03 maio 2011

The bigger, the better


Cidade grande é impessoal. Você anda na rua e, se olhar pra trás, vai reparar que ninguém olha de volta (a não ser, é claro, em raríssimas exceções, dependendo do interesse). Ninguém tá nem aí pra você, pra roupa que você usa, pro que você fez ou faz, se você tá bem ou à beira da morte.

Você é só mais um. E, no fundo, acho isso ótimo! O bom de morar numa cidade assim é saber que, mesmo tendo gente próxima o tempo todo, todo mundo é ocupado o bastante pra cuidar da sua PRÓPRIA vida. É tanta coisa pra fazer, tanta opção pra ocupar o tempo livre que sobra pouco espaço pra meter o bedelho na vida alheia.

É uma beleza poder fazer o que dá na telha sem correr o risco de ter uma comissão à lá jurados xinfrins do Show de Calouros do Silvio Santos analisando cada passo que você dá, torcendo o nariz pra cada "merda" que você faz ou dando nota pra cada dia em que você realmente vive. Não que eu ligue pro que vão pensar, achar ou dizer, mas que isso enche o saco...

Pra mim, qualidade de vida é isso. Troco a calmaria da cidade do interior, a brisa do mar e todas as outras "vantagens" (até porque vantagem é coisa de ponto de vista) dessas cidadezinhas pequenas, pelo anonimato da metrópole.

04 abril 2011

Profissão do futuro

Sua mãe passa a vida te ensinando valores. A cruzar as pernas quando sentar. A prestar atenção ao comprimento da saia. A usar os bons modos... Diz que é importante cuidar do corpo, se dar valor. Ensina que homem que presta gosta de mulher difícil. Daí você cresce, acreditando que tudo o que ela disse era verdade. Vai pra faculdade, estuda, estuda, estuda... Aprende a falar outras línguas. Se forma. Arruma um emprego meia boca que te faz trabalhar horas pra ganhar um salário que nem chega ao final do mês. Depois de passar a vida assim, como boa moça de família, você descobre que - ao ligar a TV - toda essa postura de santa não vai te levar a lugar nenhum. A moda agora é ser puta! Agora são elas, as putas, que lançam livros. São as mulheres de vida fácil que faturam milhões no cinema num filme que conta a vida delas. São elas quem desbancam os outros nos reality shows e fazem você pensar: se nada der certo nessa vida, não vou virar hippie... mas puta! Não sou preconceituosa. E quem sou eu pra julgar o que elas fazem... Mas, péra aí: tem algo errado nessa sociedade. Com tanta variedade de cursos universitários preocupados em capacitar as pessoas pro mercado de trabalho, tanto MBA, pós, cursos, com tantas opções pra se ganhar dinheiro usando a cabeça, por que cargas d'água ser puta tá tão em alta? A mulher demorou tanto pra conquistar um espaço de respeito nesse mundo disputado e machista que, sinceramente, sinto que estamos regredindo. Às vezes, sinto vergonha por ser mulher. E das direitas. Sim, porque somos nós, as certinhas, que sofremos com tanta libertinagem. O mundo resolveu generalizar e tratar a maioria da mesma forma como trata essa minoria que oferece o corpo pra ganhar dinheiro. Puta não deveria ser profissão do futuro. Mas de um passado bem remoto. Quando a mulher não precisava usar a cabeça, mas só seu poder de sedução. Eu cobro, e caro... Mas é pra pensar. O corpinho aqui é de graça, mas pra poucos. Já a cabeça e o respeito próprio, esses dois, não têm preço.

22 março 2011

Até quando?



Já reparou que - cada vez mais - vivemos a vida, o hoje, com a certeza de que amanhã estaremos aqui de novo? Só que não é bem assim. Não dá pra saber quando vai ser o último hoje da nossa vida. Quando "amanhã" não vai chegar. Ou mesmo quanto o próximo segundo será generoso o bastante pra te deixar vivo.

