17 março 2010

Educação é luxo

Tenho medo da geração que vem por aí. Ter que conviver com ela não vai ser nada fácil. E é bom estar preparado, pois logo mais ela vai chegar tomando conta do espaço. Sim, tomando conta. Sem pedir licença, nem dizer "por favor". Chegar, chegando. Mostrando quem "manda" mais. Ou quem ela pensa que manda mais. É assim que ela é. Espaçosa e sem educação!
Quando eu era criança, fui educada pra conviver em sociedade. Pelos meus pais, que apesar de muito ocupados, faziam o papel de pais, como deve ser. Era tudo na base daquele papo todo de respeitar o próximo, o mais velho e as autoridades. Usar palavras mágicas como "obrigada", "por favor", com licença" e respeitar o espaço do outro, assim como eu gostaria que o meu fosse respeitado também. Não gritar e jamais usar a violência como modo de resolver as coisas. Cresci e não deixei de ser inferior a ninguém por ter o mínimo de educação.
Mas, parece que a minha geração está esquecendo de educar a próxima de forma apropriada. Treinam os cachorros que têm em casa, mas deixam os filhos ao Deus dará. Enquanto o cachorro abana o rabo pra agradecer o carinho que recebe, os filhos mandam os pais calarem a boca e não encherem o saco. Educação virou artigo de luxo. É como um opcional do carro zero...
Infelizmente, as crianças estão cada vez mais selvagens e cada vez menos aptas a viver em sociedade. Não respeitam limites. Não conhecem o significado da palavra "não". Não conhecem respeito. E não o respeitam também. Mereciam passear em coleiras e com focinheiras. Exagero? Garanto que não! E sim, isso me choca. E bastante.
Deveria estar mais acostumada a certas grosserias, mas tudo o que meus pais "perderam tempo" me ensinando não me deixam aceitar que isso é o certo. Gostaria de viver muitos anos ainda, mas não num mundo dominado por pessoas menos racionais e adestrados do que os bichos.

14 março 2010

Não é amor...


Acordei assim hoje: com uma vontade imensa de falar sobre o que é realmente o amor e, por mais incrível que pareça, decidi começar com o que não é AMAR - até porque quero crer que muitos de nós conhecem melhor o que não é amor - alguns poucos se permitem viver relações para as quais estão prontos.

Não é amar: viver em função do outro, viver em uma confusão de pensamentos e sentimentos que tiram o foco, viver triste, com receio da perda, do abandono, da mentira, aceitar migalhas, viver se rastejando, falar o que não sente, conceder indefinidamente, adiar sonhos, encolher, esconder-se, deixar-se morrer, anular-se.

AMOR É MESMO UM MILAGRE! Embora todos queiramos experimentá-lo, buscamos parceiros que não têm condições de nos mostrar o caminho? Não sabem, não conhecem o que é amar. Ignoram como é bom ter alguém por perto para compartilhar, ser e estar. Então, afinal, como é isso? Como é viver uma relação onde cada um dá o seu melhor? O amor floresce. Cada um decide - no dia-a-dia - escolher a relação. Com é viver dessa forma? Dois inteiros, dois que querem e investem no relacionamento, trocam?

Tenho amigos e amigas que vivem em histórias absurdas - aquelas que nascem para não dar certo. E a questão é sempre a mesma: SORTE, AZAR OU ESCOLHA? O que será? Fácil falar que não damos sorte no amor quando trazemos para nossas vidas tudo o que não dá, tudo o que não funciona, tudo o que não é amor.

Qualquer coisa. Pode ser paixão, excitação, autopunição, desejo - não sei. Pode ser qualquer coisa. Mas não AMOR. Essas situações mantém-nos reféns, nos fazem infantis, desajustados. Essas escolhas nos tornam eternos infelizes, vítimas, nos colocam no chão - abaixo do asfalto, abaixo do aceitável...

