07 junho 2011

Simancol

Já pensou que maravilha se bom senso e simancol (aquele remédio, infelizmente, imaginário recomendado a quem não se manca) vendesse em farmácia? Eu andaria com cartelas na bolsa pra distribuir por aí, tipo esquema do SUS. Sim, porque, pra essas pessoas, que não se mancam mesmo, nem a minha cara fechada ou ironia funcionam.

Não consigo disfarçar, sei que devo fechar a cara de uma forma que, e se me olhasse no espelho teria medo de mim mesma numa situação dessas. Mas chato nasceu chato... E vai morrer assim, chato!

Ele não se liga que a hora dele acabou. Que ele não é (mais) bem vindo. Que não agrada. Que não pertence. Que as pessoas o toleram, porque são educadas e não porque se sentem bem ao lado dele. Ele não se toca de que já tá tarde pra ele. E que o melhor a fazer é pegar o caminho da roça sem dar tchau.

Que bom seria se esse santo remédio - o simancol - fosse real... A vida seria, com certeza, mais fácil!

01 junho 2011

Quanta hipocrisia!

Um ex-BBB morreu hoje, assassinado em casa, com um tiro na nuca. E daí? Quanta gente não morre da mesma forma neste país e ninguém nem sabe ou fala nada? Fiz uma piada a respeito e quem foi pro paredão dos meus "amigos" fui eu. O bom humor das pessoas anda nulo. Falta de p***. Na minha opinião...
 
O que acho mais engraçado é que o polêmico ex-BBB em questão, machista e sem a menor educação, foi eliminado do reality show com 70% de rejeição. Bastou o cara morrer (de uma forma muito suspeita) pra virar santo? Lógico que estou sendo extrema, mas pras pessoas entenderem certas coisas, é preciso ser bem exagerado.

Faço piadas de humor negro, sim. Mas respeito a cota de 30%. Sempre. Afinal, moro num país onde a cor da pele vale mais do que a inteligência. Onde criminoso não é condenado. Onde político samba em cima do meu dinheiro. Onde Copa do Mundo é mais importante que educação e saúde.

Sabe o que é mais triste ler? Que uma professora foi espancada pela mãe de um aluno em sala de aula, que algumas pessoas precisaram dormir no trabalho por causa da greve de transporte. Se o Sarney tivesse sido assassinado da mesma forma, aposto que meio mundo estaria fazendo piadas iguais ou piores. Comemorando, até! Então, qual é a diferença?

Ainda moro num país livre. Apesar de caro. E hoje, exatamente hoje, posso fazer a piada que eu quiser, pois depois de 6 meses trabalhando pro governo deste país de merda, finalmente posso gastar meu tempo e dinheiro da forma como eu quiser. Se eu fosse a favor da ditarura, voltaria no tempo. Mas, ao contrário desse pessoal hipócrita que critica o que eu digo, pra frente é que eu ando...

24 maio 2011

Péra aí... Foda-se?

O que tá acontecendo com o mundo? Ou com todo mundo? Tiraram a palavra responsabilidade do dicionário e esqueceram de avisar os responsáveis? Ou será que este termo saiu de uso, virou coisa brega mesmo e eu tô fora de moda?

Não sei se é porque "subi na vida" (e não que isso tenha subido à minha cabeça, até porque não tive lá muito tempo de me sentir a tal, e jamais faria isso...), mas tenho visto certas coisas (que antes nem percebia, porque tava ocupada demais fazendo o meu trabalho direito), que andam me irritando ao extremo. Ser chefe de qualquer coisa não é fácil e nem é pra qualquer um. Faz tempo que a tolerância não é mais zero. Anda negativa ultimamente. Confesso. Até porque estouro, às vezes, quando chego ao limite da compreensão. Mas, tenho certeza de que não sou eu a cri-cri da história ou a caxias desse enredo. Não coloque a culpa na minha TPM (até porque não sofro desse mal, graças ao generoso Deus), e nem no fato de, às vezes, esquecer de tomar o meu floral para "stress e tensão"... Mas, olhando com os olhos de quem precisa comandar parte da engrenagem, dá pra perceber que, o mundo do jeito que tá, não vai chegar a lugar nenhum!

