26 junho 2013

Não tem preço

Tem coisas maiores que o dinheiro...


Tem gente que acha que é só abrir a carteira que as coisas se resolvem. Subornam não apenas o que pode ser corrompido, mas ofendem também quem tem caráter e não se vende por dinheiro nenhum. É o que dizem: “Tem gente tão pobre que a única coisa que possuem é o dinheiro”. Mas tem coisas na vida, parafraseando a Mastercard, que não tem preço. Dinheiro nenhum, até mesmo se pago em parcelas, pode comprar o sorriso sincero de uma criança ou um pôr-do-sol espetacular.

Pra esses que acreditam que basta ter um cartão de crédito sem limites pra ser feliz, pense nessas 50 coisas que o dinheiro não pode comprar. Qual preço você colocaria nelas, hein?

1. Respeito
2. Crianças educadas
3. Uma vida profissional balanceada
4. Beleza natural
5. Bons modos
6. Bom senso
7. Consciência tranquila
8. Ter objetivos na vida
9. Caráter
10. Bons amigos
11. Vida longa
12. Uma família unida
13. Cabeça aberta
14. Um dia sem preocupações
15. Confiança
16. Um novo começo
17. Artérias limpas
18. Uma boa ideia
19. Político honesto
20. Tranquilidade
21. Cabelo bonito
22. Paciência
23. Sorte
24. Memórias felizes
25. Um bom epitáfio
26. Tempo pra descansar
27. Ética profissional
28. Atitude positiva
29. Uma casa feliz
30. Os seus desejos
31. Bom karma
32. Apreciar coisas simples
33. Amor verdadeiro
34. Uma nova tentativa pra uma oportunidade perdida
35. Paz no mundo
36. Bodas de ouro
37. Talento
38. Uma segunda chance na vida
39. Tempo de qualidade com os filhos
40. Sabedoria
41. Felicidade
42. Humildade
43. Boa reputação
44. Um dia com 25 horas
45. Um bom relacionamento com os filhos
46. Juventude
47. Uma aula
48. Justiça
49. Expectativas justas
50. Altruísmo

Esta lista não tem fim, porque vamos sempre encontrar alguma coisa que não dá pra colocar valor. E você aí, achando que com a sua promoção e bônus no salário ia poder comprar tudo...

25 junho 2013

Vai ser feliz, minha filha!

Seja feliz sozinha!


Sempre desconfiei daquela história de que pra ser feliz não precisa de muito. Pensava: as pessoas que tem mais, que estão sempre acompanhadas e bem de vida é que transbordam alegria. Humpf! Ledo engano. Tenho, hoje, cada vez mais certeza de que essas são – talvez – as mais infelizes criaturas habitando este planeta. 

Eu tinha o péssimo hábito de associar a minha felicidade a algo ou alguém. Desde sempre fui assim. Se não tinha dinheiro pra comprar algo que queria tinha vontade de cortar os pulsos e me sentia a pessoa mais frustrada da galáxia porque não tinha condições pra tal. Ou se estava solteira me sentia um lixo porque não servia pra ninguém. Quem me viu e quem me vê!

Aos 13 anos dei o primeiro fora num namoradinho. Terminei tudo pelo telefone, dizendo que estava “acostumada com a relação”. Depois disso, minha vida amorosa se tornou uma piada e eu achava que, aos 13 anos, tinha amaldiçoado minha vida pra sempre com aquele fora. Eu emendava um romance atrás do outro, mas sempre era aquela que saia com a bunda machucada no final das contas, com um pé daqueles, não importava quão boa namorada eu tivesse sido. Não tinha tempo pra me recuperar, caia em cantadas baratas e logo estava com outro, e com outro, e com outro... Eu era adepta daquela máxima “a fila tem que andar”. Só com o tempo percebi que essa máxima era, na verdade, uma mínima. 

Ninguém precisa de ninguém pra ser feliz. Quando associamos a felicidade a outro alguém estamos sabotando a felicidade eterna. Por não querer ficar sozinhos, acabamos aceitando o primeiro Mané que aparece pela frente. É como ser demitida de um emprego sem esperar e ter no mês seguinte um milhão de contas pra pagar. Mesmo com um diplomão universitário em mãos e fluente numa segunda língua você aceita a primeira vaga de atendente de telemarketing que aparece.

Quando se termina um relacionamento por cima, como o último em que estive, saindo pela porta da frente e certa de que não é preciso se sujeitar a tanto só pra estar com alguém, é que se começa a pensar que estar sozinho é, sim, o suficiente e muito bom. Alguém que não valoriza sua presença não merece estar contigo. E se você é capaz de abrir mão disso, a vida – uma hora ou outra – te presenteia com aquilo que é de direito.

