15 maio 2013

A princesa, o plebeu e a bruxa

Quem te conhece, que te compre!
Era (mais) uma vez, uma linda princesa que vivia muito feliz. Sempre cercada de amigos e príncipes, a princesa gostava muito de ser livre. Foi criada assim pela rainha, a sua mãe, que também ensinou a importância do respeito aos outros e da educação.

Diferente das outras princesas, esta aqui morava sozinha num castelo só dela, próprio e bem alto. De lá, podia ver o sol nascer todos os dias, porque se levantava bem cedinho para trabalhar. Sim, esta princesa trabalhava. E como! T-o-d-o-s os dias... E adorava! Gostava muito das crianças que encontrava por lá e este sentimento era recíproco. Tinha delas, também, o carinho, pois era uma pessoa muito boa e que gostava de falar de valores. Eles ouviam e sempre aprendiam alguma coisa.
Quando não estava trabalhando, a princesa gostava de tomar café lendo livros. Tinha uma pilha deles e sempre comprava mais. Gostava muito, também, de ir aos bailes do seu povoado – uma cidade muito grande e que não dormia nunca. Nestas festas, ela bebia, conversava com os amigos, era galanteada por muitos príncipes e ouvia sua música preferida, o rock n’ roll.

Num belo dia, a princesa recebeu um pequeno bilhete enviado por um plebeu, que parecia vir de muito longe. Nele havia um convite para sair. O plebeu explicou que o irmão havia aconselhado-o a se encontrar com a princesa para um café. Ela acabou aceitando e os dois foram conversar.

Não demorou muito para que a conversa acabasse num romance, cheio de planos e muitas promessas. O plebeu levou a princesa para o reino onde morava, onde ela ficou por um tempo. Porém, o que ela não sabia é que, aquela linda história de amor, seria estragada por uma bruxa, uma mulher feia, invejosa e muito má, que morava num povoado afastado e muito pobre, que espiava todos os passos do casal de longe.
A princesa, muito boa, passou a ser perseguida insistentemente pela bruxa, que também começou a ameaçar o plebeu. Assustados, os dois decidiram se isolar. Porém, a bruxa, muito, muito má, não desistiu. Passou a persegui-los cada vez mais e mais. Com inveja da história de amor dos dois, a bruxa - que havia sido um dia abandonada - acusava a princesa de coisas que não eram verdadeiras, o que a deixava cada vez mais triste, pois desde pequena aprendeu a falar somente a verdade. O plebeu não podia fazer nada, pois a bruxa dizia que trancaria uma pobre e indefesa criancinha em sua masmorra e nunca mais a deixaria sair de lá... A princesa não tinha para onde correr, pois a bruxa sempre a encontrava!

Os finais de semana, antes tão aguardados pela princesa e pelo plebeu, passaram a ficar monótonos. Ela e o príncipe não podiam fazer muito. Ela sentia falta de ser livre como antes. Queria muito poder fazer o que sempre fez, da forma como fazia, sem ser controlada pelos olhos da invejosa bruxa.
Cansada de tanta maldade e perseguição, a princesa decidiu voltar para o seu castelo. Lá, recebeu bilhetes de muitos príncipes. Príncipes de verdade! E lembrou-se de uma importante lição que aprendeu com um deles no passado: que ela merecia o melhor, sempre!
O plebeu? Bem, o plebeu viveu infeliz para sempre, perseguido pela bruxa feia, que ele tanto temia, mas desprezava e sentia nojo.

Fim.  

14 maio 2013

Uma vírgula, muda tudo.

Vírgulas são fundamentais. Ponto final, também.
Tem uma coisa que me incomoda demais. Mais do que gente falando da minha vida, mais do que lugar lotado, mais do que dia frio e chuvoso, mais do que tudo aquilo que não suporto junto: erros de português.

Tudo bem que nosso país não é campeão em educação ou até mesmo em valorizar os profissionais desta área, mas eu não consigo aceitar – ou entender – como alguém, que até teve um certo acesso à escola e frequentou salas de aula, consegue escrever mal ou desconhecer certas regras (básicas) gramaticais, concordâncias e ortografia.

As diferenças entre “mas” e “mais”, “a” e “há”, saber o lugar certo onde se coloca uma vírgula ou um ponto final não é tão difícil assim, vai. Desconhecer a própria língua é triste. Muito, muito triste...