Outro dia, perguntei pra minha mãe, onde poderia encontrar gente competente. O que havia acontecido com elas? "Já estão todas aposentadas". Tô chegando à conclusão de que ela tem razão. Tá todo mundo mesmo curtindo a vida no carteado ou passeando com os netinhos. Tá cada vez mais difícil achar gente que tá mesmo a fim de arregaçar as mangas e mandar ver. É praticamente impossível encontrar alguém que goste de verdade de trabalhar, que saia da cama de manhã com vontade de produzir. Nem que seja só pra receber o salário integral no final do mês! Parece que a humanidade tem vindo de fábrica com o chip "funcionário público" instalado no sistema: nego entra no horário comercial, bate uns carimbos, lê uns relatórios, passa o dia no MSN, atualizando fazendinha no Facebook, tomando café, pra ir pra casa às 5h da tarde como se tivesse mudado o mundo.

Meu sistema não foi configurado assim. Não conseguiria viver dessa forma. Acho que tenho capacidade de sobra acumulada em mim pra me conformar com uma rotinazinha dessas, mais ou menos. Não é excesso de competência, não é o fato de almejar mais, mas isso não me motiva a sair da cama e nem é a maneira como eu gostaria de ganhar dinheiro. Quem vive mais ou menos, é fato, não vai muito longe. Talvez por isso ver gente acomodada me irrita tanto. Parece que gente mesmo, como as que eram "fabricadas" no passado, estão fora do mercado. Saíram de linha de vez.

O vínculo que as pessoas criam, seja lá com o que ou com quem for, é cada vez menor e mais frágil. Parece que ninguém quer nada com nada. Casa-se e separa-se, com a mesma frequência com que a Madonna muda o cabelo dela. Contrata-se e despede-se, como se emprego fosse churrasco de final de semana. Compra-se. Troca-se. Joga-se fora. Descarta, como se absolutamente tudo fosse realmente descartável. Inclusive as pessoas. É um "foda-se" atrás do outro.

Cadê o compromisso? O zelo? A dedicação? A paixão pelo que se faz? Cadê a responsabilidade de quem já é maior de idade e que tem contas pra pagar no final do mês? Menos "foda-se"! Até porque, quem fode todo mundo o tempo todo, como se não houvesse amanhã, uma hora acaba fodido.

14 maio 2011

Coisas que as mulheres nunca vão falar

1. Nossa, como eu tô magra! Preciso engordar uns 3 quilos...
2. Amor, quer que eu lave a sua cueca?
3. Meu Deus, como as suas amigas são lindas...
4. Deixa que hoje eu pago o motel!
5. Me dá 5 minutos e eu arrumo a minha mala.
6. Relaxa... É sábado a noite, lógico que você pode ir jogar aquele futebolzinho com seus amigos...
7. Oba!! Filme de luta... Adoro!!
8. Querido, não sei dirigir muito bem... Será que você pode manobrar o carro pra mim?
9. Gente, o Brad Pitt é horrível!
10. Tá, amor... Desculpa! Eu peidei mesmo. Admito...
11. Adoro fazer uma faxina!
12. Amor, o que você acha de chamar aquela minha amiga que você acha gostosa pra fazer um ménage à trois?
13. Não vai esquecer de ir àquele happy hour com os amigos hoje, hein!
14. Adoro sua ex-namorada!!!
15. Aquela mulher é bem mais bonita que eu... Olha lá!
16. Tudo bem, você esqueceu meu aniversário de novo. Acontece, afinal você precisa mesmo memorizar tanta coisa, como a quantidade de títulos que seu time já ganhou...
17. Paguei tão barato naquele sapato. E à vista!
18. Acho que já tem comida o bastante em casa. Vamos levar só cerveja.
19. Não se preocupe, que eu troco o óleo e calibro os pneus.
20. Deixa que eu engulo!
21. É só sexo...
22. Não precisa me ligar amanhã. Espera 3 dias, é melhor...

