

Primeiro, porque quem realmente gosta de discutir política tem a cabeça fechada demais pra aceitar a opinião dos outros e tenta, a todo custo, me convencer de que o ponto de vista dela é o correto. O mesmo sobre as crenças que temos. O que acredito ser bom pra mim não será o mais indicado pra outra pessoa. Temos backgrounds diferentes e isso é saudável. Não há certo ou errado. Não nestes dois casos.


Apesar de achar que o voto deveria ser opcional – acredito cegamente que o resultado das eleições seria bem diferente do que aquele que tivemos até agora – eu já tenho meu candidato. E baseio a minha decisão naquilo que mais se aproxima do que sou. Afinal, alguém teria que me representar.

Porém, o que tenho visto por aí anda me fazendo pensar se o povo desse país tem mesmo (algum) bom senso (sobrando). Não quero defender aqui nenhum candidato, nem o meu, nem o sem. Mas culpar o atual governador pela seca de São Paulo e a falta d’água na cidade acho um pouco exagerado, afinal o coitado não é São Pedro. Não me lembro de nenhum político prometer chuva pra uma cidade desse porte. Pelo menos as promessas ainda não chegaram neste ponto. Mas, e você, playboyzinho, que lava seu carro – pelo menos – uma vez por semana pra impressionar as menininhas, o que tem feito pelas nossas represas? Sua faxineira sabe que não é ecologicamente correto lavar a calçada da sua casa com mangueira? Quando a senhora toma aquele banho demorado, tem consciência de que já estamos usando o volume morto da represa que abastece a nossa cidade e não apenas a sua casa? 

Também acho um pouco demais exibir a imagem de uma polícia despreparada pra lidar com uma população sem limite como se isso fosse culpa de quem a comanda ou dos próprios policiais, que estão cada vez mais brigando pela própria vida do que preocupados em salvar a população de bandidos. A culpa é da sua mãe que não bateu na sua bunda o suficiente quando você era criança e achava bonito desrespeitar as “autoridades” (leia-se a autoridade da sua própria mãe, dos mais velhos, e dos professores que te aturavam na escola).

Acho infantil transferir a culpa, tentar se isentar dela, só pra parecer politizado e consciente. O mundo aonde você mora pode ser comandado por políticos, mas não pertence a eles. Políticos são transitórios, vem e vão.  Existe abuso de autoridade, sim. Assim como talvez não tenha existido um planejamento apropriado do controle da água que sai da sua torneira. Mas culpar uma só pessoa por isso só pra livrar a sua falta de educação e respeito não lhe torna santo.

Não falta consciência política, mas social. E aí (como canta o Titãs há muitoooo tempo), quem quer manter a ordem e quem quer criar desordem?

14 setembro 2014

Sabe por que você ainda tá solteira?

Por acaso, ultimamente, você tem se sentido a última solteirona do planeta? Já apelou pra sites de encontro, deu em cima de homem comprometido, se apresentou pra estranhos na rua na tentativa de arrumar alguém pra chamar de seu? Você tem passado tanto tempo sozinha que já nem se lembra mais como é ter a companhia de alguém bacana, com quem pode dividir seu dia, as alegrias e os problemas?

Relaxa! Deixa o desespero pra outra causa que, ironicamente, você não tá sozinha nessa luta. Suas melhores amigas também estão solteironas, já faz tempo que suas primas não levam ninguém no almoço da família e, se reparar bem, tem tanta gente se divorciando ou reclamando do parceiro que o time dos sozinhos só aumenta a cada dia.

Você não é a única que tem se sentido como se estivesse fora do time. Talvez a sua enorme vontade de arrumar alguém tenha te tirado a visão do mundo que a rodeia hoje em dia. Uma geração inteira divide essa sensação de solidão. Nos Estados Unidos, por exemplo, mais da metade da população tá solteira, contra 37,4% do ano em que nasci (1976). Os jovens de hoje não querem comprar casas ou ter filhos.

Ou seja, sua situação não tá tão feia assim. O problema é que a senhorita olha tanto pro próprio umbigo e insiste em comparar a sua vida com a dos seus pais quando tinham a sua idade que tá aí, à beira do surto.

Da mesma forma como não pode comparar a tecnologia existente hoje, com tantos celulares e velocidades de internet, com a de antigamente, não dá pra comparar a vida dos seus pais com a sua vida social. Atualmente, estamos mais preocupados com o preço do novo iPhone do que com os nossos relacionamentos caindo aos pedaços.