Planejar. Agendar. Programar. Fazer tudo com antecedência pensando na velhice é, talvez, a maior perda de tempo. Pode ser prudente, mas enquanto se planeja o futuro, agenda coisas pra serem feitas lá na frente, se planeja o que se quer da velhice, deixamos de viver o agora. E ele não volta. Nunca.

Chega a ser irônico o quanto a morte nos faz pensar na vida. O tempo todo a vida dá sinais de que é boa, de que vale a pena, mas é a morte, o fim de tudo, que nos faz acordar pra aproveitar o que ainda nos resta. Infelizmente, alguém precisa partir pra ensinar os outros a viver melhor. Ou, simplesmente, viver.

Quando alguém se vai, muitas vezes achamos que a vida não é justa. Ou até que Deus não o é. Na verdade, não é nada disso. Complicamos as coisas simples, deixando de aproveitar o que temos aqui. Vivemos o tempo que devemos viver e ensinamos as lições que precisamos ensinar, sem saber até quando nossa missão vai durar. Aliás, nem sabemos qual ela é. Resta aos outros decifrá-la no dia em que partirmos. Esquecemos que as pessoas são empréstimos de Deus e que a vida é justa, sim. Pois tivemos a sorte de tê-las, em algum momento, mesmo que ele não seja tão longo, por perto.

Aceitar a perda pode ser doloroso. Mas a lição que ela nos deixa vale uma vida inteira.


(Post dedicado ao Rodrigo Coelho)

04 março 2011

Na minha época



Vi o McDonald's chegar ao Brasil. Joguei Enduro e Pac Man no Atari. Bebi muita Coca-Cola na garrafa de vidro. Pulei amarelinha na rua, desenhada com pedaços de tijolo, até anoitecer. Criava cadernos de perguntas e dava pros meus amigos responder e assinar. Tive caderno de caligrafia. Decorei a tabuada. E comemorei meus aniversários com brigadeiro feito em casa e bala de coco enrolada no papel de seda colorido.

Não desmereço a modernidade e muito menos a tecnologia. Afinal, seria contraditório demais negar sua importância enquanto atualizo um blog na internet. Mas acho que certas coisas perderam um pouco o valor com tantos avanços feitos.

Sou da geração que viveu esta transição. Fiz pesquisas dos trabalhos da escola nas Barsas da biblioteca e escrevia resumos em papel almaço. Hoje, não dispenso o Google, apesar de ter vivido muito tempo sem ele. E sobreviver. Por isso, sei que existe vida sem tanta modernidade.

Naquela época, o mundo tinha fronteiras e, talvez por este motivo, as coisas pareciam mais fáceis. Bem mais tranquilas. Batedores de carteira eram criminosos perigosos. E assistir à primeira guerra televisionada era o auge da globalização. Só não sabíamos que isso chegaria tão longe, tão rápido.

Eu sou do tempo em que as pessoas se conheciam nas vida real. Não existia Orkut, Facebook ou Twitter. As fofocas eram passadas de boca em boca e os scraps chegavam em forma de envelope, pelo Correio. Aliás, sou da época em que o Correio só servia pra mandar cartas e não pra pagar contas ou comprar Telesena.

Sou do tempo em que os mais novos respeitavam os mais velhos. Que a música que se aprendia na escola era o Hino Nacional. Sou da época em que se plantava feijão no algodão, porque celular eram coisas pros adultos. Andava de bicicleta na rua sem correr o risco de ser atropelada, descia ladeira de carrinho de rolimã, pulava com Pogobol.

As meninas pintavam o cabelo com papel crepom e não alisavam os fios com tanta química. Elas comemoravam as festas de 15 anos como festas de 15 anos, e não eventos sociais que custam o preço de uma casa. E ainda levavam ovadas na saída da escola. As fotos eram tiradas para recordar um momento e não para serem colocadas por aí. Crianças colecionavam geleca e não bichinhos virtuais. O bom era jogar bola na rua e não wii trancado dentro de casa. Plutão ainda era um planeta, as provas tinham cheiro de álcool do mimeógrafo. O pãozinho francês custava só R$0,10, a brincadeira do copo dava medo e o "peraí, mãe" era pra não sair da rua e não do computador.