07 maio 2011

69...

... é um bom número. O meu da sorte. Aliás, acho que de muitos... Não? Enfim, sem muito o que fazer (e percebendo que falo pouco, muito pouco sobre mim aqui), resolvi fazer uma lista com 69 coisas sobre mim. Não sei se agradaria, mas como tenho quase 2 mil views... Mataria a curiosidade de muita gente!

1. Decidi ser jornalista por causa do New Kids On The Block. Na época em que a banda era um sucesso (e eu não tinha bom senso pra perceber que aquilo não era música da melhor qualidade), eu montei um jornalzinho sobre eles e distribuia entre as amigas que gostavam deles também. Aliás, foi por causa do NKOTB que aprendi inglês. Ou seja, minhas duas profissões nas mãos de uma boy band...

2. O primeiro filme que assisti no cinema foi E.T., quando tinha 6 anos. Acho que é por isso que ainda gosto dele...

3. Eu gosto de rock n' roll. Amo, pra falar a verdade. Igual menino... Por exemplo, enquanto atualizo este post, estou ouvindo AC/DC. O Manifesto é, inclusive, o único lugar pra onde vou quando estou a fim de balada.

4. Nunca usei drogas. Mas já experimentei. Só fumei um daqueles cigarrinhos, sabe? Uma vez e só. Já tomei um negócio pra ficar acordada e... realmente fiquei: por 36 horas. Nunca mais.

5. Não gosto de cerveja, prefiro coisas com Coca Cola. Como Cuba Libre, Jack n' Coke e Long Island Iced Tea. Mas bebo pra socializar...

6. Já tive depressão e frequentei a terapia. Acho que ajudou...

7. Já passei 15 dias só bebendo água e leite. Não era regime, mas tristeza mesmo. Quando fico assim, não sinto fome e nem como nada. O lado bom do fato triste é entrar em forma!

8. Já fui traída por um ex-namorado. Perdoei o filho da puta e adivinha... ele fez de novo! Azar o dele, que até hoje corre atrás de mim. Tô nem aí.

9. Eu moro sozinha há mais de 10 anos e ainda não aprendi a cozinhar coisas decentes. Mas não morri de fome. Acho que me viro bem. E tá enganado se vivo a base de miojo...

10. Gosto de dormir abraçada. Quando não tem ninguém, vai o travesseiro mesmo!

11. Já engravidei, mas perdi no dia do meu aniversário, em 2007. Foi a decisão mais difícil da minha vida (de ter ou não) e perder depois da decisão tomada foi a coisa mais triste que já me aconteceu. Mas, Deus sabe o que faz...

12. Amo comida Mexicana (sei fazer chili, guacamole e Mojito - pra quem pensava depois de ler o número 9 da lista que eu só sei fazer arroz e macarrão!) e Japonesa. Mas não gosto dos japoneses...

13. Odeio assistir TV. Não tenho TV a cabo e só ligo a televisão em casa pra assistir seriados que compro ou filmes que alugo.

14. Ninguém acredita na minha idade. Chega a ser engraçado... Mas é bom saber que ainda tô conservada! E melhor do que essas menininhas de 25 anos!

15. Não gosto de dirigir. E não ligo pra carros. O meu fica sem lavar por meses, às vezes. E não sei o nome de nenhum deles, a não ser o meu mesmo.

16. Sempre acho que as pessoas estão tramando alguma coisa contra mim. Principalmente no trabalho. Então, tô sempre produzindo além do que devo pra não dar motivo pra que pensem que mereço comentários maldosos.