Vírgulas não separam o sujeito do predicado, ou do verbo (a ação, se pra você fica mais claro assim). Elas servem como uma pausa na leitura, um respiro e separam frases completas, ou seja: com sujeitos e predicados, sujeitos e predicados. E não: sujeitos, predicados. Listas são assim, não frases. A pontuação no lugar errado compromete absolutamente tudo aquilo que você queria dizer.

Apoio todas as formas de expressão, desde que elas expressem alguma coisa e não o seu desconhecimento gramatical. Do contrário, aconselho pesquisas no Google e o uso do corretor do Word. Pra quem não domina a própria língua, é ótimo, não falha! Leitura também vai bem... Enriquece o vocabulário e ocupa o tempo. 

É lógico que não estou me referindo aqueles que, por alguma má sorte na vida, não tiveram a oportunidade de aprender. Seria cruel demais da minha parte e isso, não combina comigo, uma professora e jornalista, conhecedora do idioma do país no qual eu nasci. Mas, gente, se você já tem idade pra acessar redes sociais, é porque já tá grandinho pra saber como escrever e sabe, no mínimo, criar login, senhas e é curioso pra LER sobre a vida alheia. 

Aqui vai a minha dica: antes de tentar aventurar-se numa segunda língua – acho digno aprender e tiro o chapéu pras pessoas que se dispõe a estudar -, tenha certeza de que seu português é bom. Não precisa ser impecável, porque daí talvez seja mesmo pedir demais (nossa língua é cheia de “pegadinhas” e, pra piorar, tem novas regras de ortografia), mas compreensível já tá bom.

13 maio 2013

A mala

Mala velha
Não gosto de arrumar malas. Sempre que viajo é uma tortura tentar fazer todas as roupas que eu gostaria de levar caber dentro de um espaço tão "pequeno". Às vezes, levo dias e isso não é exagero. Faço listas, confiro a previsão do tempo um bilhão de vezes, arrumo, desarrumo, troco peças, coloco-as de volta, experimento combinações, é um verdadeiro processo! E, no final das contas, sempre levo mais do que realmente preciso. Desfazer malas também não é meu programa preferido. Esvaziar leva tempo, viu.

Vai ver que é por isso que tanta gente faz essa analogia de mala com coisa chata. Bom, pelo menos neste post essa figura de linguagem vai fazer sentido. Porque, no fundo, é assim que encaro um pouco a vida e relacionamentos.

Ninguém gosta de carregar bagagem. No começo ainda vai, porque a viagem parece fazer valer a pena o esfoço, mas com o tempo, ela vai ficando pesada, desconfortável e difícil de levar. E ninguém quer carregar peso. Mas, mala vazia, todo mundo coloca no ombro com prazer!

Com relacionamentos, e a vida, é a mesma coisa: ninguém quer carregar a mala dos outros. Mesmo que por gentileza, há um limite. Você até ajuda, mas depois de um tempo, aquele fardo se torna um saco, afinal a bagagem não é sua.

Pra começar uma nova viagem é preciso esvaziar a mala. Tirar tudo, absolutamente tudo, o que há dentro pra embarcar em outra jornada. O que se usou numa viagem não vai servir na outra. Os lugares, as pessoas, as situações são diferentes. O bom é começar com tudo limpinho, passado e cheiroso. Porque os outros não são obrigados a conviver com a imundice das suas experiências passadas, o cheiro, os vincos.

O problema é que tem gente por aí que não consegue se livrar do excesso de babagem. E essas são as que mais incomodam, as que custam mais caro. Porque roupa velha e suja devem ser lavadas em casa e permanecer por lá, dentro de um cesto.

Esvaziar malas leva tempo. E é assim mesmo. É legal encontrar alguém disposto a ajudar, mas desde que as roupas velhas fiquem no fundo da gaveta. Doe roupas que não servem mais e, antes de passá-las pra frente, certifique-se de que a mala velha vai junto também!

Minhas malas são sempre cheias, como disse no começo. Mas sou a única a carregá-las. Respeito o tempo - o meu tempo - pra esvaziá-las e colocar o que tinha dentro no lugar certo. E prefiro ter certeza de que as coisas ficarão por lá, quietinhas, antes de comprar a passagem pra próxima jornada. Ninguém é obrigado a conviver com as experiências pelas quais eu passei. E é por isso que acho tão bacana todas as que vivi: elas sabem exatemente o lugar onde devem ficar, no passado.

Mas fazer o que se tem gente que gosta de carregar mala velha com roupa de liquidação, né? Pra essas, infelizmente, não dá pra desejar "boa viagem"...