O AMOR É INCONDICIONAL... Ah, essa coisa que muitos vivem por aí não, não é verdadeiramente amor... Pode ser controle, dependência, pode ser simplesmente escolha com base em crenças erradas... Aquelas mesmas que trazemos da infância e repetimos na vida adulta. Crenças como "só eu vou poder mudá-lo", "ele me ama, só não sabe", "está acontecendo algo - forças estranhas separam nosso amor", "ele me quer - só não consegue aceitar", etc, etc. O pior é achar que tudo isso É NORMAL. Saiba que NÃO É NORMAL. Normal deveria ser o bom. Viver uma relação sem o medo eminente da perda, sem dor, sem sofrimento, sem qualquer função que nos tira do nosso foco, nossos sonhos, nossos planos de crescimento e desenvolvimento humano.

Normalidade. Posso lhes afirmar NÃO É NORMAL viver querendo morrer... Relações com essa dinâmica viciam. São como um THRILLER - cheias de EMOÇÃO, DE ALTOS E BAIXOS, DE PAIXÃO, VIDA E MORTE. Atraem por ser SUPER, SOBRENATURAIS, ENIGMÁTICAS... Fazem-nos viver na ilusão fora da realidade, nos esquecer da verdade, do ser, do amor verdadeiro. Enganamo-nos... E como vocês também devem conhecer ou viver histórias parecidas, essa semana, conversando com a amiga de uma amiga, um caso me trouxe à mente como num espelho uma questão que demonstra o quanto podemos nos tornar ridículos quando no deixamos envolver em relações doentes...

Ela estava envolvida com um rapaz mais jovem - desempregado, não havia estudado, ciumento, violento, envolvido com outras mulheres, sem escrúpulos, com valores distorcidos, sem qualquer possibilidade de acompanhá-la e ao seu filho... Enfim, um problema sem tamanho... O mais incrível era ouvi-la dizendo: "MAS EU O AMO!". E, o mais complexo, ter de dizer a ela: "ISSO NÃO É AMOR! É DOENÇA! Busque ajuda. Converse com pessoas que vivem relações saudáveis. Veja como vivem. O que esperam um do outro. Como é seu dia-a-dia. Nessas relações o que há é RESPEITO, HARMONIA, DEDICAÇÃO, RESPONSABILIDADE. Há um cuidar da relação que os mantém fortes, unidos, íntegros, saudáveis. Um conviver que faz bem. Não tem soluços, não têm idas e vindas, rompimentos e voltas... "Não foi fácil, mas arrisquei e tentei convidá-la a refletir, pensar, compreender o que estava em jogo nessa teimosia. "AMOR", comentei com ela, "é diferente do que está vivendo! É tranqüilo no que pode ser, quente no que deve ser...".

É esse o amor que podemos escolher: sem sobressaltos, sem dor, sem tristeza, um amor leve, livre, solto, um amor que vem para ficar, para uma vida, para o tempo que durar... Um amor que, sim, terá altos e baixos, conquistas e derrotas. Mas que se sobressai a todos os percalços que a vida um dia traz. Permanece... Escolhas, sempre escolhas.
(Por Sandra Maia)*

11 março 2010

História pra boi dormir

Esse papo de pensamento positivo é muito bonito, vende livro e tal, mas não tem funcionado muito comigo ultimamente. Parece meio com o Papai Noel dos adultos... Você acredita que existe, mas nunca viu e, parece que os melhores presentes, ficam sempre com os outros.
Sou otimista, bem-humorada, só desejo o bem aos outros, estou sempre pronta pra ajudar e, assim, acredito que esse conjunto de fatores seria o primeiro passo pra fazer com que as coisas dessem certo.
Balela! Quando penso que as coisas vão dar certo... Lá vai o Papai Noel deixar o presente embaixo da árvore de outro. Tenho a sensação de nunca ter sido uma criança boa, daquelas que jamais fez a lição-de-casa ou respeitou os mais velhos. Mesmo tendo a certeza de que fiz tudo certinho.

06 março 2010

Então, né...