17. Sou legalzinha com quem merece. E não sei disfarçar quando não gosto de algo ou de alguém. Também sou do tipo que fala o que pensa, pra quem merece ouvir. Odeio quem fala pelas costas e nunca faço isso.

18. Já fiz coisas que não faria se estivesse sóbria. Subir e dançar no palco do Manifesto foi uma delas.

19. Não tenho medo de experimentar. E nem de tentar agradar. Entenda como quiser...

20. Gastei meu primeiro salário num disco do New Kids On The Block. Que idiota...

21. Quando eu tinha uns 4 ou 5 anos fui mordida por um Dálmata. Desde então tenho medo desse cachorro e nem consigo achar que ele é bonitinho.

22. Sempre demoro mais do que o normal pra me recuperar de uma perda. Ainda tô aprendendo a lidar com isso. Mas sofro muito. Sempre.

23. Dei o primeiro beijo aos 12 anos. O menino tentou me agarrar na frente dos meus pais. Foi estranho.

24. Já trabalhei pra uma revista pornô. Então assistir a filminhos de sacanagem, falar sobre sexo e ir a um puteiro são coisas não me constrangem.

25. Odeio atendentes de telemarketing. Acho que até a mãe deles sente o mesmo. Sou grossa com todos que tentam me vender alguma coisa e com aqueles que não são capazes de resolver um problema. Sem falar no gerundismo que eles usam.

26. Sou viciada em seriados. Friends, Prison Break, Dexter, Sex and The City, CSI e House são os meus favoritos.

27. Eu queria ter um amigo gay. Mas que não fosse daqueles afetados demais.

28. Já saí com alguém do trabalho. E aconselho: não é legal.

29. Já saí com meninos bem mais novos, já que não acreditam na minha idade, e cheguei à conclusão de que se eu realmente gostasse de crianças eu já teria tido uma.

30. Não que eu não goste de crianças. Amo minha sobrinha. Mas não planejo ter filhos. Ou, se isso não acontecer na minha vida não será o maior drama da humanidade. Trabalho com um monte de pivetinho fofo... Isso já me basta!

31. Gasto boa parte do meu dinheiro com bolsas, sapatos, seriados, comida, biografias de bandas ou roqueiros e agora, na minha nova tatuagem.

32. Uso lentes de contato, porque óculos me dá tontura. E sou míope pra cacete, praticamente cega!

33. Muitas coisas que irritam, mas injustiça e mentira estão no topo da lista. Sem falar na falta de educação. Odeio gente que destrata garçom, empregada/faxineira e porteiro!

34. Tenho um pouco de medo de lugares cheios. Por isso, evito-os. Shopping center em véspera de Dia das Mães e Natal é um lugar que eu não entro nem morta!

35. Adoro papinhas de bebê, principalmente aquela de maçã!

36. Não acordo de mau humor, mas não converso muito. Demoro uma hora pra entrar no clima e socializar.

37. Tenho poucas amigas, mais amigos. Confio mais nos homens.

38. Enlouqueço em livrarias. E costumo passar horas dentro de uma...

39. Confesso que tenho um pouco de preguiça de ler enunciados muito longos ou complexos.

40. Julgo as pessoas antes de conhecê-las. É meio uma forma de me proteger. Confio muito no meu instinto e quando ele diz que alguém não é do bem, não é mesmo.

41. Odeio conversas de elevador. Morando num prédio, rezo sempre quando entro no meu pra que ele esteja vazio.

42. Sou ruim em matemática. Até no 2 + 2. Uso a calculadora e não sei fazer porcentagem. Ah! E isso inclui meu dinheiro...

43. Costumava ser mais tímida. Não puxava assunto e nem conversava com quem não conhecia. Hoje, se não converso, é porque não quero mesmo.

44. As pessoas me acham metida. Não tô nem aí pra elas...

45. Odeio ficar esperando! O-D-E-I-O!

46. Sou meio sedentária. Odeio academia, malhar, gente que frequenta academia... Só jogo beach tennis quando estou na praia e olhe lá...

