28 maio 2013

A tal da ex



Esses dias, conversando com amigas, uma pergunta ficou na cabeça: será que todos os homens com quem vamos nos relacionar no futuro terão ex-namoradas/mulheres loucas e problemáticas? 

A pergunta surgiu depois que contei à elas o que aconteceu no meu último relacionamento e como era desagradável lidar com a louca da ex-mulher dele o tempo todo. A fulana chegou ao ponto de curtir a página do meu trabalho no Facebook dela e não dava folga. Pirada mesmo!

Todas nós já passamos dos 30 e, é claro, temos que lidar com homens que já trazem bagagens de relacionamentos anteriores. Mas será que vai ser sempre assim? Tentei argumentar explicando que sempre deixei todos os meus ex-namorados irem embora em paz. Também dei o exemplo da minha mãe, que depois do fim do casamento dela, seguiu o próprio caminho, sem torturar a então namorada do meu pai com chantagens baratas ou usar a mim e meu irmão pra atingi-lo emocionalmente. Acabou, acabou. Fim! Mas parece que somos exceção...

Quase todo mundo gostaria de poder começar uma história de amor partindo do zero, sem que houvesse qualquer contato com ex-casos. Mas, nem sempre isso é possível. Ainda mais quando há filhos no meio e o outro não se sente seguro em relação ao seu papel no próprio relacionamento. Por isso, é fundamental que haja diálogo, pois quanto mais tumultuado tiver sido o processo de divórcio ou rompimento, maior será a probabilidade da ex tentar mandar na nova relação do outro, que decidiu tocar em frente sua vida amorosa. É importante que ele saiba o quanto você se sente invadida com este tipo de comportamento obsessivo da ex dele e que gostaria que ele fizesse algo a respeito, sem acusar a outra de nada. Atuais bem resolvidas vivem a própria vida ao invés de criar problemas com o passado do outro.  

Mulheres que não superam o fim de um relacionamento costumam aparecer como fantasmas, porque não percebem que são passado e, volta e meia, assombram a paz do rapaz e do casal, tornando-se um tormento pra ambos. Nem a mais compreensiva, tolerante e paciente namorada aguenta tanta assombração...

A ex louca é aquela que não perde um passo: provoca situações, checa redes sociais pra não perder um segundo do novo relacionamento, manda mensagens e liga só pra marcar presença. Amizade entre ex tem limite. Ex que quer compartilhar tudo como se ainda fosse parte de um casal, impondo sua presença constantemente é taxada até pelos psicólogos como um problema. 

Lidar com bagagens do passado é OK, mas malas, como já disse num post anterior, cada um que carregue a sua. Se a ex é maluca, o melhor a fazer é torná-lo ex e dar espaço pra alguém com histórias de rompimentos saudáveis e civilizados, exceções como nós.Me nego a acreditar que todo futuro romance será tumultuado por conta de mulheres piradas e frustradas. Afinal, deve ter uma ou outra bem resolvida como eu por aí, que deixa o passado pra trás dando lugar pro novo, disposta a começar do zero!

27 maio 2013

Conversando com meninas



É inevitável, eu sei. Toda vez que você vê uma menina toda enfeitada, com vestidinho florido e sapatinho de boneca dá vontade de apertar as bochechas dela e dizer: “Como você é fofa! Dá uma voltinha, deixa-me ver que coisa mais linda!”. Afinal, o que há de errado nisso, não é mesmo? Este é o tipo de conversa padrão que temos com menininhas pequenas, que se vestem como princesas, só pra quebrar o gelo. Elas são fofas, lindas, bonitas, bem vestidas, tem unhas pintadas e coloridas e estão sempre com o cabelo impecavelmente preso. 

Pois bem, quando esta vontade louca de elogiar uma menina – exatamente desta forma – aparecer, respire fundo e conte até 10. Não há problema nenhum em fazer um elogio sincero, enaltecendo sua autoestima. O texto de Lisa Bloom me fez repensar este simples gesto e nas consequências que um elogio desses traz.

Há um tempo, a ABC News apontou que quase metade das meninas entre 3 e 6 anos já se preocupam com a aparência e estão ligadas se estão acima do peso ou não. Uma boa porcentagem delas, aos 12 anos, usa rímel, delineador e batom, sem contar que já sofrem com distúrbios alimentares e com problemas de autoestima baixa. Hoje em dia, elas preferem vencer o America’s Next Top Model a ganhar o prêmio Nobel da Paz. Até quem chegou à faculdade diz preferir ser “gostosa” a “inteligente”. Basta ver a quantidade de mulheres que morrem em mesas de cirurgias, em procedimentos plásticos desnecessários, deixando filhos e família pra trás em troca da beleza perfeita, com menos rugas e tudo apontando pro alto. 