Lá vou eu, de novo, falar sobre ensaios sensuais e mulher pelada. Há um tempo escrevi (até onde me lembro) algo sobre isso. Não sei ao certo qual foi exatamente o foco, mas isso também não importa, até porque qual é a do ensaio sensual, não é mesmo? O que me vem na cabeça, sempre que o assunto é esse, é: será que homem sente mesmo tesão em ver mulher pelada em revista?
Hoje, navegando pela internet, acabei entrando no site Paparazzo. E me deparei com a foto aí. O que pensei? "Quem come morango fazendo essa pose?". Deve dar muuuuito trabalho, se contorcer toda, de calcinha, cheia de bijuteria, numa tábua dura, que deve arrebentar as costas. Sem falar o salto no pé e na parede branca! De novo, me pergunto: quem come um único morango assim?
Daí, por curiosidade, não pude deixar de espiar (como Pedro Bial fala) os outros ensaios. E mais coisas mais bizarras, que só gente que sai de um confinamento, sem noção do que é bom senso, pode aceitar fazer. Vi a Morango segurando uma mangueira de lâmpadas acesas, que mais me lembrou uma árvore de Natal, a Tessália sentada nas costas de uma cadeira com um pano enrolado no corpo, parecendo uma musa africana, e a ex-namorada do Michel de calcinha e sutião nos Arcos da Lapa do Rio de Janeiro e de babydoll pendurada num trapézio.
Sim... Todas nós, mulheres, fazemos a mesma coisa pra seduzir um homem. Aliás, estou seriamente pensando em atravessar a Avenida Paulista às cinco da tarde fazendo topless! Ou será que lavo a louça com lenço na cabeça e fio dental? Aceito sugestões!

03 março 2010

Quando é pra ser... É!

Tem certas coisas que não tem jeito... São feitas pra ser o que são. Foram criadas pra acontecer. Não importa a vontade alheia, a uruca, a macumba, o que falam... É! E ponto.

Hoje tive que dar um texto na aula que falava sobre isso. É em inglês (portanto, a versão original está no outro blog!), mas achei que valia a pena traduzir e colocar aqui também. Lá vai:

... Há muito tempo, na Inglaterra, vivia um homem muito rico que sabia prever o futuro. Ele sempre dava festas na enorme casa onde morava e, durante essas festas, sempre dizia o que aconteceria no futuro dos seus convidados. Ele tinha muito orgulho disso, porque era realmente bom nas premonições.

Quando o primeiro filho nasceu, o homem quis saber o que o futuro reservaria pro seu bebê. Mas o pai não ficou feliz com o destino que viu. Seu filho se casaria com uma garota pobre, que morava numa vila perto da casa onde moravam. Lógico, o homem rico não ficou satisfeito e decidiu ir até a vila. A menina que iria se casar com o filho dele havia nascido há um mês. A família dela estava preocupada como faria pra alimentar mais um bebê, pois já tinham muitos filhos. Então, o homem rico falou pra família, "Conheço um casal que não pode ter filhos. Me dê sua filha. Ficarei responsável por ela até que o casal venha buscá-la". É claro que a família ficou surpresa com a oferta do homem rico, mas acabou concordando.

No caminho pra casa, o homem rico parou próximo a um rio. Ele queria ter certeza de que a menina jamais se casaria com seu filho. Ele colocou o bebê dentro de uma sacola de couro e a jogou no rio. Como a sacola estava cheia de ar, flutuou. Um pescador a encontrou e levou o bebê pra casa. Sua mulher adorava crianças e a garotinha foi criada como se fosse filha do casal.

Muitos anos depois, a garota acabou conhecendo o filho do homem rico por acaso. Eles se apaixonaram e estavam prontos pra casar. Mas o homem rico percebeu que ela era muito parecida com a menina que ele havia jogado no rio. Decidiu, então, visitar o pescador, que contou toda a história. Era a mesma menina! Mas ele sabia que teria problemas se tentasse matá-la agora.

Ele a convidou pra ir ao rio. Lá, jogou o anel que usava na água e disse, "Leve este anel à minha próxima festa e só assim poderá se casar com meu filho". A garota foi embora, com os olhos cheios d'água.