47. Nem sempre tenho TPM. Mas quando tenho... Nem eu me aguento!

48. Não gosto de gente que só fala gíria. Menina falando que vai pro "trampo" e depois tomar umas "brejas com os trutas" é horrível.

49. Adoro meu trabalho. Faço hora extra, sempre fiz, e financeiramente sei que não compensa. Mas não trabalho pelo dinheiro (é lógico que preciso dele pra pagar as contas e dar conta dos meus luxos), mas não suporto a idéia de ficar em casa sem fazer nada, sabendo que poderia estar fazendo alguma coisa.

50. Quando não tenho nada pra fazer, eu escrevo.

51. Um ex-namorado, uma vez, me disse que fui a melhor namorada que ele já teve. Tenho certeza disso. O melhor é saber que ele sempre irá me comparar com as outras...

52. Não consigo comprar um presente e guardar pra data especial. Tenho que dar logo e ver a reação de quem ganhou. Aliás, gosto mais de dar que receber.

53. Eu não ligo pra rótulos num relacionamento. Já "namorei" muitas vezes sem dizer que estava namorando. E era mais sério que qualquer outro compromisso "rotulado".

54. Rotina me deixa entediada. Não gosto de saber o que vai acontecer depois. Prefiro as surpresas.

55. Cada vez menos acredito no "eu te amo".

56. Ironizo pessoas que não sabem escrever corretamente. Acho um absurdo não saber falar a própria língua e achar isso "moderno". Eu sim acho engraçado a forma como as pessoas escrevem e publicam suas coisas por aí... É a melhor forma de atestar a burrice!

57. Adoro cheiro de canela e baunilha. Não é à toa que toda vez que vou à Starbucks peço cinnamon roll e vanilla late!

58. Pra mim, chocolate tá longe de substituir o sexo.

59. Quero que doem os meus órgãos quando morrer. Pode levar o que quiser de mim, se for pra ajudar alguém.

60. Só penteio meu cabelo depois de lavar. Não gosto de escová-lo ou penteá-lo.

61. Sou vaidosa, mas não ao extremo. Prefiro alimentar a cabeça a cuidar do corpo só pra impressionar os outros. Faço as unhas, corto o cabelo, faço depilação e só. Tá bom demais...

62. Sou meio descoordenada, tô sempre com as pernas roxas, mas consigo fazer várias coisas ao mesmo tempo. Só não consigo dar atenção pra várias pessoas ao mesmo tempo.

63. Apesar de odiar conversar no telefone, tenho 2 celulares e um em casa.

64. Aliás, durmo com os celulares na cama. Ligados. Adoro receber SMS mesmo quando estou dormindo, e acordo pra responder se eles forem do tipo que valem a pena.

65. Adoro tatuagem. Em mim e nos outros. Já fiz umas 11. Cobri 3 e estou fazendo uma nova, que vai levar uns 2 meses pra ficar pronta. Se pudesse, faria várias...

66. Sou ciumenta pra caralho... E demonstro. Mas não sou do tipo que dá show. Sento e converso se algo não me agrada.

67. Não penso em casar. Mas se isso, um dia acontecer, quero que seja em Las Vegas, depois de cruzar os Estados Unidos de moto, beber muito Jack Daniel's e pode entrar numa daquelas capelas de minisaia. Se for assim, eu caso... Do contrário, prefiro gastar o dinheiro em viagens.

68. Um dia eu disse pra minha mãe que queria uma Harley Davidson e ela surtou.

69. Fazendo jus ao número... Adoro sexo!

03 maio 2011

The bigger, the better


Cidade grande é impessoal. Você anda na rua e, se olhar pra trás, vai reparar que ninguém olha de volta (a não ser, é claro, em raríssimas exceções, dependendo do interesse). Ninguém tá nem aí pra você, pra roupa que você usa, pro que você fez ou faz, se você tá bem ou à beira da morte.