Ensinar meninas que a aparência é a primeira coisa que se nota, mostra à elas que o visual é mais importante do que qualquer coisa, inclusive mais relevante do que aquilo que ela tem na cabeça. Ou seja, hoje temos meninas de 5 anos fazendo dieta, de 11 com base na cara, com 17 pensando em prótese de silicone e aos 23 com o rosto completamente esticado por botox. Com tanta exigência, é cada vez mais comum encontrar mulheres tão novas infelizes com aquilo que estampam por fora.

O que está faltando? Uma vida que faça sentido, mais livros, mais cultura, mais estudos, mais valor ao que se pensa e conhece ao invés do que se veste e usa. Ser inteligente é bem melhor, porque gostosa qualquer uma pode ser. A mulher de hoje em dia já é tão esculachada pela mídia e sociedade que só falta ela própria desvalorizar o cérebro que tem. 

Como Lis Bloom sugere, tente manter um diálogo inteligente com a próxima garotinha que conhecer. Explore o cérebro dela ao invés do vestido que usa e de quão bonito é a cor do esmalte que tem. Pergunte o que está lendo, do que ela gosta e por quê? Mostre pra ela como uma mulher pensante fala e age. Isso vai mudar o mundo? É claro que não! Mas começar com um grãozinho já faz uma baita diferença!

26 maio 2013

Não, obrigada.

Excelente!
Não li a Veja esta semana (e nem as passadas!), mas ontem, na fila do supermercado, a capa desta edição me chamou a atenção. E achei excelente!

Vamos lá: os tempos são outros... Hoje em dia, mulheres não procuram mais maridos pra serem sustentadas e terem seus gostos bancados por eles. Elas procuram trabalho e, nele, encontram o dinheiro que precisam pra ver seus sonhos (materiais) realizados. Mas é lá também que encontram reconhecimento e realização que dinheiro nenhum pagam.

Imagina a luta da sua avó ou mãe pra conseguir um lugarzinho no mercado de trabalho dominado, no passado, por um bando de marmanjos machistas, que achavam a mulher incapaz de exercer as mesmas funções que eles comandavam. Deve ter sido bem difícil pra elas...

Antigamente, a mulher encontrava no casamento e na maternidade toda a realização de uma vida. Porque, lá atrás, ela havia sido preparada pra isso. E só pra isso. Como a Veja mesmo reconheceu "as mulheres que dizem não à maternidade fazem parte de uma revolução de costumes que está mudando a cara do Brasil e do mundo". Não estou aqui desmerecendo quem fez esta escolha de coração, mas quem faz isso só pra seguir o que a sociedade impôs desde o começo da humanidade tá na hora de ter um pouco mais de personalidade e seguir aquilo que realmente a satisfaz.

Não é toda mulher e, hoje vejo essas mulheres como uma boa maioria, que precisa de um outro ser pra se sentir completa. Nascemos sozinhos e vamos morrer assim. Criar filhos é muita responsabilidade que, como disse num post não muito antigo, posso apenas imaginar. Mas, colocar filhos no mundo pra jogá-los nas mãos de babás despreparadas pra educação ou interná-los em escolas integrais só pra, também, poder dar conta da vida profissional é muito egoísmo.

Tiro o chapéu pras mães-mães, aquelas que acompanham os filhos em tudo e que conseguem criar adultos melhores. Mas acho vergonhoso saber que há mães por aí que tiveram filhos apenas pra alimentar o ego e calar a boca de uma sociedade que cobra este papel das mulheres, dizendo: "OK, fiz minha parte, tive um filho".

Filhos são opção. Não obrigação e acho ótimo uma revista, de vez em quando, lembrar a sociedade disso. Os tempos são outros... E, podemos sim ser felizes sozinhas!

22 maio 2013

O dicionário das crianças




Quer saber se você é um bom exemplo? Observe as crianças com quem convive. Elas são a cópia perfeita daqueles que estão frequentemente à sua volta. Elas não são o que os adultos dizem ou pedem que sejam, mas o que fazem, porque palavras – pros pequenos – são abstratas, eles não podem tocar, por isso não entendem. Mas ações – aquilo que eles podem ver – são exemplos que tornam o que é “dito” concreto e daí viram repetições.

Vejo muitas crianças carinhosas e outras, agressivas. Basta conhecer os pais pra entender esses comportamentos. Então, os beijos ou os tapas acabam sendo explicados, sozinhos, sem a necessidade das palavras. 