Os tempos mudaram. E vão continuar mudando. Mas seria muito positivo se fosse tudo positivo. Não vejo as pessoas sabendo usar tanta tecnologia e modernidade com sabedoria. O que me faz sentir, cada vez mais, saudade da época em que eu ainda era uma criança.

03 março 2011

O outro lado do post anterior


Tá, vai... Confesso. Morar sozinha não é ruim. Se bem que depois do post anterior, duvido que muita gente se animaria a começar essa jornada tão incerta. Mas, tenho que admitir: morar sozinha é do caralh*!

Toda vez que tenho pesadelos, nesses sonhos tô dividindo uma casa - geralmente a minha mesmo - com minha mãe e irmão. Apesar de amá-los demais, de serem minha família, não me imagino morando com eles novamente. Aprendi a gostar de ter o meu espaço, de mandar nele e perder isso é tortura até em sonho. Poder fazer o que quero, na hora que me agrada e do jeito que me faz feliz é a melhor coisa do mundo!

Já faz tempo que não preciso comer todas as verduras que minha mãe escolhia pro jantar... Odeio legumes e essas coisas verdes. Mesmo sentindo falta do arroz e do feijão que ela fazia com tanto amor, posso me entupir de Doritos e Coca Cola quando chego em casa cansada do trabalho, sem paciência pra cozinhar, e não engolir aquele monte de mato só porque era o cardápio do dia.

Aonde você deixa a toalha depois do banho? Morando com os pais, a toalha fica aonde sua mãe quer. Não naquele lugar em que você esqueceu ou que prefere deixar. É lógico que, se você sair de casa e deixá-la largada, quando voltar pode encontrá-la no meio da sala, arrastada pelos fungos ou no mesmo lugar onde deixou, já que ninguém vai pendurá-la pra secar. A vantagem é não ter que ouvir groselha só porque a toalha não estava aonde "deveria" estar, segundo o Imaginário Decreto Mundial do Lugar para Pendurar Toalhas.

Não existe nada melhor do que poder comer no cômodo que mais te agrada. Confesso que, às vezes (mas bem às vezes mesmo), é ruim não ter com quem dividir a mesa do jantar. Mas comer em frente à TV, sem ter que socializar enquanto assiste o programa que mais gosta é impagável. Aliás, quem manda no controle remoto aí na sua casa? Eu tenho 5 e mando em todos eles. No volume, na programação e no lugar onde eu acho que devem ficar.

Já acordou atrasado pro trabalho e quando voltou pra casa depois de um dia do cão ouviu aquele esporro interminável por não ter arrumado a cama? Nem precisa tanto... Já acordou sem o menor saco pra arrumar a cama? Meu quarto, meu armário, minha mesa de trabalho e a pia da cozinha ficam do jeito que eu quero.

Não existe nada melhor do que sair e não precisar ligar pra casa pra avisar que vai chegar um pouco mais tarde, seja lá o motivo que for. Aliás, é constrangedor estar no meio de uma "situação" e parar tudo pra ligar e avisar que não vai dormir em casa. Eu poderia até ligar, mas não tenho nem secretária eletrônica pra pegar o recado. Saio e chego na hora em que eu bem entender e posso trazer pra casa quem me der na telha.

Quando vou ao supermercado, posso parecer - ao mesmo tempo - uma criança de 5 anos enchendo o carrinho de Danoninho, ou um homem de 30 comprando cerveja pro churrasco da vida dele. Optar por miojo no lugar das verduras, comida congelada pra forrar o freezer, latas e latas de leite condensado e muito refrigerante faz a vida de quem não divide nada com ninguém parecer uma festa sem fim. Sim, morar sozinho pode não ser nada saudável, pode ser ainda um pouco solitário e, às vezes, estressante, mas quem manda no seu pedaço é você. E todas as vantagens fazem do post anterior bons conselhos, mas desse aqui a melhor decisão da sua vida!