Você é só mais um. E, no fundo, acho isso ótimo! O bom de morar numa cidade assim é saber que, mesmo tendo gente próxima o tempo todo, todo mundo é ocupado o bastante pra cuidar da sua PRÓPRIA vida. É tanta coisa pra fazer, tanta opção pra ocupar o tempo livre que sobra pouco espaço pra meter o bedelho na vida alheia.

É uma beleza poder fazer o que dá na telha sem correr o risco de ter uma comissão à lá jurados xinfrins do Show de Calouros do Silvio Santos analisando cada passo que você dá, torcendo o nariz pra cada "merda" que você faz ou dando nota pra cada dia em que você realmente vive. Não que eu ligue pro que vão pensar, achar ou dizer, mas que isso enche o saco...

Pra mim, qualidade de vida é isso. Troco a calmaria da cidade do interior, a brisa do mar e todas as outras "vantagens" (até porque vantagem é coisa de ponto de vista) dessas cidadezinhas pequenas, pelo anonimato da metrópole.

04 abril 2011

Profissão do futuro

Sua mãe passa a vida te ensinando valores. A cruzar as pernas quando sentar. A prestar atenção ao comprimento da saia. A usar os bons modos... Diz que é importante cuidar do corpo, se dar valor. Ensina que homem que presta gosta de mulher difícil. Daí você cresce, acreditando que tudo o que ela disse era verdade. Vai pra faculdade, estuda, estuda, estuda... Aprende a falar outras línguas. Se forma. Arruma um emprego meia boca que te faz trabalhar horas pra ganhar um salário que nem chega ao final do mês. Depois de passar a vida assim, como boa moça de família, você descobre que - ao ligar a TV - toda essa postura de santa não vai te levar a lugar nenhum. A moda agora é ser puta! Agora são elas, as putas, que lançam livros. São as mulheres de vida fácil que faturam milhões no cinema num filme que conta a vida delas. São elas quem desbancam os outros nos reality shows e fazem você pensar: se nada der certo nessa vida, não vou virar hippie... mas puta! Não sou preconceituosa. E quem sou eu pra julgar o que elas fazem... Mas, péra aí: tem algo errado nessa sociedade. Com tanta variedade de cursos universitários preocupados em capacitar as pessoas pro mercado de trabalho, tanto MBA, pós, cursos, com tantas opções pra se ganhar dinheiro usando a cabeça, por que cargas d'água ser puta tá tão em alta? A mulher demorou tanto pra conquistar um espaço de respeito nesse mundo disputado e machista que, sinceramente, sinto que estamos regredindo. Às vezes, sinto vergonha por ser mulher. E das direitas. Sim, porque somos nós, as certinhas, que sofremos com tanta libertinagem. O mundo resolveu generalizar e tratar a maioria da mesma forma como trata essa minoria que oferece o corpo pra ganhar dinheiro. Puta não deveria ser profissão do futuro. Mas de um passado bem remoto. Quando a mulher não precisava usar a cabeça, mas só seu poder de sedução. Eu cobro, e caro... Mas é pra pensar. O corpinho aqui é de graça, mas pra poucos. Já a cabeça e o respeito próprio, esses dois, não têm preço.

22 março 2011

Até quando?



Já reparou que - cada vez mais - vivemos a vida, o hoje, com a certeza de que amanhã estaremos aqui de novo? Só que não é bem assim. Não dá pra saber quando vai ser o último hoje da nossa vida. Quando "amanhã" não vai chegar. Ou mesmo quanto o próximo segundo será generoso o bastante pra te deixar vivo.

Planejar. Agendar. Programar. Fazer tudo com antecedência pensando na velhice é, talvez, a maior perda de tempo. Pode ser prudente, mas enquanto se planeja o futuro, agenda coisas pra serem feitas lá na frente, se planeja o que se quer da velhice, deixamos de viver o agora. E ele não volta. Nunca.