Um professor colombiano teve uma ideia incrível: por 10 anos, coletou definições de seus alunos (crianças entre 5 e 12 anos) para criar um dicionário com verbetes puros, lógicos e reais. São mais de 500 definições pra palavras de A a Z. Nele, dá pra ver como os pequenos entendem e enxergam o mundo, aquele que há muito foi esquecido pelos adultos. 

Pras crianças, a palavra criança significa “amigo que tem o cabelo curtinho, não toma rum e vai dormir mais cedo”. Já um adulto é “a pessoa que em toda coisa que fala, fala primeiro dela mesma”. Já o ancião é um homem que fica sentado o dia todo, branco é a cor que não pinta, dinheiro é coisa de interesse pros outros com a qual se faz amigos e, sem ela, se faz inimigos. Deus é o amor com cabelo grande e poderes.
As crianças enxergam a guerra como algo em que as pessoas se matam por um pedaço de terra ou de paz. A inveja é o mesmo que atirar pedras nos amigos. Os adultos vão à igreja pra perdoar Deus, mãe é alguém que entende e depois vai dormir e paz é quando alguém se perdoa. 

Quem explicou isso à elas? Ninguém! Elas observaram e chegaram às próprias conclusões, pois ainda são imaturas pra associar palavras com significados abstratos. Por isso, cuidado com o adulto que você é perto de uma criança. Se quer formar um cidadão com caráter impecável, tenha absoluta certeza de que o seu tá em dia.

17 maio 2013

Pequenas instruções pra vida

Ouça (e valorize) a voz da experiência!
Quem disse que a vida vem sem manual? Bom, se pensar – literalmente – não vem mesmo, quando você nasce não recebe uma cartilha dizendo como agir e o que fazer. Mas, se parar pra pensar, o que não falta é professor.

Gosto de ouvir histórias de gente idosa. Claro, não as de doença... Mas aquelas que são verdadeiras lições de vida e que dá vontade de tomar como exemplo e fazer igualzinho. Respeito muito o que dizem. Já viveram bastante, não apenas pra ganhar atendimento preferencial, mas também a nossa admiração.

Eis as lições de William Snell, um senhor de 95 anos que, em 1993, resolveu escrever esta lista. Quantos destes ensinamentos você já colocou em prática?

1. Cante no chuveiro.
2. Trate todas as pessoas que conhecer da maneira como você gostaria de ser tratado.
3. Veja o sol nascer pelo menos uma vez por ano.
4. Nunca recuse brownies feitos em casa.
5. Procure a excelência, não a perfeição.
6. Plante uma árvore no seu aniversário.
7. Aprenda 3 piadas “limpas”.
8. Devolva os carros que pegar emprestado com o tanque cheio.
9. Nunca perca a oportunidade de dizer a alguém que o ama.
10. Deixe as coisas sempre um pouco melhor do que as encontrou.
11. Não complique.
12. Tenha pensamentos grandes, mas não despreze prazeres pequenos.
13. Torne-se a pessoa mais positiva e entusiasta que já conheceu.
14. Perdoe a si mesmo e aos outros.
15. Diga sempre “obrigado”.
16. Peça sempre “por favor”.
17. Evite pessoas negativas.
18. Vista sapatos bonitos.
19. Lembre-se do aniversário das pessoas.
20. Comprometa-se a ser sempre melhor com você mesmo.
21. Aperte a mão com firmeza.
22. Mande cartões de Natal e assine todos.
23. Olhe nos olhos.
24. Seja o primeiro a dar “oi”.
25. Devolva tudo o que pegar emprestado.
26. Faça novos amigos, mas conserve os antigos.
27. Guarde segredos.
28. Plante flores na primavera.
29. Tenha um cachorro.
30. Sempre aceite mãos amigas.
31. Pare de culpar os outros.
32. Seja responsável por todas as áreas da sua vida.
33. Acene para crianças num ônibus escolar.
34. Esteja por perto quando as pessoas precisarem de você.
35. Não espere que a vida seja justa.
36. Nunca subestime o poder do amor.
37. Beba champanhe sem nenhum motivo especial.
38. Viva sua vida como se fosse uma exclamação e não uma explicação.
39. Não tenha medo de dizer: “Eu errei”.
40. Não tenha medo de dizer: “Eu não sei”.
41. Elogie até mesmo os pequenos progressos.
42. Cumpra o que prometeu, não importa o que aconteça.
43. Case-se apenas por amor.
44. Retome velhas amizades.
45. Seja grato.
46. Telefone para a sua mãe.
47. E para o seu pai, caso eles ainda estejam vivos...