12 maio 2013

É f... ser f...

Seja você mesma!
Já tive uma "amiga" invejosa. As aspas foram colocadas depois da confissão dela que dizia, pro meu espanto, querer ter a vida e as coisas que eu tinha. Nem preciso dizer que a amizade acabou ali, mesmo com tanta sinceridade por parte dela...Mas existe uma coisa pior do que o inimigo: o invejoso, porque ele não quer o que você tem, ele quer o que é seu.

Sempre acreditei que amigo de verdade era aquele que, independente dos altos e baixos, torcia pra você se dar bem. Quem quer ver você se fuder, não pode ser amigo, desses você pode esperar qualquer coisa. E, naquela época, era incrível como absolutamente nada na minha vida dava certo, nada ia pra frente e comecei a me deprimir. Foi dar um basta pras coisas voltarem ao eixo. Sim, é preciso se distanciar de gente assim e daquelas que estão próximas à elas, pra se livrar de tanto mal, principalmente quando não se é igual a elas.

Nunca achei que fosse o centro das atenções. Não me vejo assim, capaz de despertar a inveja nos outros... Sou baixinha e, às vezes, me acho comum. Nunca me achei descolada, apesar de ter sido popular na escola. Mas, é impressionante: onde quer que eu vá  atraio olhares e, mesmo sem nenhum esforço, não consigo passar despercebida. As pessoas lembram meu nome e guardam a minha fisionomia.

Vou falar: não é fácil ser foda. Não mesmo... Ser bonita, estudada, gostosa, educada, inteligente, interessante, independente, evoluída, saber o que se quer e ter tudo aquilo de que se precisa não é pra qualquer uma. Tem que ser muito foda. Não só por isso, mas por ter que aprender a lidar com aquelas que gostariam de estar no seu lugar. E sim, desta vez o post é direcionado à elas. Porque não se tem notícia de homem invejoso... Mas mulher que arrancaria os seus cabelos só porque o seu é bom e o dela precisa de chapinha, cor e tratamento, essa sim, tem de monte. Só elas (algumas) são capazes de cultivar este sentimento tão pequeno e inútil de maneira tão intensa.

Este não é um post de auto-bajulação ou escrito pra diminuir ninguém, longe de mim precisar colocar os outros pra baixo pra me sentir melhor. Eu sei o que sou. Conheço meu valor. Tenho consciência de qual é o meu lugar. Mas, confesso: acho que queria ser - só um diazinho - feia e mal-amada como elas, só pra saber como é. Infelizmente, as coisas não funcionam assim. Não dá pra tentar ser aquilo que não se é. Ainda mais quando se é feliz e grata com o que já se tem. Ninguém tem mais do que merece. Eu acredito em karma e que cada um tem o seu.

Talvez o segredo pra ser foda seja um só: quanto mais você tenta ser aquilo que não é, mais infeliz você será. Ninguém nasceu pra ser cópia. Todos somos originais, então pra que tentar ser algo que você não tem capacidade pra ser, não é?

11 maio 2013

NEWS!!!

Já fazia tempo que eu pensava em mudar alguma coisa aqui. O blog existe desde 2007, com o mesmo nome, mas - apesar de ser apaixonada pelo que venho criando desde então - não era o que eu queria. Então, mudei! Acho que agora tá de acordo com o que escrevo.

Aproveitei pra responder alguns comentários deixados. E vou aproveitar pra mandar um "hello" pros gringos que passaram por aqui esta semana!

09 maio 2013

Filhos S/A

  Dar à luz um filho não torna nenhuma mulher “mãe”. Aliás, qualquer mulher, por um descuido, pode engravidar e, nove meses depois, ser classificada como tal. Até as menos capazes. Se parar pra pensar, nem os bichos se reproduzem assim.

Daí, você – que é mãe e não me conhece – vem e pergunta: o que você sabe sobre ser mãe se não tem filhos? E de novo vou ter que usar aquele meu velho discurso: você não me conhece o suficiente pra tirar este tipo de conclusões, não sabe do meu passado e nem o que vivo e vejo no presente. Mas posso te garantir que tenho argumentos suficientes pra começar este post exatamente assim.

