18 junho 2013

Ordem em progresso?

Quanto tempo vai durar essa obra?


Tenho sido bastante ofendida por “amigos” no Facebook quando posto minhas opiniões a respeito do que vem acontecendo no país. Bom, como resposta deleto e bloqueio todos, pra ter certeza de que os pontos-de-vista ditatoriais deles não me incomodarão mais.

Eu nasci na Ditadura (tinha quase 10 anos quando ela acabou), enquanto eles ainda estavam no saco do pai e ainda nem eram planejados. Lembro da minha “hora de ir dormir” ser marcada por um documento que mostravam na TV antes de um programa começar. Vi (e me lembro beeem!) as Diretas Já, a eleição do primeiro presidente depois disso, acompanhei o enterro dele pela televisão, a Constituição de 1988, tive aulas de Educação Moral e Cívica na escola, acompanhei o Impeachment do Collor e tudo o que se seguiu, politicamente, depois disso. Eu não nasci ontem e nem votei em NINGUÉM que está atualmente no poder, porque anulei meu voto nas últimas eleições como forma de protesto (ah, se naquela época eu tivesse sido maioria...). 

Acho digno um país protestar por mudança. O que se viu ontem, pelo menos aqui em São Paulo, pode ter calado meu discurso em partes. Mas acho que ainda faltam argumentos pra me convencer de que toda essa luta vai valer a pena. Sabe por que? Justamente porque não nasci ontem. Vi o povo nas ruas pelo Impeachment do Collor e, pouco depois, abandonar a luta porque dois anos mais tarde a conquista da Copa do Mundo era mais importante... Assim como a micareta, encher a cara com os amigos nos bares durante partidas de truco, as viagens de férias pra fora do país. 

Infelizmente, a memória e a força de vontade do brasileiro são curta e pequena. Quero muito estar errada, juro! Mas ouvir dos próprios manifestantes “quero acreditar” é até meio desanimador. “Acreditar” é pouco. Tem que “fazer”. Aliás, fazer. Sem aspas mesmo. E isso deve começar pelos cartazes e pichações que tenho visto esses dias. 

Não faço parte desta maioria que estava sentada no sofá, que resolveu acordar e colocar as asinhas de fora. Enquanto eles acompanhavam todas as edições do Big Brother, eu estava estudando, trabalhando, lendo livros, alimentando meus argumentos. Sempre é tempo pra acordar? Claro! Mas acho que o povo brasileiro estava hibernando. Ontem fui criticada por estar trabalhando e não, protestando. O país tá tão de ponta-cabeça, com valores tão invertidos que trabalhar passou a ser considerado o cúmulo do absurdo. 

Eis aqui a minha resposta ao que reivindicam:



- Todos nós temos direitos, mas o seu direito termina onde começa o meu. Pichar muro é invasão ao espaço de outro alguém. E sabe quem paga pelo vandalismo e depredação em locais públicos? Você mesmo (ou o seu pai), otário! Reivindicando por salários melhores e redução de impostos enquanto se quebra um país, quem paga a conta é você. 

- Seu salário não aumentou porque é, provavelmente, uma acomodada. Aliás, quais as chances do seu salário aumentar se você não trabalhou ontem? O meu, por ser dedicada e responsável, aumenta todo ano! Quer ganhar dinheiro no mole? Vá ser política! Pelo menos já está agindo como uma, falta apenas conseguir votos...

- Realmente não são só 20 centavos. São anos de gente votando errado, elegendo palhaço e jogador de futebol pra representá-lo no Congresso. Vinte centavos não é nada comparado à imbecilidade de um povo que brinca quando vai às urnas. O maior protesto deve ser feito nas eleições, mas já se passaram algumas e o povo, apesar de reclamar dos governantes, continuam elegendo os mesmo.

- Nem todos são como a grande maioria – que passa o dia no Facebook ou dando ibope pro BBB. Eu, por exemplo, não sei nem qual é a programação da Globo, já vocês parecem bem inteirados quanto a ideologia desta emissora... Não foi esse um dos muitos argumentos gritados nos protestos? Quem é que fica na frente da TV, hein?

- Eu, sentada no sofá? Não, não querido/a. Trabalhando, e muito. Aconselho vocês a fazer o mesmo. Não mata ninguém e é a forma mais forte de protestar, até porque o governo não sabe o que é isso. Gente que promove paralisação gosta de férias. Nunca vi ninguém mudar, estacionado no mesmo lugar.
 