26 fevereiro 2011

A arte de morar sozinha

Morar sozinho não é pra qualquer um. Apesar de muita gente sonhar com o dia em que vai sair da barra da saia da mamãe, levar isso adiante são outros 500. Aliás, bem mais que R$500! Tem que ser guerreiro, faxineiro, cozinheiro, motorista, administrador, encanador, eletricista e... dos bons!

Muita gente me procura quando pensa no assunto, afinal já tô no ramo dos "solitários" há mais de 10 anos! Conselhos, dicas, toques, histórias... Tenho pra dar e vender. Aliás, quem mora sozinho raramente dá alguma coisa, porque sabe o custo que as coisas passam a ter e a diferença que qualquer uma delas pode fazer no orçamento. Mas, divido as minhas experiências com os interessados. Encorajo os bravos e torço pra que consigam chegar ao final da guerra sãos e salvos.

O que acho mais engraçado nisso tudo é ver nego que - morando com os pais - não consegue chegar no final do mês com o saldo positivo na conta pensando em sair de casa. Posso não ser forte o suficiente pra tocar o pneu do meu carro, mas sou esperta o bastante pra ter uma grana guardada pra emergências como essas. E, com o tempo, aprendi a me virar melhor do que esse pessoal que acha que preparar o próprio miojo é o ápice da independência: mesmo tendo o telefone de encanadores e eletricistas, sei trocar chuveiro e as lâmpadas queimadas sem fazer disso o drama da minha vida.

Morar sozinha é abrir mão, muitas vezes, da viagem com os amigos num final de semana prolongado, um jantar num restaurante mais bacaninha perto do fim do mês ou daquele vestido lindo que tanto queria pra poder dar conta... das contas! E mandar nego se foder quando achar isso ruim, porque só você sabe o preço que a independência tem.

Enquanto você tá na casa do papai e da mamãe nem imagina como o pacote da sua bolacha preferida chegou à despensa da cozinha e nem o custo que isso teve. Nem imagina quanto do salário dos seus pais é gasto com o papel higiênico que limpa a sua bunda ou com o sambão em pó que deixa a sua roupa cheirosa. Porque a sua maior preocupação é torrar toda a sua mesada na balada da moda.

Pra morar sozinho é preciso ser meio Chuck Norris. E isso, acredite, não é exagero. É muito bom chegar em casa e não ter que dar satisfação da hora, de onde ou com quem estava. Mas isso tem seu preço: também não tem com quem dividir o condomínio, o aluguel (pros que não tem a sorte que tenho de já ter a minha casa própria), a luz, a água, o telefone, o celular, o supermercado, a farmácia, o plano de saúde e todos os gastos que dão custo à sua independência. Que não são poucos e nem baratos. Ser independente não é ter seu carro e conseguir pagar o seguro e a gasolina. Querido, ser independente é conseguir bancar isso... também!

Seus passeios são trocados por faxinas. O horário da novela ou do filme que tanto queria assistir passa a ser o único momento que tem pra cozinhar depois de um dia cansativo no trabalho. A voltinha no shopping com as amigas são susbtituídas por idas ao supermercado. E o happy hour... pela reunião de condomínio.

Sair da casa dos pais é como ir pra guerra. Poucos sobrevivem. Outros voltam mais cedo da batalha pro ninho de onde saíram antes mesmo do primeiro confronto terminar. Tem quem, como eu, encara as lutas (diárias) sem desistir no meio do caminho. Pra esses, o meu respeito. Vá até a sua geladeira, pegue aquela cerveja que você comprou sem a ajuda da mamãe e... brindemos!

25 fevereiro 2011

Então, tchau!