Desde o começo dos tempos, mãe é mãe 52 semanas por ano, 7 dias por semana, 24 horas por dia. Este turno não aumentou e nem diminuiu com a criação de emendas ou leis. Sempre foi assim. E até eu, que não sou mãe, sei. Colocar um filho no mundo é uma responsabilidade que eu, na minha atual posição, posso apenas imaginar. Mas se uma mulher topou o desafio, ela tem que ser MÃE, daquelas que todo mundo gostaria de ter e com orgulho. Filho não é acessório e nem brinquedo. Não é fonte de renda e nem objeto de negociações. Não dá pra desistir dele quando perder a graça e nem colocar nele toda a culpa das suas frustrações.

Colocar crianças no mundo é fácil, como disse lá no começo, até bicho põe. Tirar vantagem delas é cruel. Não ter paciência pra educa-los é desumano. Tirar-lhes o direito de frequentar escolas é crime. Sopinhas Nestlè e Sustagem não proporcional a nutrição ideal. Ninguém aqui nasceu de chocadeira. Crianças precisam de exemplos em casa, boas referências, educação, carinho e muita paciência.

O Dia das Mães está aí. E acho triste saber que algumas vão ganhar presentes só porque a data praticamente impõe isso aos filhos. Tenho certeza que há muitas mulheres com motivos de sobra pra comemorar, já outras sabemos bem como podemos nos referir aos filhos delas...

Um beijo pra minha mãe, a quem tenho uma admiração sem tamanho, porque é um grande exemplo. Essa, mesmo sozinha, nunca me deixou faltar nada, de amor ao material, e ainda teve tempo pra me transformar na mulher que sou hoje, capaz de respeitar os filhos que não são meus. E um abraço grande às mais de 100 mães, que confiam seus filhos a mim, todos os dias.

07 maio 2013

Abrir mão pra seguir em frente

Posso não ter vivido muito ainda, ou parecer imatura aos olhos de alguns. Mas se tem uma coisa que faço bem é tirar uma lição de cada coisa, por menor que seja, que acontece comigo ou na minha vida. Uma delas foi a não olhar pra trás porque não é pra lá que quero voltar.

Pois bem, sou do time daqueles que andam pra frente, porque é este o sentido da vida. Mesmo quando há algo que me prende lá atrás, paro. Mas depois, dou um passo e todos os seguintes seguem o mesmo rumo: pra frente!

Difícil? Nem um pouquinho. Depois de alguns anos de prática a caminhada fica cada vez mais fácil. Quer ajuda?  Aqui vai mais uma das minhas listas - 10 COISAS DAS QUAIS VOCÊ DEVE ABRIR MÃO PRA PODER SEGUIR EM FRENTE:

1. Deixar a opinião dos outros controlar a sua vida - pare de ligar pro que falam. Não é o que dizem que conta, mas o que você mesmo pensa de você que vale. Você tem que fazer exatamente aquilo que é melhor pra você e pra sua vida, e não aquilo que os outros acham que é certo. Eles pagam suas contas? Você deve satisfação a eles? Então cague e ande pro que comentam, falam, dizem, acham ou pensam.

2. A vergonha de derrotas passadas - seu passado não tem nada a ver com o que vai acontecer no futuro. O que importa é o que você faz agora. Dá pra consertar o passado? Não... Infelizmente o tempo não volta. Então, deixe ele pra trás e comece a focar no que vem pela frente.

3. Ser indeciso com aquilo que quer - você nunca vai sair de onde está até decidir pra onder quer ir. Decida o que quer da vida e depois vá atrás disso, como se fosse morrer amanhã. Não tem nada pior pra atrasar a vida do que ficar em cima do muro, indeciso, vendo a banda passar.

4. Adiar aquilo que importa pra você - há duas escolhas importantes na vida: aceitar as coisas como são ou encarar a responsabilidade de mudá-las. A melhor época pra se plantar uma árvore foi há 20 anos. A segunda melhor época pra se fazer exatamente a mesma coisa é... agora!

5. Escolher não fazer nada - você não pode escolher quando e como vai morrer (a menos que decida amanhã dar um tiro na cabeça...), mas você pode escolher como vai viver hoje. Todos os dias recebemos uma nova chance pra fazer escolhas. Tenha certeza de que está fazendo a escolha certa.

6. Essa sua vontade de querer estar certo - siga o sucesso, lógico, mas não deixe de lado seu direito de querer fazer merda também. Quando você age querendo estar certo o tempo todo, além de se tornar um chato, você se fecha pro aprendizado. Ninguém precisa ter razão o tempo todo, errar faz parte do crescimento.