Ela queria cozinhar alguma coisa saborosa pra festa e esperava impressionar o homem rico com sua habilidade na cozinha e, quem sabe, fazer com que ele mudasse de idéia. A garota foi ao mercado e comprou o maior peixe que encontrou lá. Quando abriu o peixe para cozinhá-lo, encontrou o anel dentro. "É o anel do homem rico", ela gritou, "Tenho certeza!". Ela não queria se atrasar pra festa, então se trocou rapidamente e correu pra casa do homem rico.

Antes da festa terminar, ela procurou o pai do rapaz por quem se apaixonou e devolveu o anel que ele havia jogado no rio. Agora ela poderia se casar com o filho dele. Então, o homem rico, finalmente, percebeu que ele não poderia mudar o destino.

23 fevereiro 2010

Ai, ai, ai


Bicho-papão não existe. E nem o homem do saco. Mas aposto que muita gente morria de medo deles quando era criança. Quando crescemos, deixamos de acreditar num monte de coisas, mas alguns medos mudam de máscara, insistem em permanecer no presente, causam ansiedade e bloqueiam o que poderia mudar a nossa vida pra melhor, é claro.

Somos seres simples. De tão simples, nos tornamos complexos. Demais até! Pensamos sobre nossos pensamentos e sobre a maneira como pensamos. O que teria tudo pra ser a nossa maior vantagem torna-se o nosso maior obstáculo, porque o papel da imaginação em nossas vidas modifica totalmente a realidade.

O medo é aquela voz irritante que insiste em dizer (e, às vezes, até gritar) que as coisas não vão dar certo. A culpa, na verdade, é daqueles que mais nos amam. Quando a gente é pequeno e tem medo do bicho-papão, sem querer, ao mesmo tempo, ouvimos daqueles que mais querem nos proteger que jamais vamos conseguir fazer isso ou aquilo, que X ou Y é impossível de acordo com a nossa realidade. E blá-blá-blá... Tentando nos proteger das frustrações, eles acabam colocando no nosso subconsciente fantasmas que voltam a nos atormentar na vida adulta, quando o bicho-papão já não representa mais nenhum perigo, atrapalhando o nosso caminho pro sucesso.

Por exemplo, o que você faria se desse de cara com um jacaré ao tentar cruzar um rio de uma margem à outra? As braçadas confiantes, certamente, dariam lugar ao desespero. Certo? Ao invés de nadar pra frente, tentar driblar o jacaré, ficamos paralisados e até cogitamos a possibilidade de nadar pra trás. O medo, quase sempre, causa ansiedade que faz com que a gente perca o foco, o controle e o chão! É ele que nos faz nadar em círculos, o que nos leva... a lugar nenhum!

Corajoso não é quem não tem medo. Corajoso é quem segue em frente apesar do medo. O medo é um alarme fundamental na nossa vida, lógico, é quem nos salva de muitas enrascadas. Mas não pode disparar o tempo todo. O medo deve ser um sinal de atenção e cuidado, nunca de desistência. Quando os jacarés aparecerem no caminho, resista à tentação de abortar a travessia. Mas é bom ir com calma! Ansiedade só faz com que nademos contra a correnteza.

Medo e ansiedade são os grandes inimigos da transformação. Causam estagnação e desvios perigosos, afastando a gente do crescimento pessoal e daquilo que mais queremos. É importante ter claro os objetivos, manter as estratégias, dar as braçadas necessárias que os resultados virão.

Apesar de grandinha, ainda tenho medo do escuro. Custo a relaxar quando estou nele e sozinha, mas basta esperar um pouco, respirar bem fundo, focar e perceber que o escuro nem é tão escuro assim.