É muito estranho quando alguma coisa acaba ou não dá certo. Eu, pelo menos, me revolto um pouco. Insisto até o meu limite pra que isso não aconteça. Tento, dou chance, tento mais um pouco... Mas custa admitir que acabou. Fico sempre perguntando o "porquê", penso se fiz algo de errado, se poderia ter sido diferente, se seria diferente... Levo um tempo pra digerir. Insisto tanto que esqueço de aceitar o fim.
Muitas vezes, chego a achar que não é justo. Que Deus tá me sacaneando, me testanto, vendo qual é o meu limite, pra ver se eu aguento mesmo o tranco. Chego a achar que Ele não joga no meu time. Que não gosta de mim... Mas quando passa essa revolta vejo que, no fundo, o cara lá me ama e é meu fã. Quer que as coisas dêem certo na minha vida. Torce pra que eu seja feliz. Extremamente feliz, aliás, porque sabe que não me contento com pouco. Quer que eu encontre pessoas que realmente apreciam a minha presença, que valorizam o que sou e que gostam de mim. Que não mediriam esforços pra me agradar e mostar o quanto sou importante. Quer, ainda, que eu tenha as melhores oportunidades e que aprenda todas as lições que tem pra me ensinar. Nem que, no meio da aula, eu tenha que penar um pouco...
Quando alguma coisa não dá certo na nossa vida a tendência que temos é achar que não temos sorte, diferentemente dos outros. Quando, na verdade, somos as pessoas mais sortudas do mundo. Se algo não dá certo é porque outras tantas coisas boas estão por vir. E precisamos estar com o caminho limpo pra poder recebê-las ou mesmo perceber que elas existem. Deus não nos tira algo sem que dê um presente melhor logo em seguida.
Tudo bem que, muitas vezes, o jeito que Ele tem de ensinar é duro e machuca. Mas se fosse diferente, jamais aprenderíamos a lição. Cada coisa que Ele tira do nosso caminho, cada pessoa que Ele leva embora, na verdade, nunca mereceu estar lá. Não era mesmo pra dar certo, mas sim mostrar que o que vem pela frente é muito melhor. Resta saber entender isso, aceitar e estar pronto pro que nos está reservado. Perder tempo com quem não vale a pena, com coisas que roubam a nossa energia, só atrasa a vida e empata a chance de começar e investir naqueles e naquilo que vai nos fazer felizes de verdade.

12 fevereiro 2011

A louca


Dizem que de médico e louco todo mundo tem um pouco. Seria bom se essa medida fosse balanceada, meio a meio. Ser 100% sano nem deve ser saudável. Isso deve levar à loucura. Mas tem gente que exagera no lado esquizofrênico dessa teoria. E é louco ao quadrado.

Somado à isso tem quem tenha pouco amor próprio. Ou aqueles que não têm a menor idéia do que seja isso. Junta com a loucura, use a sua imaginação e conclua quão louco certos seres humanos podem ser.

Gente normal, como eu - provavelmente, como você -, precisa ser de tudo um pouco: louco, psicólogo, sano, vítima e assassino. Mas não necessariamente executar, na real, cada um desses papéis. Eles são metafóricos, imaginários. E servem pra que possamos levar a vida numa boa, sem enlouquecer.
Já conheci muita gente doida. Maluca de verdade. E cada vez mais tenho a certeza de quão sana e normal eu sou. O que faz com que me mantenha numa boa em convívio com a sociedade. Mas, coloque "homem" no meio de uma história. Deixe ela mal resolvida. E junte à isso, uma louca.
Devo ser muito ocupada (e normal) pra achar certas coisas inaceitáveis: criar um perfil falso em sites de relacionamento pra investigar e atacar, por exemplo... É normal? É claro que não! Enfim... Sei que muita gente lê isso aqui. Fico super feliz, mas usar meu blog pra se aproximar e me meter no meio da sua loucura, desculpe, não é nada saudável. Quem faz isso precisa de, no mínimo, ajuda psiquiátrica e remédios tarja preta.
Não é a primeira vez que isso acontece comigo. O lado bom disso é que, cada vez mais, as pessoas vêem o quanto sou diferente de certos tipos que existem por aí e gostam de mim por causa disso. Loucura é bom. Dentro de quatro paredes. Junto com os amigos. Pra experimentar algo novo na vida. Pra refrescar a cabeça de tanta sanidade. Mas loucura tem limite... E quando não souber controlar a sua, não tente invadir o espaço dos outros, achando que eles são tão doidos quanto você. Se você não sabe lidar com certas coisas, procure ajuda médica e não alguém pra descontar a sua raiva e frustração.
Eu, por exemplo, vou sempre agir da forma mais sana possível em casos como esse. Pois é isso o que sou: normal!