Quando os argumentos do protesto forem justos, quem sabe eu não abrace a causa. Apoio a mudança no país. Aliás há muito tempo (basta fuçar meus posts aí...). Mas coerência não faz mal a ninguém. Apoio protestos nos finais de semana (enquanto boa parte dos manifestantes está com a cabeça na balada), desde que pacíficos (porque ninguém ganha briga no grito) e organizados (porque de bagunça já basta este país).

Enquanto o brasileiro não respeitar faixa de pedestre, vaga de deficiente físico e fila de idoso não terá o meu respeito também.

16 junho 2013

Qual é a causa mesmo?

Brincando de protestar
Não se falou em outra coisa esta semana. Ou melhor, até se falou: na quarta-feira, Dia dos Namorados, um bando de gente prestando "homenagens" pros seus queridos foi a pausa "romântica" (nem vou entrar no mérito da questão, mas deveria ser "hipócrita") pro o assunto que tomou conta das redes sociais, os protestos na Avenida Paulista, depois que o governo do Estado e a prefeitura oficializaram o aumento de R$0,20 no aumento da passagem dos ônibus, que custa hoje R$3,20.

Entendo que o trânsito e o transporte público nesta cidade são uma porcaria e que o aumento não veio em boa hora. O país está, de novo, com uma baita inflação e, só quem sabia contar dinheiro lá nos anos 80, lembra bem como era sair de casa pra comprar alguma coisa e dar de cara com um preço diferente a cada dia. Mas quebrar a cidade pra mostrar a revolta contra aquilo com que não se concorda? Até a causa mais nobre do universo perderia a razão.

Foi traçado um perfil dos manifestantes que brigaram - a princípio pelos R$0,20 - na Paulista. A grande maioria era formada por filhinhos de papai (que pegaram carona de volta pra casa, em carrões importados depois dos protestos), estudantes (que estão fora deste aumento, porque pagam só metade do preço da passagem) e baderneiros (que estavam lá se aproveitando da situação pra colocar fogo em tudo, porque é isso o que fazem desde criança). Não me lembro de ver fotos ou depoimentos de trabalhadores, que saem de casa às 4 da manhã pra chegar ao serviço às 9h, protestando contra os centavos a mais na passagem. Aliás, eles foram os maiores prejudicados nesta história toda e não por culpa dos R$0,20, mas com ônibus depredados das linhas que eles usam pra chegar lá na puta que pariu como fizeram mesmo pra voltar pra casa depois de um dia longo de trabalho? Filhos de papai ofereceram carona? Errrrr..... ? (pausa pra um minuto de silêncio)

Depois de vários protestos, as pessoas já nem sabem mais porquê estão brigando. Um bando de militante de meia-tigela divulgando que não é pelos R$0,20, mas por toda a corrupção de um país. Péra um pouco! O país se tornou corrupto esta semana? Eu nasci num país assim e isso já tem, no mínimo, 3 décadas. Justificar a quebradeira, a baderna, o vandalismo e tudo o que fizeram de errado esta semana num país corrupto torna este monte de arruaceiros tão covardes quanto os políticos que temos por aqui.

Agora a Copa do Mundo não deveria mais acontecer? É injusto desviar o dinheiro da educação, saúde e melhorias no transporte pra justificar o aumento de R$0,20? Claro que não! Mas o protesto chegou com quase 7 anos de atraso, já que o Brasil foi escolhido país-sede em 2007. Por que não protestar naquela época? Ah, sim... Estavam esperando apenas um aumento de 20 centavos num transporte que eles não usam pra justificar a zona. Ou será que estavam preocupados demais com a classificação do seu time do coração no Campeonato Brasileiro?

Não estou aqui defendendo o Estado ou a posição dos nossos governantes, quem me conhece sabe bem que sou desfavorável a todos eles, mas nem por isso saio quebrando tudo porque não é assim que as coisas se resolvem. O governador já se propôs a conversar com um grupo desses baderneiros quando voltar de uma viagem (aquela que ele está usando para promover o país e tentar trazer os olhos de outros governantes pra cá). Filhinho de papai, muito mimado, quando não é atendido ou contrariado, se comporta exatamente assim. Sem razão!