10 fevereiro 2010

Imaginação


A mente é uma arma poderosa. É ela quem cria o mundo que você vê. Ou aquele em que prefere acreditar que vive. Imaginar é legal. Tem gente que ganha dinheiro pensando em coisas criativas. Porém, tem outras que ainda precisam aprender a usar o que carregam dentro da cabeça pra não pirar.
A minha imaginação é fértil e, raramente, respeita fronteiras. Mas, apesar de pular uma cerca imaginária várias vezes, eu tenho o bom senso pra diferenciar o real da piração. Quem não tem a cabeça no lugar, viaja. Se machuca. E acaba envolvendo gente que não tem nada a ver com as suas doideiras. O que é mais incrível é usar toda essa imaginação em benefício do outro. É sempre o outro que pode tudo aquilo que você gostaria. É o outro que tem aquilo que você sempre tanto quis. É a grama do lado de lá que é mais verde quando, na verdade, é a sua imaginação que está jogando uma boa dose de tinta no jardim do vizinho.
Todo mundo sabe que não devemos acreditar em tudo o que vemos. E muito menos em tudo o que escutamos. Usar um filtro é sempre bom e ajuda a manter os pés no chão. Dar umas viajadas de vez em quando é aceitável. Mas saudável mesmo só se for de vez em quando. Quando essas trips ficam constantes e se transformam em bolas de neve já são outros 500, que na mente de gente criativa, vira mil.
Confesso que já dei as minhas piradas. Bastava uma gota d'água pra imaginar um rio inteiro. Criava histórias na minha cabeça, dava nome aos personagens, caprichava no enredo, mas os meus "contos" raramente tinham um final feliz. Com o tempo aprendi que filtrar, confiar e raciocinar valem mais a pena. Já dizia o ditado que sonho que se sonha sozinho é só um sonho. Pra virar realidade é sempre bom ter alguém do lado. E os pés no chão, é claro!

05 fevereiro 2010

Tudo ou nada


Não sei ser 50%. Nem 60%, 70%, 80% ou 99%. Abaixo disso também não tem muito a ver comigo. Os opostos me atraem. Sou 0% ou 100%. E não 8 ou 80. Comigo é tudo ou nada. Nothing in between não faz o meu estilo. Na escola, podia ser uma aluna de notas medianas. Mas isso não quer dizer que não dava 100% de mim.

O copo meio cheio ou meio vazio não me apetecem. Sempre cheios até a boca, esperando a última gota pra transbordar, ou guardados no armário esperando pra serem usados, completamente vazios. Essa é a minha regra.

Não consigo deixar cadernos em branco. Quando escrevo, marco o papel, como se quisesse deixar ali também uma marca minha. Mostrar que estive ali, e com intensidade. Não paro um livro no meio e nem os deixo encostados num canto qualquer. Não acredito que histórias foram criadas pra serem interrompidas na metade ou que não mereçam destaque. Não sei ser neutra ao que está a minha volta e muito menos sei sentar, diante de um papel novinho, sem que eu deixe - de alguma forma - o meu registro ali.

Eu vivo. Intensamente! Mesmo que seja errado aos olhos dos outros. Estes, provavelmente, são 50%. Gente em cima do muro me aborrece. Situações rotineiras me entediam. Acomodações me tiram do sério. Quero experimentar TUDO. E, pra mim, a vida é assim. Pra se arrepender daquilo que se faz, não pra lamentar algo que se poderia ter feito.

Não bebo leite morno e nem como nada light, com metade das calorias. Mergulho de cabeça. E não tenho medo da profundidade. Quero um Romeu, e não um Hamlet.

Não sei amar pela metade. Nunca soube. Aliás, não se trata só de amor, mas de qualquer tipo de sentimento. Não sinto nada mais ou menos. Ou eu gosto ou não gosto. Não sei sentir nada em doses homeopáticas. Preciso (e gosto) de intensidade, mesmo que ela seja ilusória e se não for assim, prefiro que não seja.

Não me apetece viver histórias medíocres, paixões não correspondidas e pessoas água com açúcar. Não sei brincar de ser café com leite. Só quero na minha vida gente que transpire adrenalina de alguma forma, que tenha coragem suficiente pra me dizer o que sente antes, durante e depois. Porque eu acho sempre muitas coisas - porque tenho uma mente fértil e delirante - e porque posso achar errado (e ter que me desculpar), e detesto pedir desculpas, embora o faça sem dificuldade se me provarem que eu estraguei tudo achando o que não devia.