04 dezembro 2010

Lições aprendidas em 2010

Todo ano faço uma espécie de "revisão" do meu ano no final dele. Mas, desta vez, resolvi fazer diferente. Ao longo dele, fiz anotações de coisas importantes pra ver se, no final, aprendi ou não certas lições. Tive, no mínimo, 365 aulas. Ou chances de aprender algo novo. Algumas delas se repetiram. Se errei na primeira, poderia consertar na segunda vez. É claro que esqueci de algumas, o ano é longo, né?

1 - Não fazer dos outros prioridade - Não dá pra agradar os outros e deixar de fazer aquilo que você gosta. Tentei agradar menos os que estão a minha volta e me agradar mais. Afinal, eles não valorizam mesmo a atenção que recebem, o que me deixa ainda mais frustrada na convivência com certos tipos de seres humanos.

2 - Não reclamar de dores ou imperfeições - Esse ano vi um cara jogar beach tennis. Até aí, tudo bem. O fato é que ele não tinha uma perna e jogava melhor do que eu, feliz da vida.

3 - Comemorar todos os aniversários como se fosse o último - Fui a uma festa, da Dona Esmeralda (lá de Santos), de bico mesmo. A velhinha estava fazendo trocentos anos e deu uma festona daquelas, parecida com a festa de 15 anos que fui de uma aluna minha agora no final do ano. As duas tem uma diferença de mais de 70 anos e comemoraram da mesma forma.

4 - Podemos aprender com os mais novos - Coisas boas e ruins. Conheci pequenos que me mostraram os dois lados. Não importa a idade, eles podem ser bonzinhos, mas também ter a maldade de pessoas bem maduras.

5 - As melhores coisas da vida são de graça - Como ver o sol nascer na estrada, a caminho da praia, por exemplo, num feriado prolongado.

6 - Não acreditar em "eu te amo" - Nem todos são de coração. Os que realmente dizem do fundo da alma acabam pagando por aqueles que mentem.

7 - Considerar mudanças - Elas podem não acontecer, por escolha sua ou do destino mesmo, mas considerar - as grandes ou pequenas - já é um grande passo quando algo não agrada mais.

8 - Algumas amizades são mais fortes do que a distância - Não importa quão longe um amigo pode estar. Ele sabe quando algo não vai bem e sempre encontra uma maneira de estar por perto.

9 - Mostrar o que sente - Esta é uma lição que ainda estou aprendendo a ter melhor controle sobre... Infelizmente, algumas pessoas não apreciam, não sabem o que fazer ou não são como a gente. Mas mostrar o que se sente é bom. Dá uma sensação de "missão cumprida". Guardar algo por orgulho, porque faz parte do jogo, porque os outros podem pensar isso ou aquilo é muito ruim. Já imaginou morrer com isso?

10 - A inveja é uma merda! - Algumas pessoas são tão invejosas que são incapazes de torcer pela sua felicidade. Querem ver você se fodendo a todo custo. Não conseguem te ver feliz. Incomoda. Infelizmente, tem gente assim...

11 - Tentar outra vez - E sem medo de ser feliz. Não importa se você vai quebrar a cara lá na frente. E, geralmente, é isso o que acontece mesmo. Mas se você não tentar, não vai saber. E o mais divertido da vida é o durante e não o final.

12 - Falar menos - Às vezes, é bom guardar as coisas, bem guardadas. Os outros não precisam saber de absolutamente tudo.

13 - Ter paciência - Odeio esperar, mas às vezes é preciso.

14 - Lidar com o mau humor alheio - Aprendi. Mas as pessoas que convivem comigo, não. Elas também ainda não aprenderam a lidar com o meu tipo de humor, bom ou mau. Nem todos são abertos a piadas inteligentes ou inteligentes o suficiente pra entender certos tipos de piada. Como resposta, fecham a cara. Azar o delas. As rugas são lhes cair como uma luva!