15 maio 2013

A princesa, o plebeu e a bruxa

Quem te conhece, que te compre!
Era (mais) uma vez, uma linda princesa que vivia muito feliz. Sempre cercada de amigos e príncipes, a princesa gostava muito de ser livre. Foi criada assim pela rainha, a sua mãe, que também ensinou a importância do respeito aos outros e da educação.

Diferente das outras princesas, esta aqui morava sozinha num castelo só dela, próprio e bem alto. De lá, podia ver o sol nascer todos os dias, porque se levantava bem cedinho para trabalhar. Sim, esta princesa trabalhava. E como! T-o-d-o-s os dias... E adorava! Gostava muito das crianças que encontrava por lá e este sentimento era recíproco. Tinha delas, também, o carinho, pois era uma pessoa muito boa e que gostava de falar de valores. Eles ouviam e sempre aprendiam alguma coisa.
Quando não estava trabalhando, a princesa gostava de tomar café lendo livros. Tinha uma pilha deles e sempre comprava mais. Gostava muito, também, de ir aos bailes do seu povoado – uma cidade muito grande e que não dormia nunca. Nestas festas, ela bebia, conversava com os amigos, era galanteada por muitos príncipes e ouvia sua música preferida, o rock n’ roll.

Num belo dia, a princesa recebeu um pequeno bilhete enviado por um plebeu, que parecia vir de muito longe. Nele havia um convite para sair. O plebeu explicou que o irmão havia aconselhado-o a se encontrar com a princesa para um café. Ela acabou aceitando e os dois foram conversar.

Não demorou muito para que a conversa acabasse num romance, cheio de planos e muitas promessas. O plebeu levou a princesa para o reino onde morava, onde ela ficou por um tempo. Porém, o que ela não sabia é que, aquela linda história de amor, seria estragada por uma bruxa, uma mulher feia, invejosa e muito má, que morava num povoado afastado e muito pobre, que espiava todos os passos do casal de longe.
A princesa, muito boa, passou a ser perseguida insistentemente pela bruxa, que também começou a ameaçar o plebeu. Assustados, os dois decidiram se isolar. Porém, a bruxa, muito, muito má, não desistiu. Passou a persegui-los cada vez mais e mais. Com inveja da história de amor dos dois, a bruxa - que havia sido um dia abandonada - acusava a princesa de coisas que não eram verdadeiras, o que a deixava cada vez mais triste, pois desde pequena aprendeu a falar somente a verdade. O plebeu não podia fazer nada, pois a bruxa dizia que trancaria uma pobre e indefesa criancinha em sua masmorra e nunca mais a deixaria sair de lá... A princesa não tinha para onde correr, pois a bruxa sempre a encontrava!

Os finais de semana, antes tão aguardados pela princesa e pelo plebeu, passaram a ficar monótonos. Ela e o príncipe não podiam fazer muito. Ela sentia falta de ser livre como antes. Queria muito poder fazer o que sempre fez, da forma como fazia, sem ser controlada pelos olhos da invejosa bruxa.
Cansada de tanta maldade e perseguição, a princesa decidiu voltar para o seu castelo. Lá, recebeu bilhetes de muitos príncipes. Príncipes de verdade! E lembrou-se de uma importante lição que aprendeu com um deles no passado: que ela merecia o melhor, sempre!
O plebeu? Bem, o plebeu viveu infeliz para sempre, perseguido pela bruxa feia, que ele tanto temia, mas desprezava e sentia nojo.

Fim.  

14 maio 2013

Uma vírgula, muda tudo.

Vírgulas são fundamentais. Ponto final, também.
Tem uma coisa que me incomoda demais. Mais do que gente falando da minha vida, mais do que lugar lotado, mais do que dia frio e chuvoso, mais do que tudo aquilo que não suporto junto: erros de português.

Tudo bem que nosso país não é campeão em educação ou até mesmo em valorizar os profissionais desta área, mas eu não consigo aceitar – ou entender – como alguém, que até teve um certo acesso à escola e frequentou salas de aula, consegue escrever mal ou desconhecer certas regras (básicas) gramaticais, concordâncias e ortografia.

As diferenças entre “mas” e “mais”, “a” e “há”, saber o lugar certo onde se coloca uma vírgula ou um ponto final não é tão difícil assim, vai. Desconhecer a própria língua é triste. Muito, muito triste...