Estar solteiro ou namorando, ambos, tem suas vantagens. Mas estar com alguém pra tapar um buraco que nem você mesmo consegue esconder é a pior coisa que se pode fazer. Quem é feliz sozinho consegue reconhecer oportunidades melhores, escolher com quem estar, porque espera o tempo que a vida dá, sem atropelar aquilo que está pelo caminho, dizendo “sim” a quem não merece nem “talvez”. Ninguém nasceu metade pra precisar de outro pra tampar a sua panela ou completar a metade da laranja. Depois que inventaram o chocolate e o vibrador, meu amor, ser feliz sozinho passou a ser obrigação!

23 junho 2013

Na sua casa ou... nada?

Vai ficar pro café-da-manhã?
Aconteceu comigo. E mais de uma vez... O cara chama pra sair, convida pelo Facebook, torpedo ou até mesmo pessoalmente se for an old fashioned type of guy. Como ele ainda mora com os pais e sabe que você, dona do próprio nariz e independente, tem o seu próprio canto, sugere logo de cara que o encontro aconteça na sua casa.

(pausa pra cara de surpresa que ainda faço quando isso acontece)

Você desconversa, diz que prefere um barzinho ou restaurante, pra não ser deselegante e mandar um "qual é a sua?", mas o rapaz insiste num vinho e conversa ao pé do ouvido no seu sofá. Se eu trouxesse pra casa todos os caras que já me fizeram esta proposta, meu porteiro ia querer ganhar a vida cobrando consumação mínima ou couvert artístico das minhas visitas.

O que aconteceu com aqueles encontros românticos de antigamente? Uma caminhada no parque, sorvete, cinema, jantar, as conversas no portão ou algo realmente surpreendente? O que aconteceu com o tempo entre conhecer alguém e levar pra casa? Não existe mais. As pessoas estão tão afobadas porque conseguem respostas que chegam tão rápido por SMS ou chats na internet, com serviços de entrega a jato, com elevadores supersônicos que vão do térreo ao trigésimo andar em segundos, que querem encontros tão rápidos ou mais. O trivial passou a ser o inusitado da vida.

O convite surpreendente anda surpreendendo pelo negativo. E, experimente dizer "não", ou sugerir um jantar à luz de velas num local público e com outras pessoas dividindo o mesmo metro quadrado! De novo, aconteceu comigo, sugeri algo mais lento - pra se dizer assim - e fui taxada de "difícil". O rapaz ainda completou: "Credo, tô fora! Eu, hein!".

Acredito que a demanda de mulheres fáceis, que topam ir pro motel antes mesmo de dividir uma refeição com o sujeito, está maior comparada com as "certinhas" como eu. Essa geração que cresceu no meio de micaretas, onde nem o nome do alvo se perguntava, está pulando partes do processo que são bem mais interessantes do que os "finalmentes". Essa pressa de viver, a urgência deste momento, como se fosse morrer amanhã, não me agrada.

Certas coisas, sim, precisam ser feitas em tempo recorde, com marcas dignas de Guinness, mas outras quanto mais slow motion, melhor. E encontros (pelos menos os primeiros) são assim: pra serem apreciados com bastante calma, sem pressa pra cruzar a linha de chegada.

21 junho 2013

Preguiça das pessoas

Que preguiça!


Nunca acreditei quando um dos meus ex-namorados dizia que tinha preguiça de conhecer pessoas novas e que preferia, muitas vezes, ficar sozinho tanto em casa quanto na mesa de um bar, quando decidia ir beber uma cerveja. Eu achava aquilo muito estranho! Pensava: “Como assim, se isolar do mundo?”. 

Juro! Não se passou nem um ano desde a última vez em que ouvi esta declaração e me peguei pensando igual a ele! I-g-u-a-l-z-i-n-h-o! Com preguiça de conhecer pessoas. Preguiça de socializar, de perder tempo com quem lá no fundo você sabe que não vale a pena , de começar relacionamentos tudo outra vez, de agradar gente estranha.

Me sinto extremamente confortável com meus amigos, os antigos que já tenho. Esses podem ficar sossegados, porque estarei com eles até que a morte nos separe. Já sei como abordá-los, o que fazer ou não pra evitar conflitos e discussões quando não é essa a intenção de uma conversa, eles já conhecem meu humor e minha constante ironia. Vai ver é isso, eles já me bastam e são ótimas companhias. Mas os novos... Hmmm, sei não. Todas aquelas conversas de começo, saber do que gosta ou não, que lugares frequentou, o que aprontava quando criança, os casos de amores malsucedidos... Confesso: tenho preguiça só de pensar.