Então, depois dessa mega introdução informativa, aqui vão outros 71 “porquês” que te fazem a solteirona da galáxia: 

1. Porque é muito mais fácil ficar em casa, com a sua Netflix.
2. Porque você acha muito mais fácil escrever 140 caracteres num status a dizer aquelas 3 palavrinhas românticas.
3. Porque você é apenas mais uma farsa.
4. Porque não consegue conversar sem que tenha bebido antes.
5. Porque você tem duas caras: essa que carrega e a outra que exibe no Facebook.
6. Porque tem sempre alguém mais atraente no Instagram.
7. Porque você publica fotos seminuas.
8. Porque você não quer descobrir depois de 3 encontros e $500 que eles não prestam.
9. Porque é mais importante focar na sua carreira agora.
10. Porque você não consegue nem terminar de ler um livro, imagina escrever a própria história de amor.
11. Porque os atendentes de telemarketing não te interessam.
12. Porque ama suas próprias selfies mais do que qualquer outra pessoa.
13. Porque prefere sair com as amigas na sexta-feira à noite.
14. Porque você precisa oficializar seus relacionamentos no Facebook.
15. Porque você nunca vai ser como o casal famoso que tanto admira.
16. Porque não quer admitir que seus pais estão certos.
17. Porque não quer sair com alguém que pode ser o último cara da sua vida.
18. Porque você ainda faz joguinhos.
19. Porque o cara nunca vai parecer o Tom Brady.
20. Porque você não é a Gisele Bündchen.
21. Porque você não quer que alguém descubra que é fã de uma série de TV tosca ou assiste novelas.
22. Porque você fica esperando aparecer alguém melhor.
23. Porque prefere sua cama como está, sem mais ninguém nela.
24. Por causa dos filtros que usa.
25. Porque ninguém te leva pra tomar café-da-manhã.
26. Porque seus encontros tem se resumido a conversas às 2 da manhã pelo Whatsapp.
27. Porque é mais fácil se esconder por trás do monitor.
28. Porque você não tem nem ideia de quem você realmente é.
29. Porque tá desempregada.
30. Porque o mais próximo que esteve de uma autoanálise foi ao preencher o seu “Sobre Você” num site de encontros.
31. Porque você acha estranho sair pra jantar.
32. Porque você não larga seu celular.
33. Porque você não gosta de se comprometer.
34. Porque prefere sexo casual.
35. Porque é orgulhosa.
36. Porque prefere não se comprometer com apenas uma pessoa já que pode ter várias.
37. Porque seus Snapchats estão substituindo conversas reais.
38. Porque sua vida sexual nunca será como a de “50 Tons de Cinza”.
39. Porque usa calça legging.
40. Porque não gosta de se depilar.
41. Porque você não gosta de dividir o banheiro.
42. Porque seu ex não para de ligar e aparecer nas suas redes sociais.
43. Porque nunca tem uma pessoa só.
44. Porque ninguém gosta de assistir os mesmos programas que você.
45. Porque você bebe demais.
46. Porque você valoriza mais o tempo que passa sozinha que aquele acompanhada.
47. Porque você não gosta de ser incomodada com os problemas dos outros.
48. Porque tem muita gente louca por aí.
49. Porque você não consegue amar alguém mais do que ama a si mesma.
50. Porque pedir comida pra dois vai além do seu orçamento.
51. Porque já te magoaram antes.
52. Porque você não gosta de dividir a conta.
53. Porque você não sai de casa.
54. Porque a ideia de conhecer alguém envolve responder e perguntar e você não tem tempo pra isso.
55. Porque é mais difícil ser convidada pra festas sendo um casal.
56. Porque você sabe que um dia pode acabar.
57. Porque você odeia casamentos.
58. Porque você já não tem medo de ficar sozinha.
59. Porque tem sempre alguma coisa sobre ele que você não gosta.
60. Porque não vale a pena apresenta-los pra sua família.
61. Porque você acha que um dia vai acontecer.
62. Porque você não quer alguém fazendo parte dos seus eventos familiares.
63. Porque você tem a si mesma. E em alguns dias nem você mesma se aguenta.
64. Porque você prefere assistir pornô.
65. Porque tem sempre uma bolsa nova pra comprar.
66. Porque ninguém quer usar camisinha.
67. Porque ninguém sabe o que quer.
68. Porque a hora nunca é certa.
69. Porque você visualiza e não responde as mensagens que recebe.
70. Porque assistir seus realities shows favoritos numa roupa velha largada no sofá não é atraente pros outros.
71. Porque temos a vida toda pra nos comprometer.

(post inspirado num artigo de elitedaily.com)

05 setembro 2014

A vida está na mudança

If you want to fly, you must be willing to let go!
Há 6 anos não sabia o que era acordar e ter tempo pra arrumar minha cama. Não tinha mais ideia de como era lavar o cabelo no banho logo cedo e recorria todas as manhãs ao santo dry shampoo. Tinha esquecido como era tomar café sem ter que empurrar o pão com um copo de leite goela abaixo. Há 6 anos não encontrava meus vizinhos no elevador!