7. Fugir de problemas que precisam ser resolvidos - pára! Encare os fatos e resolva os problemas. Tudo tem solução. TUDO! Cabe a nós encontrá-las. Dá trabalho resolver? Pode ser caro? Demorar? Sim, sim e sim. Mas é um problema. E se incomoda a ponto de ser um "problema", resolva.

8. Criar desculpas ao invés de tomar decisões - a maior parte das derrotas é resultado da atitude de pessoas que passam mais tempo inventando desculpas do que pensando e tomando decisões. A criatividade usada pra uma pode (e deve!) ser convertida pra outra.

9. Ignorar os pontos positivos da sua vida - o que você vê depende diretamente daquilo que você procura. Vai ser difícil ser feliz ou encontrar a felicidade se você não é grato pelo que já tem na sua vida. Ingratidão é o passo mais curto pra infelicidade. Claro que nem tudo são flores, mas - concorde - nem sempre é tudo uma grande porcaria.

10. Não apreciar o agora - muitas vezes, enquanto estamos tentando conquistar algo grande, não nos damos conta das coisas pequenas e legais que acontecem no caminho. Saber olhar a volta e  reconhecê-las torna o processo bem mais agradável.

Se a sua vida não vai pra frente, aqui vai a dica: leia a lista mais uma vez, e mais uma, e outra mais... Até memorizar cada item. Quem sabe, né? Abrir mão de velhos hábitos e manias não é fácil, eu sei. Mas pratique o desapego, principalmente da teimosia... Não levamos nada da vida mesmo, então pra que prender-se naquilo que não te leva a lugar nenhum?

06 maio 2013

Infratores Jr.

Muito tem sido falado na redução da maioridade penal aqui no Brasil. Principalmente agora que boa parte dos crimes tem sido cometidos por adolescentes que teriam idade apenas pra brincar de bandido e ladrão. Enquanto na Índia uma criança de 7 anos pode ser mandada pra cadeia depois de um delito, aqui no Brasil - o país da Copa - antes dos 18, nego pode fazer o que quiser, porque sabe que não vai pagar.

Impunidade não é apenas a palavra-chave dessa estatística triste que anda levando cada vez mais crianças pro mundo do crime. Acredito que, se um adolescente de 16 tem poder de voto porque já tem consciência política (segundo acreditam...), ele já tem capacidade também de saber que matar alguém é errado. Ou não?

Se por um lado a impunidade é o que impera, por outro acredito que o que falta é educação. Não adianta reduzir a maioridade se ainda falta punho dos pais, em casa, pra colocar uma criança no lugar.

Indisciplina é um dos fatores que mais estorvam o convívio de qualidade. E suas causas são diversas, mas em geral a culpa é da ausência da intervenção familiar, do "não". A falta de limites na educação que deveria ser dada em casa tem sido o bordão utilizado por especialistas de diversas áreas pra explicar o comportamento incivilizado, transgressor e violento dos jovens de hoje em dia. O centro das famílias passou a ser lugar ocupado pelos filhos e, por isso, os pais priorizam o que eles fazem. Calam-se quando eles falam e não chamam a atenção quando eles tomam atitudes inadequadas na frente dos outros, com medo de frustrá-los. Mais do que deixar de colocar limites, muitos pais acatam o comportamento dos filhos. A consequência pra tanta permissividade e liberdade está aí.

Cada vez menos as famílias se reúnem pra uma refeição ou pra compartilhar algo juntos e conversar. Cada indivíduo tem vida própria e o individual superou o coletivo também no interior da família. Resultado: crianças e adolescentes cada vez mais sem referências e limites, fazendo com que o resto da sociedade se questione se vale a pena ou não mandar um menor pra trás das grades antes da festinha de 18 anos.

Sou a favor da redução, sem dúvida. O mundo de hoje tá mudado e, com tanto acesso à informação, as crianças de 16 não são como as de antigamente. Mas também acho que um pouco de educação, antes de jogar a culpa nos delinquentes, cairia muito bem... E, se temos dinheiro pra investir num campeonato de futebol, não deve estar faltando tanto assim pra educar a garotada.

05 maio 2013

Opinião anônima não me interessa

Todo mundo ama dar opinião. Palpitar no que é dito, feito... Apontar os erros, criticar.

Quando criei este blog, pensei em expressar aqui a minha opinião sobre coisas. Das mais variadas. E tenho feito isso há alguns anos, quando me dá na telha ou quando algo me incomoda ou, de certa forma, chama minha atenção.