Vírgulas não separam o sujeito do predicado, ou do verbo (a ação, se pra você fica mais claro assim). Elas servem como uma pausa na leitura, um respiro e separam frases completas, ou seja: com sujeitos e predicados, sujeitos e predicados. E não: sujeitos, predicados. Listas são assim, não frases. A pontuação no lugar errado compromete absolutamente tudo aquilo que você queria dizer.

Apoio todas as formas de expressão, desde que elas expressem alguma coisa e não o seu desconhecimento gramatical. Do contrário, aconselho pesquisas no Google e o uso do corretor do Word. Pra quem não domina a própria língua, é ótimo, não falha! Leitura também vai bem... Enriquece o vocabulário e ocupa o tempo. 

É lógico que não estou me referindo aqueles que, por alguma má sorte na vida, não tiveram a oportunidade de aprender. Seria cruel demais da minha parte e isso, não combina comigo, uma professora e jornalista, conhecedora do idioma do país no qual eu nasci. Mas, gente, se você já tem idade pra acessar redes sociais, é porque já tá grandinho pra saber como escrever e sabe, no mínimo, criar login, senhas e é curioso pra LER sobre a vida alheia. 

Aqui vai a minha dica: antes de tentar aventurar-se numa segunda língua – acho digno aprender e tiro o chapéu pras pessoas que se dispõe a estudar -, tenha certeza de que seu português é bom. Não precisa ser impecável, porque daí talvez seja mesmo pedir demais (nossa língua é cheia de “pegadinhas” e, pra piorar, tem novas regras de ortografia), mas compreensível já tá bom.

13 maio 2013

A mala

Mala velha
Não gosto de arrumar malas. Sempre que viajo é uma tortura tentar fazer todas as roupas que eu gostaria de levar caber dentro de um espaço tão "pequeno". Às vezes, levo dias e isso não é exagero. Faço listas, confiro a previsão do tempo um bilhão de vezes, arrumo, desarrumo, troco peças, coloco-as de volta, experimento combinações, é um verdadeiro processo! E, no final das contas, sempre levo mais do que realmente preciso. Desfazer malas também não é meu programa preferido. Esvaziar leva tempo, viu.

Vai ver que é por isso que tanta gente faz essa analogia de mala com coisa chata. Bom, pelo menos neste post essa figura de linguagem vai fazer sentido. Porque, no fundo, é assim que encaro um pouco a vida e relacionamentos.

Ninguém gosta de carregar bagagem. No começo ainda vai, porque a viagem parece fazer valer a pena o esfoço, mas com o tempo, ela vai ficando pesada, desconfortável e difícil de levar. E ninguém quer carregar peso. Mas, mala vazia, todo mundo coloca no ombro com prazer!

Com relacionamentos, e a vida, é a mesma coisa: ninguém quer carregar a mala dos outros. Mesmo que por gentileza, há um limite. Você até ajuda, mas depois de um tempo, aquele fardo se torna um saco, afinal a bagagem não é sua.

Pra começar uma nova viagem é preciso esvaziar a mala. Tirar tudo, absolutamente tudo, o que há dentro pra embarcar em outra jornada. O que se usou numa viagem não vai servir na outra. Os lugares, as pessoas, as situações são diferentes. O bom é começar com tudo limpinho, passado e cheiroso. Porque os outros não são obrigados a conviver com a imundice das suas experiências passadas, o cheiro, os vincos.

O problema é que tem gente por aí que não consegue se livrar do excesso de babagem. E essas são as que mais incomodam, as que custam mais caro. Porque roupa velha e suja devem ser lavadas em casa e permanecer por lá, dentro de um cesto.

Esvaziar malas leva tempo. E é assim mesmo. É legal encontrar alguém disposto a ajudar, mas desde que as roupas velhas fiquem no fundo da gaveta. Doe roupas que não servem mais e, antes de passá-las pra frente, certifique-se de que a mala velha vai junto também!

Minhas malas são sempre cheias, como disse no começo. Mas sou a única a carregá-las. Respeito o tempo - o meu tempo - pra esvaziá-las e colocar o que tinha dentro no lugar certo. E prefiro ter certeza de que as coisas ficarão por lá, quietinhas, antes de comprar a passagem pra próxima jornada. Ninguém é obrigado a conviver com as experiências pelas quais eu passei. E é por isso que acho tão bacana todas as que vivi: elas sabem exatemente o lugar onde devem ficar, no passado.

Mas fazer o que se tem gente que gosta de carregar mala velha com roupa de liquidação, né? Pra essas, infelizmente, não dá pra desejar "boa viagem"...