Acho que esta coisa de estar bem consigo mesmo tem muito a ver com isso. Quando só a sua presença basta é que se atinge a felicidade plena. Sou muito mais estar sozinha do que estar com os outros pra ocupar o tempo. Adoro saborear lattes na Starbucks sem ter que interagir ou me apressar pra ir embora porque o outro tem compromisso. Amo ficar em casa, no sofá, lendo um livro. Sou apaixonada por tardes em livrarias sem ninguém me sugerindo outro programa a cada 5 minutos e tirando toda a atenção daquele momento. Almoço e vou ao cinema sozinha e não tenho problema nenhum com isso. Gosto de estar em silêncio e pensar na minha vida. Prezo cada segundo do meu precioso tempo e não pretendo desperdiça-lo com ninguém que não o mereça, assim como a minha companhia. Por isso, a preguiça. 

Devo ter perdido oportunidades de conhecer pessoas ótimas nesses últimos tempos por conta da prática deste pecado capital, certamente. Mas, por outro lado, também me poupei de expectativas não correspondidas, chateação e tempo, este sim precioso e que não volta mais. O melhor amigo!

20 junho 2013

Ensinando a pensar

Imagino a professora dele...


Outro dia, estava dando uma aula sobre política e a história dos principais presidentes americanos pra uma turma de adolescentes de 12 anos. Não demorou muito pra um dos mais inquietos levantar uma questão: “Mas todos eles estudaram Direito ou tem curso superior completos em universidades como Harvard? É verdade que o Lula nem completou o ensino médio?”. Eu, apenas, sorri.

Poucas aulas antes, tínhamos visto a história de Abraham Lincoln e a luta dele para acabar com a escravidão naquele país, em 1863. - Antes de você se indignar com o que dou em sala e porquê raios não estaria ensinando a história do Brasil num momento como este, só pra deixar claro: dou aulas de inglês. - Mais uma vez, não precisei incitar nada, pro meu sagaz aluno mandar outra: “Quer dizer que demorou menos de 2 séculos para que os negros, antes escravos, pudessem se tornar presidentes dos Estados Unidos e com instrução superior? Que evolução!”. Fiz o quê? Sorri de novo, ué. 

Esta semana, um rapaz com mentalidade estreita questionou os motivos por eu não fazer parte das manifestações, por não sair às ruas e, foi mais baixo ainda, perguntou o que eu contaria aos meus netos sobre este momento da história do Brasil. Primeiro: não penso em ter filhos, logo, isso não me leva a ter netos. Segundo, expliquei a ele que estava trabalhando, logo, não poderia estar nas ruas. Ele insinuou que eu era uma baita egoísta e que estava trabalhando só pra mim. Respondi: “Meu amor, sou professora. E você, faz o que pelo país mesmo?”. Sem responder minha pergunta, ele mandou outra: “E você ensina seus alunos a brigarem pelos direitos deles?”. Como ele não deve ter concluído o ensino médio, assim como o ex-presidente do nosso – agora – tão amado país, não deve saber que certas coisas não se ensinam na escola. Não se coloca na cabeça de alguém que pagode é uma merda. Que evangélico é tudo fanático. Que político é corrupto ou que é de direito dele reclamar o que não o agrada.

Não preciso ensinar meu aluno a pensar. Isso se estimula. Como? Bombardeando-o com informações, imparcialmente. Só assim, um cidadão, por mais novo que seja, é capaz de construir senso crítico e, assim SOZINHO, formar sua própria opinião. Pro cidadão medíocre citado acima eu até poderia ter “perdido” meu tempo e dado a ele uma lição de moral, mas preferi ignorá-lo, porque gente pequena tem preguiça de pensar. Engole o primeiro discurso pobre que lhe é apresentado e toma isso como verdade, enche a boca e o peito pra falar daquilo que não sabe, como se estivesse coberto de razão. Já dizia um filósofo, que agora me fugiu o nome: o problema da atualidade é que tem muito ignorante cheio de respostas e muito inteligente ainda cheio de dúvidas.

Ensino não apenas o direito aos meus alunos, mas os deveres como cidadãos também. Na semana passada, com a ajuda deles, conseguimos coletar mais de 2.500 peças de roupas pra doação. Enquanto ele, o cidadão medíocre, provavelmente, assistia televisão e xavecava meninas marombadas no Facebook. Eu não costumo gritar pelo meu país, ir pra rua, quebrar patrimônios, ofender os outros. Fazer algo por ele fala muito mais alto e cala muita boca por aí.  

O problema é que, mesmo ensinando apenas uma segunda língua, fica difícil controlar a cabeça de quem frequenta escola, conhece outras realidades, e procura melhorar não apenas sua cultura, mas também sua opinião. Acho meio revoltante ver, hoje em dia, com tanto acesso à informação (basta apertar o ON do seu computador pra receber uma enxurrada de notícias), pessoas dizendo que a mídia, esse ou aquele canal “está manipulando a informação”. Não é a mídia que manipula o povo. É o povo burro que prefere jogar a culpa nos outros a justificar a sua falta de ideologia, informação ou preguiça de pensar.

É que pensar dá trabalho e percebi esses dias que o brasileiro não é um grande fã de arregaçar as mangas...