Chega a ser irônico o quanto a morte nos faz pensar na vida. O tempo todo a vida dá sinais de que é boa, de que vale a pena, mas é a morte, o fim de tudo, que nos faz acordar pra aproveitar o que ainda nos resta. Infelizmente, alguém precisa partir pra ensinar os outros a viver melhor. Ou, simplesmente, viver.

Quando alguém se vai, muitas vezes achamos que a vida não é justa. Ou até que Deus não o é. Na verdade, não é nada disso. Complicamos as coisas simples, deixando de aproveitar o que temos aqui. Vivemos o tempo que devemos viver e ensinamos as lições que precisamos ensinar, sem saber até quando nossa missão vai durar. Aliás, nem sabemos qual ela é. Resta aos outros decifrá-la no dia em que partirmos. Esquecemos que as pessoas são empréstimos de Deus e que a vida é justa, sim. Pois tivemos a sorte de tê-las, em algum momento, mesmo que ele não seja tão longo, por perto.

Aceitar a perda pode ser doloroso. Mas a lição que ela nos deixa vale uma vida inteira.


(Post dedicado ao Rodrigo Coelho)

04 março 2011

Na minha época



Vi o McDonald's chegar ao Brasil. Joguei Enduro e Pac Man no Atari. Bebi muita Coca-Cola na garrafa de vidro. Pulei amarelinha na rua, desenhada com pedaços de tijolo, até anoitecer. Criava cadernos de perguntas e dava pros meus amigos responder e assinar. Tive caderno de caligrafia. Decorei a tabuada. E comemorei meus aniversários com brigadeiro feito em casa e bala de coco enrolada no papel de seda colorido.

Não desmereço a modernidade e muito menos a tecnologia. Afinal, seria contraditório demais negar sua importância enquanto atualizo um blog na internet. Mas acho que certas coisas perderam um pouco o valor com tantos avanços feitos.

Sou da geração que viveu esta transição. Fiz pesquisas dos trabalhos da escola nas Barsas da biblioteca e escrevia resumos em papel almaço. Hoje, não dispenso o Google, apesar de ter vivido muito tempo sem ele. E sobreviver. Por isso, sei que existe vida sem tanta modernidade.

Naquela época, o mundo tinha fronteiras e, talvez por este motivo, as coisas pareciam mais fáceis. Bem mais tranquilas. Batedores de carteira eram criminosos perigosos. E assistir à primeira guerra televisionada era o auge da globalização. Só não sabíamos que isso chegaria tão longe, tão rápido.

Eu sou do tempo em que as pessoas se conheciam nas vida real. Não existia Orkut, Facebook ou Twitter. As fofocas eram passadas de boca em boca e os scraps chegavam em forma de envelope, pelo Correio. Aliás, sou da época em que o Correio só servia pra mandar cartas e não pra pagar contas ou comprar Telesena.

Sou do tempo em que os mais novos respeitavam os mais velhos. Que a música que se aprendia na escola era o Hino Nacional. Sou da época em que se plantava feijão no algodão, porque celular eram coisas pros adultos. Andava de bicicleta na rua sem correr o risco de ser atropelada, descia ladeira de carrinho de rolimã, pulava com Pogobol.

As meninas pintavam o cabelo com papel crepom e não alisavam os fios com tanta química. Elas comemoravam as festas de 15 anos como festas de 15 anos, e não eventos sociais que custam o preço de uma casa. E ainda levavam ovadas na saída da escola. As fotos eram tiradas para recordar um momento e não para serem colocadas por aí. Crianças colecionavam geleca e não bichinhos virtuais. O bom era jogar bola na rua e não wii trancado dentro de casa. Plutão ainda era um planeta, as provas tinham cheiro de álcool do mimeógrafo. O pãozinho francês custava só R$0,10, a brincadeira do copo dava medo e o "peraí, mãe" era pra não sair da rua e não do computador.