A sensação que tenho é a de que estive fora do planeta esse tempo todo, existindo apenas e vivendo muito pouco. Estava tão exausta nas férias que a única coisa que eu conseguia fazer era hibernar como fazem os ursos no inverno. Mal via o sol nascer e nem percebia quando ele se punha.

Chega uma hora em que mudar é a única solução que você pode tentar por você mesmo. Tem momentos na vida em que é preciso saber que um ciclo acabou antes que ele acabe com você. É necessário fechar a porta que já não leva a lugar nenhum antes que seja tarde demais pra perceber que a banda passou e você nem sequer parou pra ouvir.

Mudar não é preciso. É necessário, é vital! Dá medo? Lógico! Você troca o certo pelo desconhecido e todo mundo tem um certo receio do escuro. Mas mudar dá frio na barriga, dá gás, dá vontade de viver de novo.  Mudar é arriscado, mas se não tentar, não saberá o que a vida tanto te reservou.

A zona de conforto é o lugar dos acomodados e dos fracassados. Onde as pessoas não arriscam, não crescem e nem conquistam. Pra ser um vencedor é preciso sair dela. Começar do zero é renascer, dar à vida novas oportunidades.

E não há sensação melhor do que acordar com calma, arrumar a cama, tomar aquele café-da-manhã e um bom banho antes de enfiar a cara naquilo que gosta e te dá pilha pra fazer tudo de novo.


(Quem quer aprender a voar, precisa estar disposto a soltar a mão)

13 agosto 2014

Desistir não é uma opção

Já desisti de sair num sábado à noite por causa da preguiça. Já desisti de comer a sobremesa com medo de estragar a dieta. Já desisti de enviar cartas de amor, porque talvez não fosse compreendida. Já desisti de postar assuntos polêmicos pra não causar discórdia. Já desisti de uma briga, porque não valia a energia desperdiçada nas discussões. Já desisti de acordar cedo num final de semana de sol, porque estava cansada demais da semana. Mas, nunca desisti da vida.

Todo mundo conhece alguém que sofre ou já sofreu com a depressão, aquela tristeza profunda que parece não ter fim, nem cura, nem remédio, nem mesmo vontade de sarar. A gente costuma achar que não passa de frescura, mas pelo menos 5% da população mundial tá, nesse momento, sem a menor vontade de sair da cama e, 15 entre 100 deprimidos irão cometer suicídio eventualmente. Depressão é uma doença e o preconceito só atrapalha a busca pela cura. Muitas vezes, por melhores que sejam as intenções dos amigos, só conversas de mesa de bar, desabafos regados a lágrimas e aquele ombro acolhedor, não são suficientes.

Esta semana, Robin Williams chegou ao limite. E você pensando como alguém com tanta fama, dinheiro e realizações poderia se matar, tendo tudo o que muita gente sonha nas mãos. Depressão não escolhe carreira, beleza ou status social. E Robin Willians jogou a toalha, fazendo a depressão vencer mais uma batalha.

É errado achar que o suicídio vai libertar alguém do sofrimento, fazer com que esta pessoa encontre, finalmente, a paz. Ao dar um fim na própria vida, o ator com cara de fofo e feliz mostrou que também era humano. A morte dele não é mais importante só porque todos o conhecem, não porque ele partiu, mas porque ele escolheu deixar o mundo.

Tem gente que acha suicídio um ato de coragem. “Como é que o sujeito teve colhão pra se jogar da ponte, atirar na própria cabeça, se enforcar, tomar uma dose potente de remédios ou se envenenar?”, você se pergunta. Outros acreditam ser o extremo da covardia; afinal, todos nós estamos na vida pra enfrentar problemas, resolvê-los, vencê-los, porque a vida não é fácil com ninguém.

Não consigo compreender tanta e absoluta rejeição a vida, a falta de capacidade de ver o valor em seja lá o que for a ponto de se perder toda a esperança. É uma escolha trágica, e isso deve ficar claro: suicídio, apesar de horrível e desesperador, é uma escolha. Ele não acontece com alguém, não te ataca como uma doença ou um furacão. Robin Williams era genial, mas ele não morreu de depressão, não é isso o que irá aparecer nos laudos da autópsia, porque depressão – sozinha – não mata ninguém, não te sufoca e nem faz seu coração parar. Por mais triste que seja, ele morreu pela escolha que fez. É uma escolha puxar o gatilho, se envenenar, pular da janela, desistir de vez.

Por mais triste que esteja, você não precisa escolher tirar a própria vida, como se ela fosse o presente de Deus (ou seja lá no que acredita) que você não gostou e quer devolver insatisfeito ao remetente em forma de protesto. Suicídio não acaba com o sofrimento, só o transfere pra quem fica por aqui, pro resto da vida deles. A vida existe e todos nós fomos feitos pra vive-la. Não desista da luta, porque esperança não se mata, ela é a última que morre.