15 - Lidar com mudanças de idéias - E respeitá-las. É minha opção aceitá-las ou não. Mas as pessoas tem o direito de mudar e aprender a respeitar o que sentem faz parte do processo.

16 - Estou mesmo sozinha - E tenho que aceitar isso. Muitas vezes, ou na maioria delas, tenho que resolver tudo sem a ajuda dos outros. Realmente, não é possível contar com eles quando mais preciso.

17 - Respeitar o meu tempo - Eu aprendo e reaprendo isso todos os anos. Alguns são mais intensos do que outros. Mas eu já sei que certas coisas vão passar, que nem todos os dias são cor-de-rosa e que a saída é esperar a coisa passar. Eu aprendi isso. Os outros ainda não aprenderam a respeitar isso... Lição pra eles pra 2011.

18 - A loucura alheia - Louco é o que mais tem por aí e como incomodam. Cabe a nós alimentar a loucura deles, cair no jogo que fazem ou, simplesmente... ignorar!

19 - O trabalho duro compensa - Mesmo que os elogios não apareçam diariamente, que se passe noites em claro trabalhando como retardado... No final, compensa. Fui promovida no final deste ano depois de um ano do cão. Infelizmente isso significa que a pessoa com quem mais aprendi não vai estar por perto.

20 - O poder muda as pessoas - E mostra o quão invejosas certas pessoas podem ser. Certas pessoas mudam quando assumem o poder. Outras mudam quando o poder está na mão dos outros, porque não aceitam que, de alguma forma, não fizeram o bastante pra merecer estar lá. É aí que as conhecemos de verdade.
E, se eu fosse você, escutaria If Today Was Your Last Day, do Nickelback. Música cheia de lições pro ano que já, já está aí...

01 dezembro 2010

Cadê?



Essa semana foi divulgado o resultado daquela pesquisa do IBGE, o Censo 2010. Desta vez, pela primeira na vida, participei. Virei estatística respondendo às perguntas mais toscas que se pode imaginar. Mas, nem todo mundo foi questionado. Sim, algumas pessoas ficaram de fora. O presidente do IBGE, só pra citar um exemplo, não foi entrevistado. O que me anima um pouco...


Bem, descobriram que no país há quase 4 milhões de mulheres a mais, sobrando, avulsas, sem uma tampa pra sua panela, sem um homem pra chamar de seu. O mais triste é que, algumas delas, jamais vão mesmo encontrar a metade da sua laranja já que são a maioria da população brasileira.


Já é difícil encontrar alguém interessante, saber que falta homem, estatisticamente falando, pode soar ainda mais desesperador pras desesperadas. Segundo o Censo, existem 100 mulheres pra cada 93 homens (se pensar bem, a proporção nem é tão alarmante assim). Não sei na sua horta, mas na minha a proporção de água costuma ser inversa. Sobra! O problema é que a qualidade da água não é lá muito boa. Pois bem, além de enfrentar a escassez de homens, a concorrência e todos os outros obstáculos, algumas aí precisam aceitar a baixa qualidade do produto.


Por isso, não entendi o motivo dos homens comemorarem tanto tal resultado. Sinceramente, não vejo razão pra isso. Se eles fossem realmente necessários, ainda vai... Mas, a maioria dos mocinhos não consegue dar conta da mulher que tem em casa e ainda festeja a possibilidade de sair com a parte do Censo a que julga ter direito.


Mulheres interessantes não pegam o primeiro que aparece e, muito menos ligam pra pesquisas como esta, quanto mais pro resultado que apresentam. Elas sabem que existem outras muitas maneiras de se sentirem "completas", caso a tampa da panela já esteja cobrindo uma frigideira. Mulheres que precisam de homens são aquelas que acabam com o primeiro traste que encontram só pra contrariar o IBGE.


Sinceramente, muitas vezes, prefiro fazer parte da maioria que sobra. Se gostasse de dividir homem, estaria na Arábia, onde a poligamia é aceita. Apesar do resultado do Censo não ser lá muito animador, solteira posso viajar sozinha pra países onde os homens sabem como tratar uma mulher.