Os tempos mudaram. E vão continuar mudando. Mas seria muito positivo se fosse tudo positivo. Não vejo as pessoas sabendo usar tanta tecnologia e modernidade com sabedoria. O que me faz sentir, cada vez mais, saudade da época em que eu ainda era uma criança.

03 março 2011

O outro lado do post anterior


Tá, vai... Confesso. Morar sozinha não é ruim. Se bem que depois do post anterior, duvido que muita gente se animaria a começar essa jornada tão incerta. Mas, tenho que admitir: morar sozinha é do caralh*!

Toda vez que tenho pesadelos, nesses sonhos tô dividindo uma casa - geralmente a minha mesmo - com minha mãe e irmão. Apesar de amá-los demais, de serem minha família, não me imagino morando com eles novamente. Aprendi a gostar de ter o meu espaço, de mandar nele e perder isso é tortura até em sonho. Poder fazer o que quero, na hora que me agrada e do jeito que me faz feliz é a melhor coisa do mundo!

Já faz tempo que não preciso comer todas as verduras que minha mãe escolhia pro jantar... Odeio legumes e essas coisas verdes. Mesmo sentindo falta do arroz e do feijão que ela fazia com tanto amor, posso me entupir de Doritos e Coca Cola quando chego em casa cansada do trabalho, sem paciência pra cozinhar, e não engolir aquele monte de mato só porque era o cardápio do dia.

Aonde você deixa a toalha depois do banho? Morando com os pais, a toalha fica aonde sua mãe quer. Não naquele lugar em que você esqueceu ou que prefere deixar. É lógico que, se você sair de casa e deixá-la largada, quando voltar pode encontrá-la no meio da sala, arrastada pelos fungos ou no mesmo lugar onde deixou, já que ninguém vai pendurá-la pra secar. A vantagem é não ter que ouvir groselha só porque a toalha não estava aonde "deveria" estar, segundo o Imaginário Decreto Mundial do Lugar para Pendurar Toalhas.

Não existe nada melhor do que poder comer no cômodo que mais te agrada. Confesso que, às vezes (mas bem às vezes mesmo), é ruim não ter com quem dividir a mesa do jantar. Mas comer em frente à TV, sem ter que socializar enquanto assiste o programa que mais gosta é impagável. Aliás, quem manda no controle remoto aí na sua casa? Eu tenho 5 e mando em todos eles. No volume, na programação e no lugar onde eu acho que devem ficar.

Já acordou atrasado pro trabalho e quando voltou pra casa depois de um dia do cão ouviu aquele esporro interminável por não ter arrumado a cama? Nem precisa tanto... Já acordou sem o menor saco pra arrumar a cama? Meu quarto, meu armário, minha mesa de trabalho e a pia da cozinha ficam do jeito que eu quero.

Não existe nada melhor do que sair e não precisar ligar pra casa pra avisar que vai chegar um pouco mais tarde, seja lá o motivo que for. Aliás, é constrangedor estar no meio de uma "situação" e parar tudo pra ligar e avisar que não vai dormir em casa. Eu poderia até ligar, mas não tenho nem secretária eletrônica pra pegar o recado. Saio e chego na hora em que eu bem entender e posso trazer pra casa quem me der na telha.

Quando vou ao supermercado, posso parecer - ao mesmo tempo - uma criança de 5 anos enchendo o carrinho de Danoninho, ou um homem de 30 comprando cerveja pro churrasco da vida dele. Optar por miojo no lugar das verduras, comida congelada pra forrar o freezer, latas e latas de leite condensado e muito refrigerante faz a vida de quem não divide nada com ninguém parecer uma festa sem fim. Sim, morar sozinho pode não ser nada saudável, pode ser ainda um pouco solitário e, às vezes, estressante, mas quem manda no seu pedaço é você. E todas as vantagens fazem do post anterior bons conselhos, mas desse aqui a melhor decisão da sua vida!