O que tenho achado mais engraçado nisso tudo é que não tenho o direito de não concordar com essa bagunça toda. Se não sou à favor dela, sou vista como "oposição" por essas pessoas que estão pregando o valor da democracia (na cabecinha limitada delas). Péra um pouco, de novo: eu faço parte de uma democracia, onde posso concordar ou discordar? Essa garotada que se julga democrata está com a cabeça mais na ditadura do que todos aqueles que se abstém de protestos idiotas como estes. De novo, não sou a favor do aumento da passagem, mas contra a quebradeira. Ficou claro ou vai ser preciso pichar isso num muro pra que minha opinião fique clara? Liberdade de expressão pra todos pensarem da mesma forma é ditadura e o crime de opinião já foi extinto do Brasil há anos.

E, se lá no começo do post chamei o romantismo de hipocrisia é porque esta semana deveria ser taxada exatamente assim, hiócrita. Vi um bando de "apaixonado", pagando de bom moço se declarando pra mulher e pra namorada enquanto nos outros 364 dias me xaveca por inbox no Facebook e um bando de moleque sem causa nenhuma apoiando a bagunça, a briga pela igualdade, mas que não sobreviveria uma semana em Cuba, longe dos DVDs importados e dos video-games de última geração.

Faça um favor ao país: juntem-se aos políticos e vão todos pra p* que pariu! Quem quer brigar por um país melhor, não o destrói.

14 junho 2013

Era uma vez...

Explorando a imaginação


Posso ser considerada nova, ter carinha de bebê, mas já fiz tanta coisa nessa vida... Já viajei por todos os continentes, tive filhos (muitos!), dirigi carros grandes e de luxo, morei numa casa linda e em castelos, fui secretária, dona-de-casa, arquiteta, escritora, professora e empresária. Já cozinhei pratos exóticos, fui modelo, cantora, apresentadora de TV e até Paquita! Namorei o Tom Cruise na época do Top Gun e o menino do Karatê Kid, aquele do primeiro filme. Fui rica, muito rica! Ish... Já fiz tanta, mas tanta coisa!

Pensei nisso outro dia enquanto assistia meninas de 5 anos brincando no jardim da escola. Tudo o que elas tinham em mãos, naquele momento, era uma única boneca, que na cabeça delas ainda estava pra nascer. Cada uma delas interpretava um papel: pai, mãe, professora e babá. Num momento estavam aguardando o nascimento do “bebê”, no seguinte dirigiam carros imaginários, falavam com pessoas imaginárias, comiam comidinhas imaginárias, ensinavam crianças imaginárias, moravam numa cidade imaginária e tinham uma rotina imaginária. Exatamente como eu fazia quando era criança.

Crescemos e passamos a dar valor pras mesmas coisas que valorizávamos quando crianças, mas que estão – muitas vezes – longe do nosso alcance (uma pena, Tom Cruise...). Só que aquelas coisas custam dinheiro, muito dinheiro, dinheiro real e, por isso, acabamos crescendo frustrados. Não valorizamos aquilo que, na real, somos capazes de conquistar com o nosso suor e esforço. Ficamos presos a essa infância, época em que a nossa moeda mais poderosa era a imaginação. Éramos extremamente felizes com as coisas que não podíamos ter e que existiam só na nossa cabeça. Hoje, somos infelizes com aquilo que temos, que podemos comprar, porque queremos sempre mais. 

O que acontece com a gente quando a gente cresce? Que coisa é essa da infelicidade pós-infância? Se é a infância o período da vida em que mais aprendemos a partir de exemplos, por que mudamos tanto quando nos tornamos adultos? Ser criança é muito bom. Viver da imaginação, ter poucas responsabilidades, brincar o tempo todo, ser paparicado por alguém é incrível. Mas, cada coisa na sua fase. Tudo tem um momento certo. As lições da escola são substituídas pelos relatórios no trabalho, a comidinha de mentira é trocada por jantares de verdade, ganhamos um diploma e com ele uma profissão, as casas ganham paredes e os carros, rodas. As notas se tornam promoções e aumentos de salários.

Se parar pra pensar, os sonhos de infância se tornam reais. Talvez não na medida em que sonhamos ou sonhávamos, porque imaginação não tem limites. Mas que eles se realizam, ah.... realizam!