Veja bem: o que escrevo aqui é a MINHA opinião. Se você concorda ou não, isso pra mim não faz a menor diferença (mesmo gostando de ler os emails, comentários e mensagens deixadas). Apesar de não ser influenciada pela opinão dos outros, como pessoa civilizada, respeito todas e, acima de tudo, ouço (ou leio, no caso). Às vezes me impressiona saber que, num único mês, por exemplo, minhas opiniões foram visualizadas 500 vezes! Adoro o feedback que o Blogspot me dá... É completo!

O fato de alguém não concordar comigo não faz com que a opinião dessa pessoa esteja errada. Quando sua opinião é diferente da minha, mostra que você é capaz de pensar, analisar e expressar a sua opinião. Veja bem: OPINIÃO, não ofensas. Saramago foi brilhante na sua frase (essa da foto) e, como ele diz, não é minha intenção colonizar ninguém com o que digo aqui. Quem lê o meu "Como usar" (ali em cima) deve ter percebido que não pretendo mudar a vida de ninguém com o que escrevo, nem a minha.

O problema é que, tudo o que é dito, escrito ou fotografado, e é tirado do seu contexto original ganha uma versão errônea e aumentada, de acordo com o interesse de cada um. Somada à imaginação de quem adora julgar ou interpretar o que digo, é um perigo. De novo, não muito ligo pra isso...

Enfim, este blog existe há anos. Mantive-o privado por alguns dias, mas a pedido de quem não tinha acesso como convidado (mas que me visitava frequentemente) resolvi abri-lo outra vez. Porém, por conta da natureza agressiva de alguns comentários anônimos deixados aqui recentemente, agora pra dizer o que você pensa, se concorda ou não com o que escrevo, vai ter que assinar seu nome.

Mais uma vez: respeito a opinião (e comentários) de todos. A civilidade me faz agir assim. Mas se for pra ofender, identifique-se no final do post. Assim, sua opinião, ofensiva ou não, ganhará um pouco do meu respeito.

02 maio 2013

E a cura pra ignorância, vota quando?

Tem que ser muito macho pra ser gay nos dias de hoje, sabia? Pois é, já viramos o milênio há alguns anos, mas parece que ainda existe bossal com a cabeça no início dos tempos, que prefere enxergar a escolha de cada um como coisa do capeta ao invés de aceitar a opção e encará-los como iguais.

O pastor evangélico Marco Feliciano, também presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados - teoricamente responsável por defender as minorias e suas opções -, resolveu colocar um projeto (idiota) para votação, que vem sendo chamado de "cura gay". Ele ainda defende um texto que penaliza a discriminação contra heterossexuais (a maioria). Mais homofóbico e racista, impossível! O santo-do-pau-oco em questão além de responder no Supremo Tribunal Federal por homofobia também tenta se defender do crime de estelionato.

Não sou homossexual e nem muito engajada em causas. Mas certos tipos de comportamento e atitude, como do sujeito aí, me embrulham o estômago. Preconceitos estúpidos como este, nos dias de hoje, são inaceitáveis. Já estamos num outro nível. Apesar de até a igreja católica ser contra, já estamos discutindo e aceitando com outros olhos a união estável entre pessoas do mesmo sexo. Qual é o problema, então?

Não dá pra acreditar que, em 2013, ao invés de discutirmos coisas realmente importantes e relevantes, temos que nos deparar com projetos pensados na cura de algo que não pode nem ser diagnosticado como patologia. Não é possível que um país com a educação e o sistema público de saúde de m*** oferecidos pra quem trabalha 6 meses do ano só pra pagar impostos ignora problemas reais e ainda é representado por pessoas preconceituosas e de mentes tão fechadas.

Gays são cultos, inteligentíssimos, ocupam o tempo com aquilo que os fazem grandes, são honestos porque, acima de tudo, não escondem aquilo que a sociedade ainda discrimina, sua opção sexual que difere da maioria.Eles, sim, deveriam estar no poder.

Opção é opção. Seja ela qual for tem que ser respeitada. O que realmente deveria existir é a cura para a ignorância de pessoas pequenas e preconceituosas, como o nosso excelentíssimo (só que não) presidente de Direitos Humanos. Pessoas têm direitos e um deles é de escolher aquilo que os faz bem. E você, Feliciano, foi escolhido para representá-los.

Que nosso excelente sistema de saúde invente uma vacina pra acabar com este seu mal: a sua ignorância.