Quero grandes histórias. Quero o amor e o ódio. Quero o mais, o demais... ou o nada. Não me importa o que é de verdade ou o que é mentira, mas tem que me convencer, extrair o máximo do meu prazer e me fazer crer que é para sempre quando eu digo convicta que "nada é para sempre".

Porque só assim eu me divirto e é só isto que me interessa. Intensa? Sim! E daí? Não tô na vida de passagem, babe. E nem pra perder tempo... O meu, por exemplo, vale ouro!

28 janeiro 2010

Unfollow


Quantos "amigos" você tem no Orkut? E no Facebook? Quantas "vidas" você segue no Twitter? Quantos nomes na sua lista do MSN? Às vezes, tenho a sensação de que essa coisa de redes sociais só chegaram pra estragar a realidade. Tudo bem que ajudam a reencontrar gente com quem não falávamos há um bilhão de anos, mas ao mesmo tempo fazem com que os novos contatos virem artigos em prateleiras de lojas. Estão lá, expostos. Se gostar, pega. E usa até expirar o prazo de validade.
Já percebeu que pessoas que conhecemos de forma digital não recebem o mesmo valor daquelas que já estão na nossa vida analógica há anos? E o que há de diferente entre os dois tipos de relacionamentos, se os dois envolvem pessoas (e reais!)?
Antigamente, quando não existia esse papo de "me add" (que eu, só pra registrar, odeio!), quando era um pouco mais difícil conhecer gente nova e se aproximar dos estranhos, as pessoas se respeitavam mais. Respeitavam limites, sentimentos e eram menos superficiais. Não existia esse péssimo hábito de colecionar pessoas e não se dispensava os novos conhecidos como se descarta um copinho plástico quando outros novos tomam o lugar na prateleira.
Conheci no mundo real muita gente que chegou pelo virtual. Mas confesso que pouquíssimos ficaram. Não por culpa minha, já que aprendi - desde cedo (e cedo mesmo, já que a minha geração não foi educada plugada na internet) - que pessoas merecem respeito. Merecem atenção. Têm valor. Ainda romantizo relacionamentos e acredito na amizade verdadeira. Mas, preciso lembrar o tempo todo que, pra qualquer relacionamento existir, é preciso que as duas partes se respeitem e dediquem a mesma quantidade de tempo e carinho.
Valor mútuo é artigo raro nesse supermercado online. De que vale a inclusão digital, se excluímos aqueles que fazem parte desse universo sem o menor critério? Se não podemos deletar ou bloquear alguém que cruza nosso caminho pela rua, por que esquecer (justo na Era da Tecnologia e Inteligência) que somos civilizados? A máxima do "respeite o próximo" nunca foi atualizada, pode dar RT que ela ainda conta pontos!

23 janeiro 2010

Em prol de quem?


Precisou uma catástrofe virar assunto mundial pro bando de celebridades se mobilizar e organizar um show em prol das vítimas dos terremotos no Haiti. Mais de 150 mil pessoas morreram no desastre, depois de passar a vida toda lutando contra a pobreza e a violência que sempre dominou aquele país.
Não condeno a atitude deles. O Hope For Haiti Now e a música criada por Bono Vox e Jay-Z devem ter surtido algum efeito, mas hello! o Haiti nunca nadou no dinheiro e ajudas como esta poderiam ter chegado bem antes da terra chacoalhar por lá. Mas, antes disso, ninguém prestaria atenção à nobreza do ato. Não é? A grana do rapper e todo o engajamento do vocalista do U2 chegaram um pouco tarde.
O povo do Haiti precisa de tudo. Tudo mesmo. E isso inclui água. E não de outro Micheal Jackson e seu We Are The World. Hey, equipe do Discovery Channel que tal mandar o Extreme Makeover Home Edition pra lá? Quem sabe assim, os desabrigados possam ter condições e meios de ouvir a música que Bono e Jay-Z fizeram pra ocasião...